Estava vasculhando uma pasta de coisas antigas e achei muitas coisas tuas. Diziam tantos sonhos que queria realizar comigo, tentavas comparar o amor que sentias por mim com o universo e muitas outras coisas grandiosas. Senti um sorrisinho escapar no canto da minha boca.
Carreguei a pasta até a sala, fui até a cozinha e peguei uma garrafa do meu melhor vinho. Sentei-me no chão mesmo e organizei as cartas em ordem cronológica. Beberiquei um pouco até começar a ler, e quando li a primeira, me sentia afogada em tanta nostalgia. Como pode, um amor tão lindo, acabar por tanta besteira? Sentia tua falta.
Tentei imaginar como teria sido se eu tivesse dito as palavras certas nas horas certas, se não tivesse feito tantas tempestades em copos d’água. Chorava muito. Levantei a cabeça e me pus onde eu realmente estava. Parei de chorar, até sorri de mim mesma. Recomecei a ler, mais rápido dessa vez. Sorria, até gargalhava agora.
Encostei-me no sofá, ainda com um sorriso bobo na boca. Puxei uma mecha do cabelo e enrolei-a, repeti esse gesto muitas vezes. Bateu uma saudade imensa do teu abraço quente. Senti vontade de te ligar, até peguei o celular e o pus mais perto de mim, mas pensei: “E se não me atender?” e fiquei preocupada. Fiz então um trato comigo mesma: Só te ligaria quando acabasse de beber o vinho desta garrafa (ainda bem que já estava na metade).
Não sabia se bebia devagar para não ficar embriagada, ou se virava a garrafa para ouvir logo a tua voz. E no meio de todo esse dilema, notei que faltavam somente alguns goles para terminar. Virei logo a garrafa na boca e tomei uns cinco à sete goles... Não me importei nem em por na taça.
Olhei, ainda desencorajada, para o celular. Fui deixar a garrafa vazia na cozinha. Quando levantei, senti o mundo inteiro girar, e sentei novamente. Contei até 10, bem devagar, e levantei lentamente.
Voltei até a sala, peguei o celular a fui até a letra ‘v’, passando nome por nome até chegar no teu. Respirei fundo, com os olhos fechados, disquei o teu número e pus no ouvido. Fechei o celular rápido e com força quando ouvi “O número chamado está fora de área ou não existe”. Tive vontade de apagar alí mesmo.
Estava com os olhos fechados, tentando me concentrar em algo que não fosse você. Até que sinto o celular vibrar ao meu lado, no assento negro do sofá. Estava chamando. Àquela hora não poderia ser ninguém do trabalho, muito menos nenhum dos meus “amigos”. Olhei. Fiquei extasiada ao ver teu nome escrito na tela. Caí em mim, peguei o celular rápido e atendi:
- Alô?
Fiquei tranqüila ao ouvir tua voz dizer:
- Meu amor? O que houve? Vi que ligaste pra mim...
Sorri, sentindo uma felicidade imensa dentro de mim. Sentia o coração bater acelerado e os seios arfarem pela respiração rápida.
Estavas preocupado comigo. Me chamaste de “meu amor”, ainda! Pedias mil desculpas por não ter conseguido atender...
Acordei dos meus pensamentos ao ouvir tua voz quase furiosa:
- Estás aí?
- Ei! – Falei calmamente – Estou com saudades...
Ouvir teu riso leve foi como música para os meus ouvidos.
- É, também sinto saudades de ti.
Sorri, sem emitir som.
- Estou por perto da tua casa, – Continuaste a dizer – Posso ir aí pra te ver?
Concordei com um “sim” silencioso, desliguei o celular e corri até o quarto; precisava trocar a roupa, lavar o rosto... Troquei e fui lavar o rosto na pia do banheiro. Ao levantar o rosto, tomei um susto ao te ver encostado à porta, refletido no espelho. Me virei, assustada, com o rosto pingando, estava descabelada ainda.
- Sabes que ficas extremamente irresistível com o cabelo assim? – Disseste me olhando.
