Há quem se atreva a descrever sonhos com palavras repetidas e que não chegam aos pés da total satisfação.
Há também quem acredite em príncipes encantados montados em cavalos brancos, em amor à primeira vista e eternos... Assim como há quem acredite em prazer com goles de bebidas quentes e velhas, com fumaça presa no pulmão e esforço físico.
Existe somente e absolutamente tudo que queremos. Quebrar essas paredes, muros e barreiras que os antigos impuseram involuntariamente na mente da sociedade, pode ser um prazer sonhado, ou um sonho prazeroso.
"No homem, o desejo gera amor; Na mulher, o amor gera desejo."
Mas é aquele ódio gostoso, aquele ódio sinônimo de desejo, de tesão... Pois eu consigo misturar raiva e vontade resultando em algo realmente bom, algo com gostinho de quero mais. Sou sádica e com orgulho disso, um orgulho maléfico, daqueles que você não sabe se sairá vivo de cada experiência física comigo, daqueles onde cada vez é uma aventura, uma tortura, um tom mais alto de gritos e gemidos.
Sinto meu coração bater mais rápido e um frio percorrer meu corpo. Deixo escapar um sorriso.
Não sei como definir isso. Também não sei as proporções das minhas vontades. Mas você, como nenhum outro, está bem acima de muitas coisas na minha lista de prioridades.
Ela tinha os cabelos castanhos, meio encaracolados na altura dos seus pequenos seios, e eles arfavam por cada vez em que ele a fazia algum elogio. Ela adorava-o. E ele a amava! Mesmo tendo mil e um motivos para não fazê-lo.
Era bonito, forte, jovem. Tinha uma barba que o deixava com aspecto mais maduro. Gostava de ver-se assim. Ele poderia ter em mãos qualquer moça da pequena cidade, mas queria somente a ela. A menina que lhe encantara o bom gosto, o dom pela escrita e a face, quando avermelhada.
Ele a dissera mais uma vez:
- És linda! – com o tom de voz baixo.
Ela corava. Tentava esconder-se prendendo um dos cachos atrás da orelha.
Estavam mais perto que o de costume. Ele poderia chegar a tocá-la. Mas ela não o deixava fazer, apesar de toda vontade que a habitava.
E ela sabia que desejava-o mais que tudo neste mundo. Sentia-se envergonhada só de pensar nisso, ele a olhava de um jeito encantador, deixava-a com as pernas bambas! Mais parecia que conseguia ler sua mente pelos olhos. Por isso ela nunca o olhava diretamente.
Ele sabia que tinha controle total sobre ela. Sentia isso somente de tocar-lhe as mãos gélidas de dedos finos: suava, não o deixara tocar-lhes por muito tempo. Ele mudava de expressões a todo instante. Pegava-se sério, navegando em pensamentos proibidos, e em poucos instantes, a sorrir por saber que estava no poder.
Afastam-se bruscamente: a mãe dela invadira a sala calçando as luvas negras.
- Filha, estou indo à modista fazer aquele vestidinho azul xadrez... Vens? – e antes que ela respondesse: – Melhor não... Deixar-te-ei com tua visita. Mas não me demoro, volto num pulo! – e saiu abrindo o guarda sol.
Ela o fitara, ainda de longe, e sorria timidamente. Ele se aproximara dela, conseguindo até ouvir sua respiração forte. Ela estava imóvel, sentada no canto do sofá cor-de-goiaba, não conseguia mexer um músculo.
Ele chega bem perto e põe-se a beijar seus braços. Logo percebe os pêlos arrepiarem-se. Aumentou o ritmo e subiu até os ombros. Conseguia ver seus olhinhos verdes revirarem.
- Enfim! – disse baixinho, quase ao pé do ouvido.
Ela estremecera. Deu um leve sorriso para desviar a atenção. Mas não conseguira. Os olhos cor de avelã a deixavam a suspirar. A sua vontade era jogar-se aos braços e enchê-lo de beijos!
Enquanto pensava nisso, ficou parada. E quando percebeu, ele estava olhando-a cheio de ternura.
- O que se passa dentro dessa cabecinha?
Ela rira, sem saber o que responder. Continuou calada.
Ele de algum modo, adivinhou o que se passava ali. A puxou para mais perto e soltou-lhe os cabelos presos por uma fita rosada. Mexeu-se muito neles até dizer:
- Ficas mais bonita assim. – Chegando cada vez mais perto.
