Me encontro num lugar claro, lotado de pessoas, e elas falam muito! Fazem muito barulho.
Tento então te achar no meio delas. Ando muito entre as pessoas, passo os olhos em cada rosto, mas nenhum deles é o teu.
Fico nervosa, ando mais rápido, quase corro pra te encontrar. E o nervosismo não ajuda em nada, ao contrário, atrapalha muito.
Começo a correr, grito teu nome... De nada adianta. Tenho a sensação de estar passando pelo mesmo lugar duas vezes, vendo as mesmas pessoas. Fico confusa.
Canso. As pernas, agora, tremem; me sinto forçada a parar.
Caída no chão, me ponho a chorar, querendo gritar teu nome que só sai como sussurros.
O silêncio diminui, todas as pessoas desaparecem, te vejo longe, vindo na minha direção. Sorrio, aliviada. Levanto, ainda chorando e vou de encontro ao teu abraço quente.
Chego, por fim, bem perto, chego a sentir tua barba crescida nas pontas dos meus dedos.
Te abraço e, como se virasse fumaça, você desapareceu nos meus braços.
Estou agora, abraçando a mim mesma, chorando.
Antes de conseguir pensar, acordo assustada, ofegante na minha cama desarrumada. Te vejo ao meu lado, abrindo os olhos lentamente, querendo saber o que estava se passando.
Sorrio de mim por ser tola. Ainda deixo uma lágrima clara e redonda cair do canto do olho direito.
Você me abraça dizendo “Calma guria, calma... Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.”.
Sinto o mundo parar de rodar. Sinto teu coração batendo leve e devagar. Ouço somente tua respiração alta por cima da minha cabeça.
Me afasto, passo a mão por entre os pêlos da tua barba, acariciando teu rosto.
“Obrigada por voltar pra mim e não deixar o que quer que seja nos separar.”
“Ei, pára! Eu prometi estar contigo enquanto te amasse. Não tenho motivos para me afastar de ti.”
E é exatamente agora que eu deixo lágrimas, dessa vez de pura felicidade, molharem meu rosto.
Um abraço, um carinho, minha cabeça em teu peito... Nós dois bem próximos na minha, que agora é nossa cama.
A madrugada silenciosa passa e nem notamos.
Ao amanhecer, te olho nos olhos e te digo “Bonjour, mon amour!”;
E tu falas baixo ao meu lado, com um sorriso malicioso no canto da boca “Sabes que não resisto quando falas francês.”
Me deita por debaixo dele, e tira meu pijama. Seus gestos são delicados e rápidos, deixam suas intenções bem claras.
Não te impeço de fazer nada. Tu sabes que eu sou tua.
Cada toque dos teus dedos frios em minha pele faz arrepiar, cada gemido teu ao meu pé do ouvido me faz delirar, cada movimento deixa minha respiração cada vez mais rápida.
Não me controlo. Passo meus braços ao redor da tua cintura, por debaixo dos ombros e começo a arranhar-te as costas. Meu bojo pulsa frenético mesmo com a fricção.
Tu gemes cada vez mais alto.
Te jogas em cima de mim, aliviando o peso um pouco para o lado, encostando tua cabeça em meu peito esquerdo.
Tu sorri, satisfeito. Eu sorrio por te ver assim.
Tu me olhas, ainda sorrindo. Teus olhos castanhos cor-de-amêndoa brilham. Enxergo uma felicidade absurda dentro de ti.
Enxergo uma possível e provável felicidade para nós dois.
Então, não sei o porquê de não tentar viver sem escrever. Na verdade, não sei o porquê de não tentar viver de verdade, somente. Conselho de uma grande amiga.
Talvez eu deixe de passar minhas escolhas e alguns atos vividos por mim.
A oportunidade de ser feliz está a minha porta, me chamando, e eu não vou deixá-la ir embora.
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