terça-feira, 23 de julho de 2013

Relato de um plantonista. [01]

Meu plantão acabou as 19:00. Mas só consegui chegar no estacionamento, que fica no subsolo do hospital, por volta das 20:00. Girei a chave, engatei a marcha ré, rumei para casa.
Eu morava no sétimo andar de um edifício que ficava a uns 30 minutos desse hospital.
As vias principais ainda estavam congestionadas. Reclinei mais um pouco o banco e liguei o rádio.
O que chamam de sucesso do momento, ao meu ver, nada mais são do que perturbação sonora. O pendrive estava no porta copos, coloquei no aparelho de som e deixei que as faixas, já bem conhecidas, fossem sendo executadas aleatoriamente.
Acionei o portão da garagem do prédio, entrei. Estacionei na minha vaga, peguei a pasta, acionei o alarme.
Fiz isso sem prestar atenção. No modo 'automático'.
Eu estava com os pensamentos presos num mesmo fio desde que saí do hospital.
Entrei no elevador, pressionei "07". Não me olhei no espelho, nem procurei a câmera para sorrir ao porteiro.
Eu não estava para sorrisos.
Giro as chaves do apartamento, abro a porta.
Minha esposa me olha. Ela estava sentada à mesa da sala, com uma pilha de papéis a sua frente.
O oclinhos de armação branca bem na ponta do nariz.
- Oi, amor. - ela me disse voltando a atenção aos papéis.
- Oi, minha linda.- fechei a porta e girei a chave. - Processo novo?
- Hã?
- Processo nosso? - repeti mais áspero.
- Não, não. To revendo uns detalhes de um caso passado.
- Ah.- beijei-a na testa. Larguei a minha pasta numa cadeira, sentei-me na outra.
Respirei fundo e cocei os olhos.
Quando eu queria conversar sobre algo do trabalho eu costumava dar dicas para que ela perguntasse. Dessa vez ela não perguntou.
- Você fez jantar?
- Comprei lasanha. É só tirar sua porção e esquentar, se precisar. - respondeu sem levantar a cabeça.
Fui à cozinha, tirei um pedaço da lasanha e esquentei. Pequei uma lata de refrigerante e voltei para à sala.
Comecei a por tudo para dentro sem sentir  o sabor. Eu estava sério, olhando o canto oposto da da mesa. Ela, da ponta da mesa, finalmente percebeu meus sinais. Ficou me olhando e, por fim, perguntou
- Perdeu um paciente? - seus papéis não eram mais tão interessantes.
- Foi. - respondi.- Mas isso é normal.
- Eu sei que é. Não é normal você ficar assim.
Permaneci calado. Comendo.
- Quem foi?
Lembrei por mais um segundo rosto dele.
- Um garoto. Tinha nove anos.
- Poxa, amor. - ela se levantou e veio me abraçar. - Qual a história dele?
Fiquei de lado, de forma que ela pudesse sentar na minha coxa.
- Não sei bem. Pelo que disseram a babá foi pegar ele no colégio, agora no fim da tarde, e na volta pra casa foram atropelados. Ela sofreu uma fratura na perna e uns arranhões. Ele foi arrastado pelo carro.
- Ai! Coitado.
- Pois é. Ele ainda estava acordado quando chegou...
Senti um aperto mais forte no peito. Como se eu quisesse chorar.  Eu não estava sendo sincero.
Ela pousou minha cabeça no seu busto. Acariciou minha nuca.
- Você conhecia ele?
- Não. Mas de alguma forma eu me identifiquei com aquele garoto. Ele segurou meu braço...apertou.- sentei meu rosto contra a pela quente dela. - Ele me olhou pedindo ajuda. Não como os outros, mas como se eu fosse o pai dele, não sei...não sei.
- E os pais dele?
- Quando meu plantão acabou eu fui na recepção perguntar sobre eles. Ligaram para o pai. Ele estava saindo do trabalho quando falaram do acidente. Ficou preso no trânsito e só chegou pouco antes de mim na recepção. Estava chorando, falando ao celular.
Houve um momento de silêncio.
- Você se parecia com ele?
Pensei bastante na imagem dele. Mãos na cabeça, rosto molhado. Desesperado.
Não olhei por mais de três segundos para ele, mas ainda podia vê-lo nitidamente.
Como eu reagiria no lugar dele? Me pareceria com ele?
- Se eu me parecia com ele? - repeti a pergunta - Acho que sim.


Por HB.

domingo, 14 de julho de 2013

Expressão do amor.

Bom dia, boa tarde, boa noite!
Estou passando só para dizer
que mais do que qualquer outra pessoa,
eu sou feliz.
Feliz por ter um filho maravilhoso e saudável,
um marido que me ama muito
e eles dois são simplesmente a razão do meu viver,
juntinhos, do jeito que só sou completa com os dois.

A gente descobre que é feliz quando passa por dificuldades financeiras e emocionais e mesmo assim a gente continua de pé, amando, juntos na alegria e na tristeza literal!
Por isso tenho orgulho de gritar pro mundo inteiro ouvir, se necessário, que eu to ruim de grana, to ruim de estresse, ruim de cansada, ruim no psicológico; mas to ótima de amor. E olhe que meu limite de amor não está nem na metade ainda...
Agradeço primeiramente a mim mesma por ter força e coragem pra continuar a viver assim; em segundo, ao meu marido (que é lindo aos meus olhos) que dá todo apoio e conforto a mim e ao meu filho; em terceiro ao meu próprio filho, que apesar de nem entender tudo que se passa, é quem mais me dá vontade de viver cada dia mais.