Deu-lhe um beijo na maçã do rosto. Ela, de olhos fechados, estava fria e rígida, parecendo ser feita de mármore. Abriu os olhos e procurou o seu olhar. Viu-se perdida em meio a tanto sentimento percorrendo seu corpo. E, sem mais pensar, jogou seus braços por cima dos ombros dele e lançou-lhe um beijo inocente.
Ele sorriu breve, malicioso. Enrolou seus braços por entre a cintura fina dela e beijou-a.
Ela se lançara para ponta do sofá. Estava sem fôlego.
Ele a olhava rindo. Ela sorria também, morrendo de vergonha.
Ele aproximou-se dela, afastou seus cabelos para o lado e beijou-lhe o pescoço. Viu sua mãozinha apertar forte o vento. Ria por dentro.
Ela estava nervosa, sem saber mais o que fazer! Nunca tinha pêgo-se numa situação destas! Olhou-o:
- Vais pra casa, vais! Xô! Logo mais minha mãe chega. – Sua voz dizia, mas seu coração pedia com toda força para que a negasse a ordem.
Não se via no direito de pedir para ficar. Levantou-se e pôs o chapéu em mãos. – É, vou-me indo mesmo... Está anoitecendo. – Fizera um bico, como uma criança.
Ela sorri, caminhando até a porta principal, feita de jatobá; ele vai atrás. Abre-a e o deixa passar.
Ele se põe a sua frente, pondo o chapéu na cabeça.
Já fechando a porta, enfia-lhe a cabeça para fora e diz com os cachos todos fora do lugar:
- Vens amanhã? Às duas? – Sorrindo.
Vira-se olhando-a; sorrindo...
- Venho, meu amor, eu venho!
O abraço grande e protetor, as mãos quentes, os ombros largos, a barba mal feita... Cada pedaço de mim tá te amando cada vez mais, a medida em que passamos mais tempo juntos, quando me fala besteiras...
Me fizeste mimada e agora te preciso presente a todo instante. Te preciso como nunca precisei de ninguém.
Imagino sonhos, prevejo diálogos, presinto sensações, e tento te mostrar, mas sou muito contraditória e acabo confundindo as palavras na hora de te dizer o que quero. Mas podes ter certeza absoluta: Eu quero você aqui dentro ou somente perto de mim. Eu quero só você.
A sala está sendo invadida por sentimentos incomparáveis...
Preciso de um bote ou qualquer outra coisa que me mantenha suspensa, para que eu não me afogue nisso tudo.
Mas tudo que eu mais quero é ficar abraçada contigo... Não ligo que afundemos, desde que estemos juntos, nada mais vai importar.
É como se o simples fato de viver, superasse o amor pelas palavras.
Está explicado, desde então, se não postar pelos próximos dias.
O calor delas passa para a minha perna direita.
Fico nervosa, corada. Ninguém nota.
Precisaríamos de muito mais,
ou só mais algumas gotas. Tanto faz!
Adiar a ida.
Tudo faz querer mais.
Bem mais...!
Me encontro num lugar claro, lotado de pessoas, e elas falam muito! Fazem muito barulho.
Tento então te achar no meio delas. Ando muito entre as pessoas, passo os olhos em cada rosto, mas nenhum deles é o teu.
Fico nervosa, ando mais rápido, quase corro pra te encontrar. E o nervosismo não ajuda em nada, ao contrário, atrapalha muito.
Começo a correr, grito teu nome... De nada adianta. Tenho a sensação de estar passando pelo mesmo lugar duas vezes, vendo as mesmas pessoas. Fico confusa.
Canso. As pernas, agora, tremem; me sinto forçada a parar.
Caída no chão, me ponho a chorar, querendo gritar teu nome que só sai como sussurros.
O silêncio diminui, todas as pessoas desaparecem, te vejo longe, vindo na minha direção. Sorrio, aliviada. Levanto, ainda chorando e vou de encontro ao teu abraço quente.
Chego, por fim, bem perto, chego a sentir tua barba crescida nas pontas dos meus dedos.
Te abraço e, como se virasse fumaça, você desapareceu nos meus braços.
Estou agora, abraçando a mim mesma, chorando.
Antes de conseguir pensar, acordo assustada, ofegante na minha cama desarrumada. Te vejo ao meu lado, abrindo os olhos lentamente, querendo saber o que estava se passando.
Sorrio de mim por ser tola. Ainda deixo uma lágrima clara e redonda cair do canto do olho direito.
Você me abraça dizendo “Calma guria, calma... Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.”.
Sinto o mundo parar de rodar. Sinto teu coração batendo leve e devagar. Ouço somente tua respiração alta por cima da minha cabeça.
