Mais um mês se passou e muita coisa aconteceu.
Estou cheia de trabalho, cheia de pensamentos, dúvidas... Cheia de sentimentos.
Tá sendo incrível pra mim, descobrir que eu sinto falta de algo que nunca possuí antes.
É ruim (péssimo, na verdade) acabar com um namoradinho que deveria ser só passageiro e ficou mais tempo que o esperado na minha vida.
Mas, pior que isso é sentir falta dos carinhos, das palavras, dos abraços, da voz rouca, dos beijos, das mensagens, do sexo, do rosto dele... Sentir a sua barba mal feita arrepiando-me as pernas... E não tenho coragem de voltar. Fui eu quem acabou, então não seria cabível a mim pedir pra voltar.
É, mantive meu orgulho intacto!
Ruim de vê-lo passar em frente ao edifício e olhar pra cima a me procurar sem nada encontrar.
Merda de solitude!
(SOLITUDE: ¹Opção de ser sozinha; ²Antipatia a companhias)
Mas o trabalho vai bem, estou conseguindo trabalhar do mesmo jeito de sempre.
Mas às vezes acho que preciso ir a um psicanalista... Ironia do destino.
Ou talvez eu precise de amigas.
Mas como vou saber se posso confiar nelas? Talvez um teste, ou algum tipo de prova em que poderia julgá-las...
Não posso simplesmente confiar toda uma vida a qualquer uma que na primeira oportunidade saia por aí falando tudo e algumas vezes até aumentando os acontecidos...
Preciso encontrar amigos.
Essa semana tive um sonho bem estranho... Me vi adolescente, voltando do colégio de mãos dadas com o meu irmão mais novo.
E ele escapuliu, sumiu do meu campo de visão e reapareceu em frente a um carro, estava todo ensanguentado.
Então acordei!
Não me senti mal por isso, nem fiquei na vontade de ligá-lo. Deve estar em média com uns 18 anos... Má idade.
Voltando aos antigos costumes...
Estou mais uma vez encostada no sofá negro... Uma taça de vinho pra começar.
E sim, fiz as pazes com todos os meus amigos: os vícios.
Tento não pensar tanto em quem esteve comigo naquele mesmo lugar há um mês...
Deixo uma lágrima cair dos meus olhos.
Eu, cansada, já não consigo controlar meus pensamentos, e como pássaros de outras terras, voltam à sua origem.
Fui pertencida. E ainda me sinto assim.
Tolice a minha imaginar que poderíamos ter uma vida tranqüila.
A chuva cai forte, e eu não consigo segurar mais minhas lágrimas.
O vinho da garrafa acaba. Preciso de mais! Vou até a cozinha e pego mais uma garrafa.
Dessa vez sento-me no chão, encostada no sofá.
TROVÕES.
Silêncio duradouro, onde só se ouvem a chuva e meus gemidos de agonia.
Me controlo.
Ouço somente a chuva agora; Penso que devo ficar bem depois dessa.
E então um barulho atrapalha meus pensamentos vazios.
A campainha: “ding-dong”.
Mas quem será a essa hora da noite?
São exatamente 02h37 e alguém está batendo a minha porta.
Bem, devem ser vizinhos ou então o síndico... Não deve ser ninguém importante.
Largo minha taça, meus vícios e meus pensamentos, e encaminho-me até a porta de entrada.
Abro a porta. SUSTO!
Tenho uma descarga de adrenalina tão grande quanto a de quem toma um choque!
Vejo aquele gaúcho que tanto amo, encharcado, olhando para mim.
Dou um pulo em seus braços e dessa vez não sei se choro ou se sorrio... Faço os dois.
- Mas como assim, porque você veio?
“Porque eu preciso de ti e das tuas manhas... Sinto tua falta, guria!”
O abraço mais forte, beijando o seu pescoço.
“Ei, vai ficar tudo bem. Tu sabes que eu te amo.”
Entramos nos beijando ardentemente, fechamos a porta sem nos importarmos se ficaria trancada ou não.
Encharcamos o sofá negro com nossos corpos molhados que estão tão próximos quanto das outras vezes em que fizemos amor.
O dia amanhece.
Estou eu, deitada em minha cama.
Abro os olhos lentamente e o procuro com uma das mãos.
Não o encontro e levanto num pulo! Procuro-o ao meu redor sem encontrá-lo!
Ah, não pode ter sido um sonho!
Então a porta se abre e ele, o gaúcho mais lindo de todo o universo (que agora está como veio ao mundo), atravessa meu quarto e senta-se ao meu lado.
Me abraça forte, muito forte. Fico tranqüila...
“Teu coração está disparado, o que aconteceu?”
- Nada... Só pensei ter te perdido dentro de mim.
“Báh, nunca mais isto vai tornar a ser realidade, eu vou estar contigo sempre, guria, tu querendo ou não!”
Beijo-o, agradeço e torno a beijá-lo.
E assim espero que seja o resto da minha vida.
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