Enfim, peço desculpas a vocês que leem isso (que não devem ser muitos, além do HB), mas precisava expressar isso pro mundo. Já não conseguia falar isso somente a eles.
quinta-feira, 11 de julho de 2013

Tenha paciência.

Tenha paciência, meu futuro amor.
Não sei quando vou te conhecer. Pode ser amanhã ou daqui a alguns anos.
Tenha paciência, meu futuro amor.
Não sei como vamos nos conhecer.
Talvez eu te atropele com minha bicicleta, ou você pode ser minha nova vizinha. 
Talvez você estude comigo, ou venha perguntar onde comprei minha camisa de banda.
Talvez eu, que sou muito chato, vá reclamar do som alto no seu apartamento, ou te elogiar no elevador por achar sua voz bonita quando você canta.
Tenha paciência, meu futuro amor.
Pois só com você fazer sexo nem vai ser tão necessário.
Faremos amor, numa manhã de domingo, quando estivermos nós dois de folga.
Tenha paciência, meu futuro amor.
Seu beijo será para mim um motivo para querer viver um pouco mais.
Tenha paciência, meu futuro amor.
Faremos bem um ao outro sem perceber. Por que será mágica nossa ligação. Por que quando finalmente estivermos juntos isso que digo agora fará sentindo.
Tenha paciência, meu futuro amor.
E me perdoe por não saber quando nem como nos encontraremos, mas saberei quando te encontrar. E caso você não perceba de cara, eu te aviso. Apenas sorrirei, e você, se realmente for você, saberá que o sorriso quer dizer "Oi, quer ser feliz comigo?"  


Por HB.
domingo, 7 de julho de 2013

Desculpas.

Aprendi que um homem de verdade não deve viver com muitos arrependimentos.
Sou daqueles que prefere se arrepender pelo que fez do que pelo que deixou de fazer.
Entretanto, há uma coisa que todos nós (isso mesmo leitor, você também), deixamos de fazer por qualquer motivo: pedir desculpas.
Que fique claro que esse post está me ajudando a tirar um peso de cima de mim. Afinal, comecei a escrever com esse intuito: aliviar a carga. Talvez nenhuma das pessoas a quem minhas desculpas são direcionadas as recebam (leiam), mas o simples fato de expô-las já é quase o bastante.



Desculpa por ter entrado na sua vida. Por te fazer me amar e não amar de volta.
Mas talvez eu tenha amado, mas você não viu.
Desculpa pelos desacertos. E pela minha incrível capacidade de te culpar por eles.
Desculpa pelas vezes que te traí. Eu te desculpo pela que fui traído.
Desculpa por te magoar com tanta frequência. Me odeie por isso. Você tem todo direito.
Mas saiba que nenhuma das vezes essa foi minha intenção. Se eu soubesse dos riscos que brincar conosco, teria me divertido com fogo. Seria menos doloroso.
Talvez você fosse uma linda flor num campo, e eu um cavalo a correr sobre ele. Minha passagem fez você sentir algo novo, mas acabei te deixando destruída. E como eu tenho cascos, toda vez que tentava de consertar, fazia ficar ainda pior.
Desculpa pelas vezes que fizemos amor. E pelas vezes que não fizemos, também.

E o nós mudou o time. Ficamos mais duros, talvez metal.
Mas não diria que sou metal, sou vidro.
Você tentou me arranhar, mas como ferro não arranha vidro, eu te arranhei.
Sobre isso eu não peço desculpas. Não me arrependo.

Todavia, venho com novas desculpas pelos meus joguinhos sentimentais.
Dou-lhe um alerta: não tente jogar comigo, você irá perder.
Não sorrio dos seus sms de manhã, mas sempre respondo ":)"
Desculpa, desculpa mesmo, por te fazer de boba.
Já senti vontade de dizer que "Não sou o cara pra você. Gosto de cerveja, rock e motocicletas." Mas acho que sabemos que você,que gosta de leite morno, MPB e conchinha, sabe.
Peça desculpas por ter entrado na minha vida. Tudo seria mais simples se você não me viesse à cabeça toda vez que abro outra Heineken.
Mas se devo pedir desculpas a você por alguma coisa, que seja pelos meus pensamentos sujos que tenho contigo antes de dormir.
Desculpas pelas saudade que sinto de coisas que ainda não vivemos. E por sempre te ajudar a complicar, coisa que você já faz muito bem sozinha.

Desculpas, agora, a você, leitor, que leu isso até o final. Desculpa pelo tempinho de vida que te fiz perder.
Mas se você conseguiu saber como me sinto em qualquer uma das situações anteriores, não faça o mesmo que eu. Não escreva desculpas num blog. Vá até essa pessoa a quem você as deve, e faça.


Por HB

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Passo >

Depois escrevo aqui. To meio sem saco, meio  sem tempo.
Apesar da inspiração, falta-me vontade.