Saí do colégio voada, como quem tinha algo muito importante para
fazer depois das aulas. Comprei um cigarro barato e fui tragando até chegar em
casa. Estava impaciente, claro. Sentia falta de algo que não sabia descrever,
mas sabia o que era. Me fiz racional: “Afinal, o que tenho? O que posso ter?”.
Pensei muito até decidir escrever, por minhas palavras no branco de novo.
A fumaça ainda percorria meu cérebro. “Viajava” em
pensamentos loucos, na saudade que de tão extensa, tornou-se táctil. Não sei ao
certo se as palavras estão corretas, só quero pô-las para fora de mim! Ficar
calada me dá uma sensação de quase-explosão. Sinto como se meu eu estivesse sendo
invadido por todas as idéias aleatórias que me aparecem. Organizá-las seria
loucura da minha parte, portanto, quero e irei somente expô-las.
Minha felicidade está diferente. Estou feliz, de fato, mas
não sei ao certo quais os motivos, nem se os tenho. Queria saber uma razão sequer
para explicar o porquê d’eu viver a sorrir, a ser gentil, a estar presente
quando precisam. O amor maior diz ser a minha essência, que sem isso, não sou
eu.
Sinto que minha lucidez foi trocada num desses botecos de
esquina, os quais costumava freqüentar nas madrugadas que não tinha o que
fazer. Ou até tinha, mas simplesmente não queria seguir todos os dogmas que me
impuseram.
Prefiro acreditar que
há algo de errado comigo, que meus sentimentos estão conturbados e que esqueci
de distinguir amizade do amor, a tristeza da solidão. Estou triste, apesar de
não estar sozinha, entende? E se me entendes, sinto dizer, mas és tão louco
quanto eu.