quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Solução?


Uma curta conversa no celular:
- Vais sair?­­­
- Não.
- Ótimo! Logo mais eu apareço aí.
Fui descendo as escadas, tentando imaginar­­­ como seria ao chegar lá. Tentei esquecer. Liguei o carro e segui pelas poucas ruas até chegar à frente do prédio em que ele mora. Fiquei alguns minutos parada, olhando para a janela, tentando não imaginar o rosto dele.
Desci, adentrei o portão alto, segui para a portaria. Era noite. Não me arrumei, estava com um short preto, uma camiseta qualquer e uma bolsa de colo. Enquanto estava no elevador, pensava alto... Será que falaria comigo?
Parei em frente à porta branca. Bati, e quase que automaticamente, a porta destrancou, mas não abriu. Girei a maçaneta e entrei. Ele estava sentado em frente a um notebook, aparentemente estressado, usando óculos. Não falou comigo; Não falei com ele.
Fui em direção ao sofá e sentei-me do jeito mais confortável que consegui. Passei longos minutos o olhando de costas, em silêncio.
Andei até a varanda, peguei um maço de cigarros da bolsa. Fumei um, ou talvez dois bem devagar, deixando o tempo passar e a fumaça entrar na minha cabeça.
Voltei ao sofá e pus as pernas em cima. Ele sequer virou a cabeça para me olhar. Peguei o celular e mandei-lhe uma mensagem “Queria que eu viesse?”. Ele responde “Sim”, e sai da frente do notebook, senta-se ao meu lado, ainda sem me olhar.
- O que queres de mim, guria?
- Eu quero você, já te disse.
- Mas como? Sabes das nossas dificuldades.
- Você me quer?
- Quero, mas é tudo tão complicado...
- Vai ser simples. Nós queremos, e é por igual. Sem dificuldades no caminho.
- Tem muita coisa no meio, ainda.
- Olha ao teu redor... O que tem de errado no teu apartamento?
Ele me olha.
- Tem você aqui. Isso não é certo.
Eu me aproximo, pego sua mão.
- É certo, acredite.
Ele abaixa a cabeça, pensa... Solta sua mão das minhas e tira os óculos. Passam-se alguns minutos, até que me olha bem nos olhos.
- E o que a gente faz com isso agora? Começamos de novo, não vou mais te deixar.
Fico surpresa, sorrio. Ele sorri e encolhe os olhos, do jeito que eu gosto.
O puxo pra perto e dou-lhe um beijo. Um beijo lento, romântico, cheio de saudade. Ele me puxa pra mais perto ainda e me encosta no sofá. Sorrimos juntos. Era ótimo estar ali.
Nos abraçamos e ficamos assim por muito tempo. Levanto e vou até a cozinha, e ele me segue. Cozinhamos juntos, jantamos juntos, dormimos juntos...

Matar a saudade que por tantas noites me fez chorar foi mais que mágico. E tudo que eu mais peço as Forças Superiores, é que quanto mais que os dias passem, mais o nosso amor aumente.