E ninguém vai poder me julgar, dizer que não tentei, porque isso eu tentei como nunca tentei fazer algo bem em toda a minha vida.
Não sou eu quem faz as regras, apenas sigo-as. Estou sendo obrigada a agir assim.
Não reclamem, foram vocês que provocaram isso tudo.
- O quê?
- Eu falando de gostar.
- E daí?
- E daí que vai acontecer tudo de novo.
- O quê?
- Vou sentir demais, falar demais, escrever demais, você vai embora.”
Amor desperdiçado, criatividade, sinceridade, carinho, afeto; Encontrei também muitas peças da raiva, da ironia, da falta de compreensão...
Mas o que me chamou atenção foi a ausência de somente uma: confiança - não tinham nem rastros dela.
Sentei, passando uma das mãos por cima delas, sentindo uma nostalgia misteriosa que me deixava profundamente enjoada.
Achei tudo tão cômico!
Sorri do chão, do tapete, das peças, da nostalgia, da náusea, da falta e exagero de tudo.
Sorri de mim, sozinha em casa.
Sorri de cada momento que eu pensei que se eu quisesse e me esforçasse, daria certo.
Sorri de cada risada que dei.
Chorei. Pensei, e a nostalgia voltou em dobro, pra acbar com a minha tarde.
Levantei, enxuguei o rosto e varri tudo de volta para debaixo daquele tapete empoeirado, que foi testemunha do nosso amor e satisfação por várias vezes.
Parecia que ele gargalhava de mim, enquanto as lágrimas escorriam.
Tequila me animaria, em dias comuns. Mas não animou nesse sábado de sol.
Fiquei bêbada, e esse foi o fim.
Não sou assistida, lida, nem decifrada por ninguém, eu sei disso. Mas é isso que me incentiva a escrever e não parar nunca mais.
Escrevo palavras aleatórias, em fila indiana. E tudo que eu queria, era somente ter o ritmo e o dom pra fazer algo bom e realmente prazeroso de se ver. Inveja, talvez tenha, de quem sabe fazer bonito. Eu, infelizmente, não sei.
Entre mofo e morangos, passeiam suas obsessões as personagens quase sempre anônimas. Frescos morangos vermelhos mofados alimentando latas de lixo jogadas pelo asfalto da grande cidade. Movimento em direção a um palmo de qualquer luz. Ou sombra.”
O Caio: Ele sim tinha plena sabedoria e consciência sobre o que escrevia. E, quem sabe, até para quem escrevia.
da madrugada,
da palidez,
das palavras clichês sob o papel amarelado.
dos dedos gélidos,
da pupila dilatada.
do cabelo assanhado,
das lágrimas caindo no rosto molhado.
e do querer permanente dele.
das palavras sussurradas,
do medo,
da lua alva,
da tinta falha.
das rimas,
da objetividade (ou da falta dela).
do toque suave,
do uivar dos cachorros da rua.
Sou noturna do querer e não poder;
do olhar e não ver.
Não principal... Quem me dera! Secundária, somente.
No começo, não sabia ao certo do que se tratava, mas continuei fazendo meu papel.
Atuei bem; Dei tudo de mim! Com isso, ganhei o controle total.
Continuei.
Não me importei com a pontuação, nem com os erros, nem a caligrafia.
Mas meu erro, único erro, foi deixar alguns atuantes, que não faziam falta nem diferença, opinarem. Mudei o rumo da história.
Só perdi.
Botei um ponto final na história que tinha tudo pra dar certo.
Levei reclamações de quem me deu o direito de exercer aquele papel, de quem me apoiou para continuar alí.
Abri mão de tudo.
Com um tempo, foi me batendo uma saudade de fazer aquilo, de estar onde estava...
Uma saudade misturada com vontade tão grande, que voltei.
Dei início não a uma continuação, mas a um parágrafo, na mesma história.
Fiz tudo diferente, e continuo fazendo.
Nenhum personagem não-atuante, ou atuante não-personagem da figuração, me fará mudar o que quero fazer.
Ainda estou "autorando".
Quero e sei que posso melhorar. Vou fazer, e vou conseguir, porquê não?
