terça-feira, 1 de março de 2011

Relato de uma Psicanalista. [Part4]

Mais um mês se passou e muita coisa aconteceu.


Estou cheia de trabalho, cheia de pensamentos, dúvidas... Cheia de sentimentos.


Tá sendo incrível pra mim, descobrir que eu sinto falta de algo que nunca possuí antes.


É ruim (péssimo, na verdade) acabar com um namoradinho que deveria ser só passageiro e ficou mais tempo que o esperado na minha vida.


Mas, pior que isso é sentir falta dos carinhos, das palavras, dos abraços, da voz rouca, dos beijos, das mensagens, do sexo, do rosto dele... Sentir a sua barba mal feita arrepiando-me as pernas... E não tenho coragem de voltar. Fui eu quem acabou, então não seria cabível a mim pedir pra voltar.


É, mantive meu orgulho intacto!


Ruim de vê-lo passar em frente ao edifício e olhar pra cima a me procurar sem nada encontrar.


Merda de solitude!


(SOLITUDE: ¹Opção de ser sozinha; ²Antipatia a companhias)



Mas o trabalho vai bem, estou conseguindo trabalhar do mesmo jeito de sempre.


Mas às vezes acho que preciso ir a um psicanalista... Ironia do destino.


Ou talvez eu precise de amigas.


Mas como vou saber se posso confiar nelas? Talvez um teste, ou algum tipo de prova em que poderia julgá-las...


Não posso simplesmente confiar toda uma vida a qualquer uma que na primeira oportunidade saia por aí falando tudo e algumas vezes até aumentando os acontecidos...


Preciso encontrar amigos.



Essa semana tive um sonho bem estranho... Me vi adolescente, voltando do colégio de mãos dadas com o meu irmão mais novo.


E ele escapuliu, sumiu do meu campo de visão e reapareceu em frente a um carro, estava todo ensanguentado.


Então acordei!


Não me senti mal por isso, nem fiquei na vontade de ligá-lo. Deve estar em média com uns 18 anos... Má idade.



Voltando aos antigos costumes...



Estou mais uma vez encostada no sofá negro... Uma taça de vinho pra começar.


E sim, fiz as pazes com todos os meus amigos: os vícios.


Tento não pensar tanto em quem esteve comigo naquele mesmo lugar há um mês...


Deixo uma lágrima cair dos meus olhos.


Eu, cansada, já não consigo controlar meus pensamentos, e como pássaros de outras terras, voltam à sua origem.


Fui pertencida. E ainda me sinto assim.


Tolice a minha imaginar que poderíamos ter uma vida tranqüila.


A chuva cai forte, e eu não consigo segurar mais minhas lágrimas.


O vinho da garrafa acaba. Preciso de mais! Vou até a cozinha e pego mais uma garrafa.


Dessa vez sento-me no chão, encostada no sofá.


TROVÕES.


Silêncio duradouro, onde só se ouvem a chuva e meus gemidos de agonia.


Me controlo.


Ouço somente a chuva agora; Penso que devo ficar bem depois dessa.


E então um barulho atrapalha meus pensamentos vazios.


A campainha: “ding-dong”.


Mas quem será a essa hora da noite?


São exatamente 02h37 e alguém está batendo a minha porta.


Bem, devem ser vizinhos ou então o síndico... Não deve ser ninguém importante.


Largo minha taça, meus vícios e meus pensamentos, e encaminho-me até a porta de entrada.


Abro a porta. SUSTO!


Tenho uma descarga de adrenalina tão grande quanto a de quem toma um choque!


Vejo aquele gaúcho que tanto amo, encharcado, olhando para mim.


Dou um pulo em seus braços e dessa vez não sei se choro ou se sorrio... Faço os dois.


- Mas como assim, porque você veio?


“Porque eu preciso de ti e das tuas manhas... Sinto tua falta, guria!”


O abraço mais forte, beijando o seu pescoço.


“Ei, vai ficar tudo bem. Tu sabes que eu te amo.”


Entramos nos beijando ardentemente, fechamos a porta sem nos importarmos se ficaria trancada ou não.


Encharcamos o sofá negro com nossos corpos molhados que estão tão próximos quanto das outras vezes em que fizemos amor.



O dia amanhece.


Estou eu, deitada em minha cama.


Abro os olhos lentamente e o procuro com uma das mãos.


Não o encontro e levanto num pulo! Procuro-o ao meu redor sem encontrá-lo!


Ah, não pode ter sido um sonho!


Então a porta se abre e ele, o gaúcho mais lindo de todo o universo (que agora está como veio ao mundo), atravessa meu quarto e senta-se ao meu lado.


Me abraça forte, muito forte. Fico tranqüila...


“Teu coração está disparado, o que aconteceu?”


- Nada... Só pensei ter te perdido dentro de mim.


“Báh, nunca mais isto vai tornar a ser realidade, eu vou estar contigo sempre, guria, tu querendo ou não!”


Beijo-o, agradeço e torno a beijá-lo.





E assim espero que seja o resto da minha vida.

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