sábado, 29 de junho de 2013

Somando ex-amores.

Acordo triste por ter sonhado, mais um vez, com um ex-amor.
Triste porque meu ex-amor agora é o amor de outro.
Ando por aí, meio perdido, seguindo pé ante pé.
Quando escuto a risada, logo a minha frente, que me lembra um ex-amor.
E todas as vezes que fiz esse ex-amor rir me vem à mente, mas agora não me dão mais nenhuma alegria.
Os fones me ouvido me salvam dos risos.
O trash metal faz meu cérebro querer explodir, mas é minha saída para não me implodir nas memórias.
Me distrai.
Vejo um casal de mãos dadas, e lembro daquele ex-amor, a mais complicada. A que soltava minha mão quando ficava com raiva. A que andava na frente só para fazer com que eu corresse para acompanhá-la.
Pensando bem, hoje eu não correria mais. Deixaria ir embora.
Entre uma Heineken e outra, oscilo meus pensamentos conturbados. Vou de feliz a triste num gole!
Faço uma soma de todos meus ex-amores. Das lembranças que existiram e das que eu inventei por prazer.
O resultado dessa equação ainda leva variáveis de razão e emoção. Afinal, quem nunca tentou ver uma mesma situação por esse dois lados, não sabe a verdade sobre amar.
E quando já conto meia dúzia de garrafas vazias, solto um riso embriagado.
Por que não há equação, nem soma de ex-amores, nem verdade entendida que me impeça de causar ou sofrer com as dores, os efeitos colaterais, desse jogo de amar.


Por HB
quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sumi!

Prefiro crer que o mundo todo é do jeito do meu mundo.
Peço perdão pela tontura e tremedeira que dominam meu corpo neste momento, mas sinto que é assim que deve ser.
Meu dinheiro é meu, meus direitos (apesar de poucos) são meus.
Peço perdão pelas palavras sem sentido aqui, mas não sei o que escrever. Tenho poucos amigos e muita vontade de tê-los.

Ah, me deixa, vai.

Piada da madrugada!

Se o derivado da vaca é o leite, e o derivado do leite é o queijo. Então se eu integrar o queijo duas vezes eu obtenho uma vaca??
Engenheiros entenderão!!

(HB, sua piada é tão ruim que me deu câncer!)

Por HB
domingo, 23 de junho de 2013

3 vezes vinho + papel e caneta =



Nunca sei o que posso fazer
Para curar os vários vestígios
De você que ficaram dentro do
Meu peito.



Mas sei que você não tem
Culpa da morte da minha alma
Simplesmente porque antes de você 
Eu nunca tive uma, e quando
Você se foi, o nada se desintegrou.



É muito ruim tentar levantar
Quando minhas pernas e braços
Estão quebrados. 
Eu posso suportar todas as dores
Mas esta sua indecisão está
Acabando com meu último sopro
De vida, porque não paro de esperar
O dia que você vai se decidir. 



E espero que seja logo e que quando
Chegar a hora de escolher o melhor.
Escolha a mim, porque a cada manhã
Sinto esse sonho mais distante da realidade.


Por HB

quinta-feira, 13 de junho de 2013

[~]

A gente se satisfaz com pouco.
Muito pouco.