Que seja dividida em infinitas partes; muitos parágrafos!
E que nunca acabe.
*Eu te abraçando...
*Meu corpo colado ao teu, minha respiração ofegante em teu ouvido.
*Meus lábios quentes a descer pelo teu pescoço;
*Minhas mãos em tuas costas
*Descendo devagar, dedilhando cada costela.
*Imagina só, pegando forte em tua cintura,
*Te levantando e pondo na cama.
Ei, acorda, Cibele.
Estava vasculhando uma pasta de coisas antigas e achei muitas coisas tuas. Diziam tantos sonhos que queria realizar comigo, tentavas comparar o amor que sentias por mim com o universo e muitas outras coisas grandiosas. Senti um sorrisinho escapar no canto da minha boca.
Carreguei a pasta até a sala, fui até a cozinha e peguei uma garrafa do meu melhor vinho. Sentei-me no chão mesmo e organizei as cartas em ordem cronológica. Beberiquei um pouco até começar a ler, e quando li a primeira, me sentia afogada em tanta nostalgia. Como pode, um amor tão lindo, acabar por tanta besteira? Sentia tua falta.
Tentei imaginar como teria sido se eu tivesse dito as palavras certas nas horas certas, se não tivesse feito tantas tempestades em copos d’água. Chorava muito. Levantei a cabeça e me pus onde eu realmente estava. Parei de chorar, até sorri de mim mesma. Recomecei a ler, mais rápido dessa vez. Sorria, até gargalhava agora.
Encostei-me no sofá, ainda com um sorriso bobo na boca. Puxei uma mecha do cabelo e enrolei-a, repeti esse gesto muitas vezes. Bateu uma saudade imensa do teu abraço quente. Senti vontade de te ligar, até peguei o celular e o pus mais perto de mim, mas pensei: “E se não me atender?” e fiquei preocupada. Fiz então um trato comigo mesma: Só te ligaria quando acabasse de beber o vinho desta garrafa (ainda bem que já estava na metade).
Não sabia se bebia devagar para não ficar embriagada, ou se virava a garrafa para ouvir logo a tua voz. E no meio de todo esse dilema, notei que faltavam somente alguns goles para terminar. Virei logo a garrafa na boca e tomei uns cinco à sete goles... Não me importei nem em por na taça.
Olhei, ainda desencorajada, para o celular. Fui deixar a garrafa vazia na cozinha. Quando levantei, senti o mundo inteiro girar, e sentei novamente. Contei até 10, bem devagar, e levantei lentamente.
Voltei até a sala, peguei o celular a fui até a letra ‘v’, passando nome por nome até chegar no teu. Respirei fundo, com os olhos fechados, disquei o teu número e pus no ouvido. Fechei o celular rápido e com força quando ouvi “O número chamado está fora de área ou não existe”. Tive vontade de apagar alí mesmo.
Estava com os olhos fechados, tentando me concentrar em algo que não fosse você. Até que sinto o celular vibrar ao meu lado, no assento negro do sofá. Estava chamando. Àquela hora não poderia ser ninguém do trabalho, muito menos nenhum dos meus “amigos”. Olhei. Fiquei extasiada ao ver teu nome escrito na tela. Caí em mim, peguei o celular rápido e atendi:
- Alô?
Fiquei tranqüila ao ouvir tua voz dizer:
- Meu amor? O que houve? Vi que ligaste pra mim...
Sorri, sentindo uma felicidade imensa dentro de mim. Sentia o coração bater acelerado e os seios arfarem pela respiração rápida.
Estavas preocupado comigo. Me chamaste de “meu amor”, ainda! Pedias mil desculpas por não ter conseguido atender...
Acordei dos meus pensamentos ao ouvir tua voz quase furiosa:
- Estás aí?
- Ei! – Falei calmamente – Estou com saudades...
Ouvir teu riso leve foi como música para os meus ouvidos.
- É, também sinto saudades de ti.
Sorri, sem emitir som.
- Estou por perto da tua casa, – Continuaste a dizer – Posso ir aí pra te ver?