Me afasto, passo a mão por entre os pêlos da tua barba, acariciando teu rosto.
“Obrigada por voltar pra mim e não deixar o que quer que seja nos separar.”
“Ei, pára! Eu prometi estar contigo enquanto te amasse. Não tenho motivos para me afastar de ti.”
E é exatamente agora que eu deixo lágrimas, dessa vez de pura felicidade, molharem meu rosto.
Um abraço, um carinho, minha cabeça em teu peito... Nós dois bem próximos na minha, que agora é nossa cama.
A madrugada silenciosa passa e nem notamos.
Ao amanhecer, te olho nos olhos e te digo “Bonjour, mon amour!”;
E tu falas baixo ao meu lado, com um sorriso malicioso no canto da boca “Sabes que não resisto quando falas francês.”
Me deita por debaixo dele, e tira meu pijama. Seus gestos são delicados e rápidos, deixam suas intenções bem claras.
Não te impeço de fazer nada. Tu sabes que eu sou tua.
Cada toque dos teus dedos frios em minha pele faz arrepiar, cada gemido teu ao meu pé do ouvido me faz delirar, cada movimento deixa minha respiração cada vez mais rápida.
Não me controlo. Passo meus braços ao redor da tua cintura, por debaixo dos ombros e começo a arranhar-te as costas. Meu bojo pulsa frenético mesmo com a fricção.
Tu gemes cada vez mais alto.
Te jogas em cima de mim, aliviando o peso um pouco para o lado, encostando tua cabeça em meu peito esquerdo.
Tu sorri, satisfeito. Eu sorrio por te ver assim.
Tu me olhas, ainda sorrindo. Teus olhos castanhos cor-de-amêndoa brilham. Enxergo uma felicidade absurda dentro de ti.
Enxergo uma possível e provável felicidade para nós dois.
Então, não sei o porquê de não tentar viver sem escrever. Na verdade, não sei o porquê de não tentar viver de verdade, somente. Conselho de uma grande amiga.
Talvez eu deixe de passar minhas escolhas e alguns atos vividos por mim.
A oportunidade de ser feliz está a minha porta, me chamando, e eu não vou deixá-la ir embora.
Marcamos um encontro num restaurante moderninho.
Cheguei primeiro.
Pedi uma garrafinha de água perrier, tinha de ser perrier e um pacotinho de M&Ms de chocolate.
Me distraí.
Ela chegou, sentou e só então me sorriu.
Foi logo dizendo:
— Que bonitinho, você aí tomando água francesa com um pacotinho de balas de chocolate.—
Nada se movia, mas haviam movimentos extremamente rápidos, causando náuseas. Os gemidos eram, agora, mais altos; Notáveis, quase tocáveis.
Movimentos uniformes preenchiam a sala; tudo piscava (as cadeiras, a mesa, os tapetes, o lustre magnífico), graças ao revirar involuntário dos olhos claros e negros.
Corações palpitavam rápido, um par deles. O sangue corria depressa nas veias, deixando a temperatura dos corpos alta.
Sentia-se uma umidade quente também... Talvez pelas gotas de suor que escorriam das testas previamente polidas.
Então puseram-se parados e silenciosos. Pouco tempo até risinhos miúdos encherem novamente o lugar. Estralar de beijinhos ao ver a luz do sol invadir toda a casa e ofuscar a visão.
A distância, para diminuir a temperatura e tensão, foi deixada vencer pela saudade do abraço apertado e cheio de sentimento.
Até se encherem de saudade e necessidade de ida pela hora, foi tudo mais que ótimo; Mais que perfeito.
Mergulho em lembranças, e me afogo nelas.
Difícil lidar com a falta de um pedaço meu, bem aqui dentro.
Eu sinto falta do cheiro da tua roupa lavada, dos teus olhos procurando os meus na madrugada escura, da tua mão fazendo movimentos rotatórios em minhas costas... Do arrepiar intenso e silencioso dos meus pêlos ao receber o teu toque de surpresa.
Te sinto cada vez mais distante... Cada vez mais fora do meu alcance. E com pouco tempo, não vou conseguir mais sequer te manter no meu campo de visão.
Meu medo faz transbordar meus olhos.
A vista embaçada me impede de ver nitidamente; não consigo enxergar onde está meu maço de cigarros, não consigo ver as luzes da cidade do meu vigésimo primeiro andar.
Não consigo mais escrever.
Não quero mais lembrar. Nem chorar.