Sorri vermelha, sem saber o que dizer. Virei para o espelho e enxuguei o rosto com uma toalha vermelha. Me viraste de volta pra ti e me abraçaste forte, com uma mão nas minhas costas e outra em minha nuca.
Sentia-me protegida e totalmente controlável. Soltava risinhos prazerosos involuntariamente. Puxei teu rosto com as duas mãos e beijei tua bochecha direita. Tu sorrias.
- Sabes que esta não é a vontade de nenhum dos dois.
Eu sorri, deixando meus lábios se abrirem enquanto ainda estavam encostados em teu rosto.
Seguraste meu rosto com uma das mãos e me beijaste ferozmente. Sentia tua vontade transbordar pela tua língua firme e pelos toques das tuas mãos passando sobre as minhas costas de baixo para cima, de cima para baixo, deixando-as, às vezes, “escorregar”. Eu segurava-te com força, apertando-o, como se tu foste sumir alí, do nada. Passava meus dedos entre teu cabelo, agora longo, segurando e puxando com força para trás.
Me suspendeste do chão e me levaste até a sala. Eu sorria por dentro, sabia que o controle que possuía sobre mim, tinha permanecido intacto! Me soltaste devagar no chão, e te sentaste no canto do sofá. Viste as cartas com tua própria letra espalhadas no chão. Pegaste-as e, soltando uma por uma, disseste:
- Quem diria, hein guria... Depois de quatro meses longe, cá estou eu, sentado em tua sala mais uma vez!
- Onde você estava, pra chegar tão rápido? – Eu perguntava, tentando mudar de assunto, encostada à parede com os braços cruzados.
- Na verdade, já estava na portaria, quando liguei de volta. Vim correndo quando soube que tentaste ligar.
Minhas mãos e testa suavam. Estava nervosa por ouvir aquilo tudo. Dizias também que sentias a necessidade de me proteger. Meus olhos brilhavam!
Passou um silêncio pela sala. Tu me olhavas “pensar”. Me olhavas de cima à baixo, sorrias, mordias os lábios... Eu fingia pensar; tentava me concentrar em algo, mas não conseguia, sentia-te me olhando.
- Essa vontade de ti está me matando, guria! Vem cá pra perto de mim, vem!
Corri para perto de você e pulei em teus braços. Sabia que as paredes, por mais uma vez, seriam testemunhas do nosso amor.
Beijava-te, insana! Começaste e percorrer meu rosto com a língua, descendo para o pescoço. Meus braços e pernas se arrepiavam por inteiro! Desceste até meu colo, lambendo-o e mordendo-o freneticamente. Já te sentindo dentro de mim, fazia movimentos sincronizados, lentos e rápidos. Perdia tua boca entre meus seios. Tu apertavas e guiavas meu quadril para fazer exatamente o que querias.
Eu gemia de dor, prazer e saudade. Sorria e mordia os lábios de alegria. Tu soltavas “ais” lentos e palavrões baixinhos... Nossa respiração estava ofegante, suávamos muito, fazíamos o ritmo acelerar.
Senti molhar. Você parou, gritou um “ai” silenciosamente ensurdecedor, com os olhos fechados e a respiração ainda ofegante.
Agarrada em teu pescoço, descansei. Tu me olhaste de lado, sorrindo. Beijou-me, levantou-se e sugeriu um banho. Concordei, contanto que me carregasse. Sorrindo, me levantaste do sofá e me levaste, dando beijinhos miúdos na ponta do meu nariz.
A água gelada caía em nossas peles quentes, fazendo arrepiar. Abraçados, embaixo do chuveiro, trocávamos beijos românticos. Acabamos; saímos e fomos ao quarto.
Deitamos, ainda sem as vestes, trocamos carícias com os olhos fechados. Você adormeceu. Fiquei a te olhar, pensando em toda a mágica que tinha acabado de acontecer.
Levantei, silenciosa, já ao clarear do dia, e vim escrever, pra sempre lembrar, quando estiver perdida na minha tempestade de nostalgia periódica. E, afinal, não sei quando estarás aqui outra vez.
-
1 loucos comentaram:
Ficçao??? Será??? HAHAHAHAHAAHAHA.
Postar um comentário
Can you comment !