domingo, 22 de junho de 2014

A Viola

Cheguei perturbado.
Precisava de alívio fácil
até banal
que não chamasse
meu nome no fim.

Vi minha viola
velha empoeirada.
Largada sozinha
tímida a me olhar.

Nos abraçamos
meus braços em suas curvas
uma carícia, um sorriso
começamos a amar.

Meus dedos a tocavam
como da primeira vez.
Seus sons já conhecidos
me pareceram tão novos.

E tocamos
E amamos.
E cansamos juntos.

Ela desafinou
eu sorri satisfeito
houve um breve acorde
a última nota.

Agradeci por tudo.
Guardei-a no final
sabendo que ela desejava
lá do canto dela
que eu tivesse outro dia ruim
e voltasse a procurá-la.


Por HB.

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