Um traço de sorriso apareceu nos lábios de Angelina.
- Você conhece a organização humanitária Médicos Sem-fronteira? - ela parecia disposta a me explicar caso eu respondesse não.
- Sim, conheço.
- Bom, dentro de uma mês um grupo aqui do Brasil vai partir para Moçambique para dar apoio as vítimas da guerra civil. Eu estarei nesse grupo e por isso vim convidar você. É uma missão de seis meses. Esse ano ainda vocês estará de volta ao Brasil caso não queria ficar por mais tempo.
- Angelina, você está me chamando para ir numa guerra?
A ideia não me parecia nem um pouco agradável.
- Estou te chamando, Pedro, para um lugar onde a medicina que você aprendeu é necessária, e onde o juramento que fez é justo e verdadeiro. - ela falara num tom levemente agressivo.
- Vamos ver. Eu deixo o Brasil, fico no meio de um guerra, arrisco minha vida, cuido da dos outros com material e estrutura limitados...
- Sim, vai ser exatamente assim. E pelo que vejo você não está simpático a nada disso. Tudo bem, eu disse que a escolha era sua. - levantou-se. Lançou um sorriso azedo pra mim na tentativa de disfarçar o sabor da missão não cumprida. - Eu acho que já vou indo. Obrigado por me receber.
- Angelina - ela já chegava na porta. - Eu vou!
- Vai? - surpreendeu-se
"Vai?"
-Sim, eu vou. Eu talvez realmente não esteja muito bem. Você disse que eu poderia ver isso como uma forma de recomeçar...se for assim, eu aceito seu convite.
Angelina me retribuiu com um sorriso largo e sincero.
- Fico muito feliz. Feliz mesmo. Amanhã passo aqui para te entregar o termo de compromisso e uma lista com alguns documentos que você deve entregar na sede da organização.
- Certo. Perfeito. - balancei a cabeça - Te esperarei amanhã. - sorri.
Angelina ia passando pela porta quando fez o adendo.
- Pedro, eu te aconselho a parar de beber e limpar o apartamento. Alguns vizinhos já comentaram com o porteiro sobre o cheiro que vem daqui.
Eu ri, ruborizado pelo constrangimento.
- Limparei sim.
- Ok! - Angelina me deu um sorriso simpático - Até amanhã, Pedro. Tchau.
- Até amanhã. Tchau.
Não esperei para vê-la entrar no elevador.
Tranquei a porta do apartamento.
- É hora que começar a organizar minha vida. - disse à mim mesmo.
Virei e deparei com a sala repleta de lixo.
"Se é para organizar a vida, a sala é um bom começo"
Eu ri.
- Então vamos lá!
Por HB.
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