Mas gente, que vontade hein?
quarta-feira, 12 de junho de 2013

Para o dia dos namorados: Vertigem

Deitados na cama, luz do quarto apagada, mas a porta aberta deixava passar a luminosidade da sala.
Os cabelos escuros no meu rosto. Sentia aquele cheiro com prazer.
Mas havia algo de diferente nela.
Estava fria.
Tão quieta. Tão perdida em pensamentos.
Mesmo por trás eu percebia seu rosto sério. Isso tinha me incomodado a noite inteira.
De súbito ela se coloca sentada.
- Tenho que ir. - anunciou
- Ainda é cedo. Fique um pouco mais. - pedi.
- Não. Minha mãe logo ligará. Acho melhor ir logo.
Me apoiei em um braço e encoste a testa nas suas costas.
- Eu vou te levar em casa.- falei.
- Não precisa. - ela cortou de imediato.
- Tá bom! Agora foi o limite! O que está havendo?- perguntei um pouco irritado
Sua expressão séria tornou-se triste.
- Acho melhor a gente dar um tempo. - sibilou quase sem mover os lábios. O olhar perdido num quanto qualquer.
Aquilo me pegou de surpresa. Foi um golpe baixo. Uma punhalada!
Boquiaberto tentei extrair qualquer informação do rosto dela. Nunca o vi tão inexpressivo!
- Mas porquê? Por que isso agora?
Silêncio.
Recuei e me escorei na cabeceira da cama. Mãos na cabeça., buscando apoio.
- Você tá com alguém? - perguntei já convencido da resposta
- Não!
- Você está interessada em alguém?
- Não!
- Tem certeza? - pressionei
- Tenho.
Levantei da cama.
Vamos, eu te levo em casa e a gente conversa melhor lá.
O caminho até a casa dela foi preenchido com o som da noite. Alguns grilos, o coaxar de um sapo...
Passamos pelo portão e ficamos na parte interna, frente ao portão da garagem.
- Me explica melhor o que está acontecendo, por favor. - Pedi. Sabia que até a minha voz tremia.
- Eu só quero dar uma tempo.
Ela olhava pra o chão. Eu lutava pra continuar respirando.
- Sem motivo nenhum?
Confirmou com a cabeça.
- Se é assim que você quer, eu vou respeitar. - nos olhamos por poucos segundos - Vem cá me dar uma abraço.
Mesmo depois de duas dezenas de meses juntos eu abracei aquele lindo corpinho magro com todo o amor que eu tinha. Afaguei seu cabelo escuro e senti o cheiro que talvez nunca mais voltasse a sentir. Beijei a testa com algumas espinhas, e fitei os olhos que agora me diziam tanta coisa.
- Tchau. - falei.
Dei as costas e saí pelo portão principal. Sete passos depois eu olhei para trás esperando vê-la me observar partir. O portão já estava fechado, e nunca mais a vi.



Por HB
sábado, 8 de junho de 2013

Previsão para o dia dos namorados?

- Ei magrela, vem logo! - chamei  ela do colchão no chão da sala.
- Pode esperar não?! - irritou-se da cozinha.
Eu gostava de irritá-la. Só pelo prazer de ouvi-la falar mais alto.
Ela volta com a tigela com cereal e leite, olhando para o chão, tentando não pisar no controle do videogame.
- Cuidado pra não derramar de novo. - avisei.
- Vai, pega. - e me passou o lanche.
Ela buscou pelo controle por entre os lençóis.
- Vamos lá. - sibilou antes de tirar do pause.
- Segue em frente , vai sair uma zumbi daquela casinha. Atira na cabeça dele. - Dei a dica.
Quinze tiros depois o pobre zumbi cai morto (de novo).
- Poxa amor, eu disse que era pra atirar na cabeça.
- Mas eu não consigo!
- Peraê, dá pause. - falei deixando minha tigela quase vazia de lado. - Passa o controle pra cá.
Peguei-o e coloquei ao lado da tigela.
- Me beije.
Ela franziu a testa.
- Sério, me beije.
Ela me deu um beijinho rápido.
- Não, não. Tem que ser com entusiasmo.
Ela me beijou com um pouco mais de calma. Senti o entusiasmo.
- Agora me diga: Em quê isso vai me ajudar a atirar melhor? - ela perguntou
Abri um sorriso enorme.
- Em nada. Tu joga muito ruim mesmo. É melhor a gente ficar namorando.
Ela perdeu-se numa risada.
- Safado!
Pulei pra cima dela como um leão.
Ela ria enquanto eu beija e mordia seu pescoço.
- Ei! - sussurrou
Interrompi minha seção de beijos e olhei bem nos olhos. Com as testas juntas.
- Oi.
Ela me sorriu envergonhada.
- Você é o cara mais incrível que eu conheço.
- Por que eu te dou dicas de videogame? - brinquei
- Não, seu bobo. Porque... sei lá. Mas você me faz sentir como nenhum outro cara fez.
Fiquei envergonhado.
- Não sei o que dizer. Você sabe que não sou bom nessas coisas.
- Não precisa dizer nada. Eu já sei.
Fiquei grato por ele me conhecer tão bem.
- Eu amo você. - sussurrei.
Ela deu um risinho.
- Esse é o meu namorado... - beijou-me - ... doce, mas objetivo.
E rimos juntos.
Deslizei para o lado. Apoiei um travesseiro atrás da cabeça. Ela usou meu peito como travesseiro.
- Acho que eu estou pronta...
Não perguntei pelo quê, isso era óbvio.
Passei meu braço por suas costas até a nuca.
- Tem certeza? Não quero te forçar a nada, você sabe.
Demorou dois segundos para responder.
- Tenho. Se é pra acontecer, que seja com o cara que eu amo.
Tornamos a nos beijar de novo, e a excitação tomou conta de nós dois.