Concordei com um “sim” silencioso, desliguei o celular e corri até o quarto; precisava trocar a roupa, lavar o rosto... Troquei e fui lavar o rosto na pia do banheiro. Ao levantar o rosto, tomei um susto ao te ver encostado à porta, refletido no espelho. Me virei, assustada, com o rosto pingando, estava descabelada ainda.
- Sabes que ficas extremamente irresistível com o cabelo assim? – Disseste me olhando.
Sorri vermelha, sem saber o que dizer. Virei para o espelho e enxuguei o rosto com uma toalha vermelha. Me viraste de volta pra ti e me abraçaste forte, com uma mão nas minhas costas e outra em minha nuca.
Sentia-me protegida e totalmente controlável. Soltava risinhos prazerosos involuntariamente. Puxei teu rosto com as duas mãos e beijei tua bochecha direita. Tu sorrias.
- Sabes que esta não é a vontade de nenhum dos dois.
Eu sorri, deixando meus lábios se abrirem enquanto ainda estavam encostados em teu rosto.
Seguraste meu rosto com uma das mãos e me beijaste ferozmente. Sentia tua vontade transbordar pela tua língua firme e pelos toques das tuas mãos passando sobre as minhas costas de baixo para cima, de cima para baixo, deixando-as, às vezes, “escorregar”. Eu segurava-te com força, apertando-o, como se tu foste sumir alí, do nada. Passava meus dedos entre teu cabelo, agora longo, segurando e puxando com força para trás.
Me suspendeste do chão e me levaste até a sala. Eu sorria por dentro, sabia que o controle que possuía sobre mim, tinha permanecido intacto! Me soltaste devagar no chão, e te sentaste no canto do sofá. Viste as cartas com tua própria letra espalhadas no chão. Pegaste-as e, soltando uma por uma, disseste:
- Quem diria, hein guria... Depois de quatro meses longe, cá estou eu, sentado em tua sala mais uma vez!
- Onde você estava, pra chegar tão rápido? – Eu perguntava, tentando mudar de assunto, encostada à parede com os braços cruzados.
- Na verdade, já estava na portaria, quando liguei de volta. Vim correndo quando soube que tentaste ligar.
Minhas mãos e testa suavam. Estava nervosa por ouvir aquilo tudo. Dizias também que sentias a necessidade de me proteger. Meus olhos brilhavam!
Passou um silêncio pela sala. Tu me olhavas “pensar”. Me olhavas de cima à baixo, sorrias, mordias os lábios... Eu fingia pensar; tentava me concentrar em algo, mas não conseguia, sentia-te me olhando.
- Essa vontade de ti está me matando, guria! Vem cá pra perto de mim, vem!
Corri para perto de você e pulei em teus braços. Sabia que as paredes, por mais uma vez, seriam testemunhas do nosso amor.
Beijava-te, insana! Começaste e percorrer meu rosto com a língua, descendo para o pescoço. Meus braços e pernas se arrepiavam por inteiro! Desceste até meu colo, lambendo-o e mordendo-o freneticamente. Já te sentindo dentro de mim, fazia movimentos sincronizados, lentos e rápidos. Perdia tua boca entre meus seios. Tu apertavas e guiavas meu quadril para fazer exatamente o que querias.
Eu gemia de dor, prazer e saudade. Sorria e mordia os lábios de alegria. Tu soltavas “ais” lentos e palavrões baixinhos... Nossa respiração estava ofegante, suávamos muito, fazíamos o ritmo acelerar.
Senti molhar. Você parou, gritou um “ai” silenciosamente ensurdecedor, com os olhos fechados e a respiração ainda ofegante.
Agarrada em teu pescoço, descansei. Tu me olhaste de lado, sorrindo. Beijou-me, levantou-se e sugeriu um banho. Concordei, contanto que me carregasse. Sorrindo, me levantaste do sofá e me levaste, dando beijinhos miúdos na ponta do meu nariz.
A água gelada caía em nossas peles quentes, fazendo arrepiar. Abraçados, embaixo do chuveiro, trocávamos beijos românticos. Acabamos; saímos e fomos ao quarto.
Deitamos, ainda sem as vestes, trocamos carícias com os olhos fechados. Você adormeceu. Fiquei a te olhar, pensando em toda a mágica que tinha acabado de acontecer.
