Estava sentada nas escadinhas da entrada da minha casinha com meu casaco roxo. Estava bastante frio. Tinha um cigarro na mão e uma caneca de café quente do lado. A neblina estava bastante forte.
As montanhas estavam quase invisíveis, a grama molhada... E eu, pensando na vida.
Ele chegou por trás, me abraçou e sentou ao meu lado.
- O que houve, pequena?
- Nada demais, só pensando no quanto nossa vida mudou.
- Ah, elas só tomaram rumos diferentes... Você tem sua família, eu tenho meus estudos.
- É, mas você lembra de quando imaginávamos que isso aqui seria todo nosso e só nosso? Nossas montanhas, nossa grama, nossa cabana...
Ele calou-se.
Olhei bem para o rosto dele. O mesmo rosto, os mesmos óculos, o mesmo sorriso largo. A expressão era diferente.
Quando eramos nossos, e só nossos, os seus olhos diziam a todo momento que me queriam. Que queriam me ver deitada nua na nossa cama, que queriam me ver tomando banho, que queria me ver dele. Nesse momento em que o olhava, seus olhos eram enigmáticos. Que me queriam, mas que não me queriam. Que me viam, mas que não me viam.
Imaginei que seus óculos estavam embaçados. "Será que não estou nítida o suficiente?". Eu estava clara, meus olhos diziam o que eu queria. Mesmo que não pudesse, queria pelo menos por uma vez...
- Ei, se perdeu nos pensamentos?
- Hã? Que nada... Pode trazer mais café pra mim?
- Hum... Tá certo.
Entreguei a caneca branca na mão dele. Ele deu as costas, subindo dois dos pequenos degraus da entrada e adentrou a porta de madeira.
Me perdi em pensamentos por mais uma vez. Porque imagino dessas coisas?
sábado, 5 de outubro de 2013
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