Por HB

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Conto bobo aleatório (passando o tempo)

Era noite, estava quente.
Ela saiu de casa com um short jeans curto, camiseta branca e casaquinho preto, só por charme, e um chapéu. Os lábios ardiam num vermelho quente, mas não tanto quando aquela noite.
Saiu só, sem planos, sem destino, sem pensar.
Pegou o primeiro ônibus que passou, que se destinava, por coincidência, aos 'points' da cidade.

Desceu no primeiro lugar em que viu muitas pessoas juntas: um posto de gasolina.
Comprou uma longneck de uma cerveja qualquer. Encostou-se num lugar qualquer e olhava para um qualquer que passasse.
Logo fez uma careta. "Ah, aqui está monótono!"
Saiu andando sempre em frente.

Parou em frente a uma boate. Homens se beijavam, mulheres se beijavam. Era comum, porém estranho estar vendo aquilo. Fez outra careta e saiu.
Parou novamente, dessa vez num bar. Não estava com muita gente, nem era um 'puta bar', era pequeno, com aparência suja... Mas estava cansada, e era um bar.
Logo comprou mais cerveja e encostou-se num banco do lado de fora.
Estava pensando no quanto era idiota de sair sem rumo, pensava em voltar para casa e dormir, como a maioria das pessoas estavam fazendo.
Passou um grupo de homens. Grandes, fortes, bem vestidos... Logo dois deles começaram a soltar elogios dos mais sacanas.
Ela logo injuriou-se, pensou em responder, mas permaneceu calada.
Um dos rapazes pediu para que os outros parassem. E ela viu. Encheu os olhos com a atitude dele. Ele era, por sinal, o que se destacava, so que ao contrário. Era mais magrinho, tinha barba grande.
Inconsciente, sorriu, e foi retribuída logo após. Ficou envergonhada, sentiu-se tola.
O rapaz que não tirou os olhos da garota, logo se aproximou.

- Oi, boa noite.
- Boa noite -
sorrindo.

- Então... Desculpa pelos meus amigos, já beberam um pouco...
- Ah, que nada... Acontece.

- É, com você deve acontecer constantemente. Você é muito bonita.
Ela corou, respondeu meio sem jeito:
- Obrigada. Mas deve acontecer pelas roupas que visto... Meio curtas.

- Ah, mas você tem um corpo bonito, e é magra, deve usar roupas assim mesmo.
- Ué, e você sabe como as mulheres tem que se vestir? - querendo descontrair e mudar de assunto.
Ele riu.
- Não exatamente... 
Calaram-se.
O silêncio permaneceu por um tempo.
- Então, é... Como você se chama?
- Paola. E você?

- Me chamo Guilherme. Desculpa perguntar, mas você está sozinha?
- Sim, sim.
- Desculpa de novo, mas porque? Onde está seu namorado?Os amigos dele, que estavam perto o suficiente para ouvi-lo, logo começaram a brincar com ele.
- Se importa em sair daqui? Meus amigos estão me deixando sem jeito... - disse ele meio estressado.
Ela riu e concordou. Andaram até um banco pouco distante, calados.
- Então Paola, onde está seu namorado?
- Está em casa -
falou duvidando das próprias palavras.

- Em casa? Vocês brigaram?
- Não. Ele deve estar tomando leite e comendo ração agora mesmo - e riu.
Ele ficou meio confuso.
- Ração?
- É, se meu gato contar como namorado... É a única companhia que eu tenho constantemente.

- Ah, sim, um gato - respondeu super envergonhado.
- Desculpa pela brincadeira, Gui. Posso te chamar assim né?
- Pode sim. Só meus pais me chamam assim, mas tudo bem.

