sábado, 16 de junho de 2012

Da varanda.

Da janela da varanda eu vejo o dia amanhecer. O céu fica colorido em degradê e os pássaros dançam suspensos no ar.
Nem mesmo mais uma noite em claro foi suficiente pra me fazer esquecer. As lembranças insistem em permanecer acesas. E a madrugada não ajudou. Foi solitária, escura, fria.
Eu fechava os olhos e no interior das minhas pálpebras tinha aquele rosto projetado; no meu olfato, um dos melhores perfumes que já senti; nos meus lábios, o sabor doce daquela língua macia e forte; minha audição foi covarde, só recordavam aqueles sussurros baixos que um certo dia ouvi. E meu corpo vibrava em cada centímetro que foi tocada pele na pele.
Vejo a garoa fina cair do céu agora cinza. Molho meu corpo na esperança de que a chuva lave e leve embora tudo isso que sinto em segredo.

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