Levantei, silenciosa, já ao clarear do dia, e vim escrever, pra sempre lembrar, quando estiver perdida na minha tempestade de nostalgia periódica. E, afinal, não sei quando estarás aqui outra vez.
-
Sentia meus olhos revirarem.
Mordia meus próprios lábios.
Sentia minhas mãos apertarem o nada.
Mexia as pernas constantemente;
Para cima, para baixo, para os lados...
Balançava o quadril.
Algo abaixo de mim balançava também
Num ritmo diferente do meu: mais rápido.
Abri os olhos, olhei para o lado.
E lá estava eu, sonhando outra vez.
Em meio a tantos ares que sopravam pra o lado oposto, tantos gostos e “quereres” similares e diferentes, apareceu em minha varanda um pássaro que fugiu d’uma gaiola que estava muito distante... Pousou na minha janela e se pôs a cantar. Todos os dias.
Gostei do seu canto, do seu ritmo e das suas cores... Guardei-o em mim; não preso, mas com liberdade total para ir embora quando bem quisesse. Permaneceu em minha casa, sob os meus domínios.
Te guardarei aqui, em mim, até quando não puder mais.
Te libertarei ao mundo, quando der a hora certa.
Depois de passar por tantas situações ruins, a única coisa que me veio em mente foi pegar o carro e correr pra bem longe. Beber. Sozinha.
Sentei ao canto direito, perto do banheiro feminino e do balcão.
Tinham muitos homens alí. Mas um, em especial, me chamou a atenção. Estava a falar com o garçom. Ele deveria ter uns 35 anos... Pálido, cabelo castanho claro com alguns feios grisalhos perdidos. Aparentava estar embriagado, mas falava tanto de uma mulher jovem, e com tanta firmeza, que estava concentrada nas suas palavras.
- Quer alguma coisa? – Disse uma mulher gorda, aparecendo na minha frente, interrompendo meus pensamentos.
- Não, não! Logo mais peço.
Dei um sorriso torto para a mulher e voltei a vista para o homem. Não consegui achá-lo mais; não estava mais a conversar com o garçom. Passei uma vista rápida pelo bar, mas não achei aquele rosto cansado e expressivo perdido em canto nenhum.
Fui até onde ele estava sentado.
- Ei! Onde está o homem que estava bodejando aqui? – Perguntei ao garçom.
- Foi ao banheiro, vomitar. – Falava calmo, enxugando dois copos de cachaça.
Sentei mais ao lado, para não ficar exatamente aonde ele estava.
Voltou, com uma das mãos na barriga, e a outra o apoiando por onde passava. Sentou-se, e como se eu estivesse ali há muito tempo, disse:
- Não te deixes amar, moça... Não te deixes amar!
Com certeza estava embriagado. Identifiquei logo aquele modo de falar... Aquele sotaque... Era gaúcho, também! Senti uma pontinha de antipatia pelo homem, depois um pouco de saudade precoce do meu gaúcho.
Eu sorri, para não parecer grossa.
- Concordo com o senhor. Amar só nos faz bem em certos momentos.
- Báh! Senhor não, senhor não! Tenho 38 anos... Mas sim, pequena, amar só é bom quando nos convém.
Criei uma simpatia extra rápida pelo homem. Eu sorri, meio sem graça. Concordei com ele balançando a cabeça. E antes que pudesse falar algo, ele veio me dizendo:
- Ah! Deixe-me contar-te minha história...
Não intervi; estava muito curiosa.
– Eu era feliz com aquela mulher, apesar de todos os homens que ela tinha. Pois já sabes, ela era da vida...
Eu vi uma pontinha de dor nos seus olhos a falar nisso. Se não tivesse tão interessada na história, e se ela não estivesse mantendo meus pensamentos tão longe do meu gaúcho, pediria para que parasse.
- Queria construir uma vida com ela. Filhos, casa, boa comida, tudo de melhor... Mas ela não se importava com os meus sentimentos, era egoísta demais. Pensava somente em si própria, nos seus bens materiais. Fodeu com a minha vida... Foi embora faz 2 meses com outro homem pros lados da Alemanha, e desde que ela me disse ‘Adeus’, eu venho aqui aconselhar os pobres jovens. Mas é, guria, não ames... Só vais machucar a si própria.