- Então, Gui. Se importa em voltarmos no bar? Minha cerveja acabou.
- Se quiser eu posso ir... Você sabe, meus amigos estão por lá.
Ela concordou. Ele foi buscar a cerveja cheio de boa vontade, cheio de vida.
Os amigos gritaram com ele, brincando. Ele passou sem sequer olhar.
Quando voltou, ela perguntou quanto custou, já abrindo a bolsa que carregava. Ele se negou, disse que não era nada pagar uma cerveja a ela. Ela concordou, meio sem jeito, mas concordou.
- Gui, já percebi que você não tem namorada... O que faz da vida?
- Bem observado - sorrindo - Estou estudando biologia, e você?
- Estou terminando o curso de publicidade, faço estágio.

- Desculpa pela milésima vez, mas qual tua idade?
- Tenho 24.
- Nossa, minha idade. Mora com os pais, só com o gato, amigas...?
- Moro só com o gato mesmo.
- Que legal. Eu moro com meus pais... Sabe como é, né? - rindo.

A conversa rolou solta, cada um querendo saber mais do outro, querendo conhecer os jeitos. Riram bastante, se tocaram, ficaram sem jeito inúmeras vezes.

- Pois é, Gui, preciso ir pra casa.
- Mas já? Amanhã é sábado!
- É... Mas trabalhei hoje e estou com sono. Saí pensando que ia ser como das outras vezes: beber, não encontrar ninguém legal e voltar. Se soubesse que conheceria você, teria me preparado.
Ele riu.
- Então tudo bem...
- Me acompanha até a parada de ônibus?
- Você vai de ônibus? Jamais! Acompanho você até meu carro, pode ser?
Ela ficou boquiaberta, não sabia se aceitava ou negava. Mas o ônibus demoraria bastante pela hora. Pensou bastante até responder.
- Então tá!
- Só preciso passar nos meus amigos para dizer que estou indo mais cedo... Tudo bem pra você?Ela fez uma meia careta, mas foi.
Chegando próximo aos amigos, ele atravessou o braço nas costas dela, apoiando a mão na cintura. Ela ficou sem jeito, mas deixou. Os amigos ficaram parados, não brincaram, não disseram nada, apenas concordaram com a ida antecipada.
Direcionaram-se ao carro. Era um modelo popular, prata.

Ele abriu a porta do passageiro para ela, que sorrindo, adentrou e sentou-se.
Ele arrodeou e entrou. 
- Então, onde você mora?
- É fácil de chegar! - explicou onde era e o melhor caminho para chegar até lá.
Ele ligou o carro e deu partida. No primeiro sinal, ligou o som. Uma música calma, daquelas bem gostosas de se ouvir.
Ela o olhava o tempo todo. Sorria. E ele nem notava, estava concentrado, olhando para a frente.

Chegaram. Ele para o carro bem em frente do edifício.
- Pronto, garota, está entregue! - sorrindo.
- Obrigada - abrindo a porta para descer.
Voltou um meio caminho, abaixou-se na janela.
- Não vai descer? - sorriu docemente.
Ele ficou sem saber o que fazer, extasiado com o convite que acabara de receber.
- É só estacionar ali na frente... Ninguém mexe, pode ficar tranquilo.
Ele imediatamente pôs o carro no lugar indicado. Saiu pondo a chave num bolso e tirando o celular de outro.
Ela, ainda meio distante dele, fala:
- Papai e mamãe não reclamam por você chegar um pouco mais tarde, né? No caso, um pouco cedo demais. - gargalhou.

- Não não... Só fui botar o celular no modo silencioso.
Ela calou-se, assustada com a resposta.
Entraram no elevador calados. Ela aperta o botão "8" e posiciona-se.
Ele, poucos segundos depois, apoia a cabeça no ombro esquerdo dela, fechando os olhos.
Ela permanece imóvel, sem saber o que fazer a partir dali.
O elevador chega no andar, ela vai na frente até o apartamento número 802.
Adentram o pequeno apartamento que é basicamente todo branco, se não fossem o sofá e o arranjo da mesa vermelhos. O gato, também branco, começa a passar entre as pernas dela.
Ela tira o chapéu, casaco e bolsa, jogando-os no sofá.
Ele, meio envergonhado, fica ainda na entrada, agachado e brincando com o gato.
- Ah, Gui, me poupe né? Sinta-se em casa! - andando em direção a cozinha americana.
Ele a segue.
Ela abre a geladeira, dá uma pequena olhada.
- Então, suco, refrigerante, café, ou somente água?
Na demora pela resposta...
- Tem vinho também... Mas notei que você não toma bebida alcoólica.
- Em ocasiões especiais, porque não? - sorrindo.
Ela ficou surpresa, e com um risinho no canto da boca, pegou o vinho.
Serviu em duas taças altas. Brindaram antes do primeiro gole.

