sexta-feira, 31 de maio de 2013

Like a movie.

Eram  mais ou menos 20h. Saí de casa até o bar para encontrá-lo. Chegando lá, ele estava bem em frente, com o som do carro estrondando. Eu vestia uma calça jeans, bota, casaco e touca pretos, mais a boca vermelha do batom.
Pedi para que ele se aproximasse de mim, e ele demorou a fazer isso. Quando o fez, percebi o hálito: tinha bebido! Pedi-lhe cigarros, pois os meus tinham acabado. Os dele também. Adentramos o carro e saímos para o lugar mais próximo; nenhuma palavra foi mencionada.
Chegando no lugar, pediu-me o dinheiro para a compra, e eu não tinha. Ele disse que não pagaria, que eu deveria ter dinheiro pelo menos para isso. Daí começou uma discussão sem fim sobre deveres e obrigações. Ele me disse coisas horríveis, gritou comigo várias vezes. Eu, sabendo da condição dele, permaneci com o tom baixo e pedindo a todo momento para voltarmos pra casa.
Quando ele finalmente decidiu partir, arrancou com o carro na mais alta velocidade que conseguiu, me assustando.

Chegando em casa, permaneceu calado. Nem um 'ai' sequer saiu da boca dele. Eu estava no quarto, esperando por ele. Ele comeu e decidiu deitar-se. Estendi-lhe a mão, e ele negou-se a pegar. Fiz gestos com a mão ainda estendida o chamando, e ele a pegou. O puxei para um abraço, perguntei se ele estava melhor, se precisava de ajuda ou até de mimo, e ele negou. Falei então que não queria sair de perto dele nunca, que queria sempre cuidar dele. Ele me abraçou forte, e chorou.
É incrível para um homem, ainda mais provido do orgulho que o meu tem, chorar. E ele chorou, simplesmente chorou, deixando as lagrimas a minha vista. De repente, enxugou-as depressa e sentou-se na cama, ainda sem pronunciar nada.

Ofereci-me para deitar com ele, dar-lhe mimo até que dormisse, e ele negou novamente.
Somente deitou e dormiu. Dormiu um sono profundo.
No meio da madrugada, abraçou-me, segurou minha mão diversas vezes, cobriu-me...

Apesar de continuar dizendo que não retira o que foi dito naquele dia, prefiro pensar que foi coisa de bêbado. Que já tinha chegado num extremo, e desabou.
Estou com ele hoje, e vou estar até quando puder, pois eu não me imagino sem ele. Eu deixo de existir no mesmo momento que nós deixarmos de existir.

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