Os cabelos escuros no meu rosto. Sentia aquele cheiro com prazer.
Mas havia algo de diferente nela.
Estava fria.
Tão quieta. Tão perdida em pensamentos.
Mesmo por trás eu percebia seu rosto sério. Isso tinha me incomodado a noite inteira.
De súbito ela se coloca sentada.
- Tenho que ir. - anunciou
- Ainda é cedo. Fique um pouco mais. - pedi.
- Não. Minha mãe logo ligará. Acho melhor ir logo.
Me apoiei em um braço e encoste a testa nas suas costas.
- Eu vou te levar em casa.- falei.
- Não precisa. - ela cortou de imediato.
- Tá bom! Agora foi o limite! O que está havendo?- perguntei um pouco irritado
Sua expressão séria tornou-se triste.
- Acho melhor a gente dar um tempo. - sibilou quase sem mover os lábios. O olhar perdido num quanto qualquer.
Aquilo me pegou de surpresa. Foi um golpe baixo. Uma punhalada!
Boquiaberto tentei extrair qualquer informação do rosto dela. Nunca o vi tão inexpressivo!
- Mas porquê? Por que isso agora?
Silêncio.
Recuei e me escorei na cabeceira da cama. Mãos na cabeça., buscando apoio.
- Você tá com alguém? - perguntei já convencido da resposta
- Não!
- Você está interessada em alguém?
- Não!
- Tem certeza? - pressionei
- Tenho.
Levantei da cama.
Vamos, eu te levo em casa e a gente conversa melhor lá.
O caminho até a casa dela foi preenchido com o som da noite. Alguns grilos, o coaxar de um sapo...
Passamos pelo portão e ficamos na parte interna, frente ao portão da garagem.
- Me explica melhor o que está acontecendo, por favor. - Pedi. Sabia que até a minha voz tremia.
- Eu só quero dar uma tempo.
Ela olhava pra o chão. Eu lutava pra continuar respirando.
- Sem motivo nenhum?
Confirmou com a cabeça.
- Se é assim que você quer, eu vou respeitar. - nos olhamos por poucos segundos - Vem cá me dar uma abraço.
Mesmo depois de duas dezenas de meses juntos eu abracei aquele lindo corpinho magro com todo o amor que eu tinha. Afaguei seu cabelo escuro e senti o cheiro que talvez nunca mais voltasse a sentir. Beijei a testa com algumas espinhas, e fitei os olhos que agora me diziam tanta coisa.
- Tchau. - falei.
Dei as costas e saí pelo portão principal. Sete passos depois eu olhei para trás esperando vê-la me observar partir. O portão já estava fechado, e nunca mais a vi.
Por HB
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