Me senti uma menina mimada ouvindo-o falar.
- Mas e o que acontece, se eu vos disser que já amo, e estou por um fio? – Perguntei, séria.
- Não deixe esse amor ir embora. Faça o impossível! – Disse o homem com um sorriso no rosto e um brilho estranho nos olhos.
Abri um sorriso largo, com os olhos cheios de lágrimas. Dei um beijo na testa do homem. Ele não entendeu.
- Obrigada pelo conselho, era tudo que eu precisava: incentivo! Vou correndo atrás do meu amor! – Disse já me afastando dele.
Seus olhos tinham um brilho intenso, agora. Sorria, acenando para mim.
- Vai, guria, vai! Boa sorte!
Saí correndo do bar, sorrindo, deixando várias lágrimas no caminho. Chovia muito. Entrei no carro, disquei o número do gaúcho.
- Estás em casa?
- Sim, estou. – Com a voz cansada que eu tanto gosto. – Por quê?
- Estou passando aí. – Falei desligando o celular.
Liguei o carro, acelerei e fui pro apartamento pequeno que não era muito distante do meu.
Pensava em como chegaria a sua casa, como o abraçaria, o que faria ao vê-lo... Pensava na barba roçando no meu pescoço, me causando arrepios, e realmente me arrepiava naquele momento. Pensei no homem do bar, o qual eu não sabia sequer o nome, e no conselho que ele me dera. Passei três sinais vermelhos.
Cheguei à portaria e pedi para que não fosse anunciada. Subi pelas escadas, não pensava na possibilidade de esperar elevador: demoraria muito! Talvez tudo que precisava, fossem somente umas palavras... Não queria mais pensar nisso.
Cheguei à porta branca do sétimo andar, toquei a campainha. Passei uma vista rápida ao lado esquerdo, me vi refletida no espelho. Calça jeans, botas pretas de salto alto, camiseta básica com um casaco verde-lôdo com capuz caído. Bolsa na mão direita, cabelos assanhados, maquiagem forte. Estava suando.
Ele abriu a porta, finalmente. Estava ainda com a calça jeans azul escura, folgada e a camiseta branca e larga. Cabelo um pouco molhado, também assanhado. Estava lindo!
- Mas o que fazes aqui, depois de toda discussão?
- Não quero que aceites essa proposta de emprego. Não me vejo longe de ti. – Pulei em seus braços, soltando a bolsa. – Fica, por favor!
Ele me empurrou para longe do seu corpo. Seu rosto tinha uma expressão confusa...
- Guria, não posso. É a minha vida.
Não consegui evitar a queda de duas lágrimas, uma em cada lado. Caíam escurecidas, pela tinta dos meus olhos. Ele me olhou, sentindo-se culpado; me abraçou. As lágrimas, agora, caíam de lote.
- Vê se entende: é uma chance única. Não posso desperdiçar... – Separando-me dele, novamente.
Acho que perdi a consciência nessa hora: o bati no rosto. Fiquei assustada, parada, sem reação. Segurou meus punhos forte e me balançando, gritou:
- Estás louca?
Estava chorando, desesperada.
- Não vê que não podes fazer isso comigo? Eu amo você, quero muito continuar te fazendo mais feliz que sempre foste... Superando o sentimento a cada dia! – Passando as mãos no meu rosto com força, ficando suja da tinta.
Me soltou e foi para longe. Andava de um lado para o outro, pondo as mãos na cabeça e jogando-as com força contra as próprias pernas. Eu o olhava, soluçando. Avistei a mala, quase pronta. Abaixei a cabeça, chorei mais.
- Me desculpa... Mas preciso fazer isso, guria... Vê se entende... – Murmurava devagar, com a cabeça baixa, encostado na varanda.
O olhei, longe; parei de soluçar. Levantei lenta e silenciosamente. Já de pé, com o rosto sujo de tinta preta, falei, olhando para o chão:
- Acho que não posso fazer mais nada por nós dois.
Saí, silenciosa.