Bebericaram por toda madrugada, mantendo a conversa sempre nas curiosidades e no quanto a vida de um era melhor que a vida do outro.
No fim da madrugada estavam um pouco embriagados, com os olhos pesando.
- É agora que dormimos abraçados? - pergunta ele.
- Acho que sim...
Ela encostou-se no peito dele, que estava deitado no sofá.
- Bom dia, Guilherme. - dando um pequeno beijo no queixo dele.
Fecharam os olhos instantaneamente. Dormiram.

O celular dele vibra por volta das 12h. Ele acorda, pega o celular ainda com sono, sem mexer muito para não acordar a menina dos seus sonhos.
"Vem pelo menos para almoçar? Mamãe."
Ele devolve o celular ao bolso.
Ela abre os olhos, meio confusa, se afastando bruscamente dele.
- Que horas são?
- São doze e vinte e seis, minha cara. Boa tarde.
- Nossa, devíamos almoçar, o que acha? Vamos a um restaurante, shopping talvez...
- Você não tem nada aqui? Não queria sair.
Ela riu, meio sem jeito, afinal, deveria ter o que almoçar.
- Na verdade tem, mas não quero fazer - riu - Pedimos algo, então?
- Podemos fazer juntos, bem melhor.
Ela, ainda sem jeito, levantou andando para a cozinha.
Ele ajudou-a a fazer sanduíches.
Comeram no chão da sala e tomaram uma clássica coca cola.

- Ei, e seus pais ainda não sentiram tua falta? - debochando dele.
- Sentiram... Mandei mensagem dizendo que só chegaria a noite. Então diga aí, quais seus planos?
Ela ficou sem saber o que fazer.
- Ham... Não sei. Diga quais seus pensamentos.
- Bem, prefiro pôr meus planos em ação antes de dizê-los. - indo na direção dela.
Ela estava assustada, mas não se moveu.
Ele se aproximou, parou com o rosto a alguns centímetros do dela.
- O que você ta pensando?
- É...
- Diz - falando baixinho.
Ela permaneceu calada.
Ele gargalha.
Ela fica enfurecida!
- E aí, o que você pensou?

- O lógico!
Ele gargalha novamente.
- Olha, se for pra ficar dando risada de mim, não precisa ficar.
Ele se espanta.
- Não não... Ei, me desculpe. - falou sério, arrependido - é que não sei mesmo como fazer.
- Então não faz, oras!
Ele fica olhando-a, sério.
- E seria essa a hora de ir embora?
- Se você quiser, pode ir, não faço mais questão - emburrada.
- Eu faço. Eu queria ter tua vida, tua casa, teu gato. Até ter você. Mas eu posso dizer isso? Acabei de te conhecer, eu dormi na tua casa, eu almocei contigo!
Ela permanece séria, olhando-o. Palavras e mais palavras ficam engasgadas na sua garganta.
- E eu, posso? - explodiu - Te conheci agora também, te trouxe pra minha casa. Um homem que eu nunca vi na vida dormiu aqui! Não que tenha sido o primeiro, mas não rolou nada entre a gente. Tudo aconteceu por causa de cantadas baratas dos teus amigos, de uma carona e um convite impensado. E aí, como eu fico?
Ele cala. Pensa.
- Posso ficar?
- Ah, se quiser ficar, que fique.
- Então obrigado - riu com sinceridade - Posso te dar um beijo?
Ela calada, acenou com a cabeça, olhando para baixo.
Ele a puxou e a envolveu num beijo divinamente perfeito, do tipo que nunca tinha acontecido com nenhum dos dois.

*

Talvez tenham namorado, talvez tenham somente deixado acontecer. Talvez até tenham morado juntos. Mas isso são coisas proporcionalmente prováveis e improváveis de acontecer, tanto quanto o modo que se conheceram ou tenham deixado acontecer.