É estranho te ver longe por tanto tempo... Imissu.
venho-te um abraço dar;
Enxuga teus lindos olhos
se minha que eu sei-te amar."
"Eu não sei se essa é sua intenção, mas você está me fazendo perceber que eu posso ser feliz sem você. Diz que me ama, mas suas atitudes só me provam o contrário. Não vou esperar você decidir se me quer ou não na sua vida. Tenho muita coisa aqui pra te oferecer, mas sabe o que é? Sou incompleta, também preciso receber. Portanto, não se assuste se um dia eu acordar com a capacidade de te olhar nos olhos, sorrir e dizer adeus."
Caio Fernando Abreu.
Você sabe que é pra você.
Ou não...
B: Não.
A: Prefere então que eu simplesmente não fale?
B: Isso cabe a você decidir. Eu tento te afastar pro NOSSO bem emocional e psicológico, tu não se afasta, muito pelo contrário, faz de um, tudo, pra se aproximar de mim. Tu evita me ver, mas quando a gente tá perto um do outro, eu fico no teu pé, igual a uma pirralha pentelha, querendo conversar.
A: E eu adoro.
B: Sinceramente, as vezes até penso que eu preciso de você pra viver, do mesmo jeito que você precisa de mim.
A: E tem razão.
B: Mas o que me faz te ignorar tanto pelo msn é que quando a gente conversa frente a frente, tu só fala da tua namorada... Que ela me odeia, que ela não gosta da gente juntos... Que ela tentou ficar parecida comigo, um dia... Que ela não gosta de quando você vem pra cá, porque EU moro aqui... Isso desestimula demais, você não tem noção! Depois que eu comecei a conversar com você, eu perdi meu rumo (se é que eu tinha um). Ao menos sabia o que queria... Mas hoje, nem isso eu sei mais. Tu confundiu minha cabeça, meus pensamentos, meus ideais, meus sentimentos, minhas palavras... Eu, desde então, nunca mais consegui por nada em ordem, POR TUA CAUSA. Eu te ignoro, te evito, tento te afastar, mas é sempre com aquele pensamento "não vai não!" porque eu não vivo sem tu! Tuas besteiras, tu me chamando atenção, tu me xingando ou me elogiando... Isso é muito bom e totalmente ruim! Eu não me concentro mais em PORRA nenhuma porque você me bagunçou. Não que eu pense em você, mas qualquer coisa que não seja o que eu pensava antes, prende minha atenção. Nem me controlo mais. Mas você pode notar isso facilmente.
A: Sabe que escutar simple plan e conversar contigo não são atividades que devem ser feitas juntas? Pra ser sincero, eu tb estava assim só que aprendi que lutar contra seria inútil. Então resolvi viver com isso. E sabe de uma? É muito bom saber que há você na minha vida. Acho que você também sente isso. Fico feliz, feliz mesmo. Sei que um dia vamos nos resolver, nem que seja da maneira mais trágica possível. Mas um dia tudo será resolvido, e sei que o melhor jeito para isso é ficarmos juntos.
B: Tu pensa demais num coisa que não tem solução. Isso, que a gente diz sentir um pelo outro, não é nada mais que coisa de adolescente. Excitação, talvez. Isso não vai levar a gente a lugar nenhum! Talvez, a solução pra minha vida esteja bem debaixo do meu nariz e eu procuro muito além do horizonte, saca? tu tem que viver tua vida, e eu a minha. Eu te esqueço, e tu me esquece. Eu na minha, tu na tua. Tu com tua namorada, e eu sozinha, ou com quer que seja.
A: Tu pode até estar certa, mas eu gosto de ter esse 'romance'(?) contigo, então vou curtir o máximo que puder ele, pois eu realmente gosto. E não vou abrir mão nem tão cedo.
Perdi a esperança quando não achei tua mão direita, a qual segura o causador da fumaça. Fiquei parada, em choque, de olhos fechado.
Abro os olhos devagar, tento te espiar.
Encontro teu rosto sorrindo pra mim. Aquele sorriso bem leve, que se encaixa perfeitamente no teu rosto quadrado, que fica perfeito com tua barba mal feita... Aquele sorriso que me faz sorrir também. Fico rindo, boba.
Tu põe teu cigarro em minha boca, não me deixa segurá-lo. Dou uma ou duas tragadas. Tu me tira o cigarro antes que eu termine a terceira, me beija antes que a fumaça caminhe no meu quarto. Sorri e torna a fumar, me olhando pelo canto.
É coisa desse tipo que me deixa boba. É por isso que sou apaixonada por você.