segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A leveza que leva

Antes de nascer
eu já conhecia
a leveza de flutuar
no espaço.
Depois que vi a luz
minha leveza ficou
quente e cheirosa.
Me embalava num sono
com uma canção de ninar.
As vezes eu era
um avião
de tanta leveza que tinha
nos ombros do meu pai.
Outras vez,
quase não senti o chão
quando minha boca tocou
a da minha coleguinha.
Mas eu fui crescendo
e percebi que a vida
tirava minha leveza
e no lugar
colocava uma coisa pesada
acho que se chamava
responsabilidade.
Então um dia,
quando comprei
uma leveza aérea,
sentou-se ao me lado
uma moça que
me fez voar duas vezes.
A minha leveza voltava
e levantava seu véu,
e fazia o ouro do anel
nem pesar no dedo.
Um dia, porém
ela me deu uma notícia
em nove meses eu seria
pai de alguém.
A menina nasceu
rosa e feia
mas com tanta leveza
quando a pude pegar.
Nossa casa era
um dente-de-leão
que viu minha menina
crescer.
Quando ela andou
fiquei  tão leve que
quase comecei a flutuar.
Minha leveza também parou
quando eu chorou
por um rapaz que não quis
lhe "levar".
A vida foi passando...
A vida leve
o tempo
vai levando.
Parece no fim
somar todas as levezas
para me levar leve
num domingo de manhã.
Percebi que
quando a vida é boa,
é leve,
quem voa
é o tempo.

Por HB.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O caderno.

Ela tinha dúvidas sobre as razões para fazer o pedido, mas, também tinha certezas sobre o porquê deveria fazê-lo. Sabia que ele tinha um natureza tão complicada quanto a própria natureza. Talvez esses fossem os motivos para desejar e temer ler o que ele tanto escrevia 'naquele caderno'. Deixou-se flutuar por entre as suas questões. Isso não era frequente; pelo menos não antes dele. Deixa-lo entrar na sua vida trouxe, além de mais um prato sujo, o fim de boa parte das certezas que havia construído. Sobre os escombros, esculpia com ele obras-primas dos dois. Entretanto, havia uma obra só dele; havia o caderno.
- Eu... - ela hesitou.
- Não! - ele respondeu enfático.
- Mas você nem sabe o que eu ia falar!
- Você passou os últimos cinco minutos olhando para o nada. Abriu a boca mas teve medo de perguntar porque já presume a minha reação. A resposta vai ser não.
Ela tomou coragem. Aquela que vem diante do desafio, do desaforo.
- Eu quero ler seu caderno.
Ele fixou nos olhos dela. Tentou achar algo que não sabia bem o que era. Não achou nada, nem um vacilo.
Piscou devagar e respirou fundo.
- Ler é entender. - começou - Entender deixa as coisas mais fáceis. Não me leia. Não me facilite.
Depois disso ela nunca mais tentou lê-lo.

Por HB.

Auto do maço de cigarros

O cigarro ascendeu
do maço
Para ser queimado no céu
da boa

Por HB.
terça-feira, 14 de outubro de 2014

Suados

- Me come, amor!
- Não dá. Não sobe...
- Mas tá duro!
- ...o meu salário.

Por HB.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Do jardim.

Que falta tremenda de mim...
Que falta de ter os sentimentos que eu mesma sinto, do lado de fora do meu corpo.
Minhas saudades e amores estão mais dentro de mim que minhas vísceras.
Peço explicação somente pelo 'porquê' de estar guardado, se borboletas tão belas devem estar voando nos mais belos jardins.

Ai meu amor... Quero explanar minhas palavras, quero beijar corpos alheios com o que digo, quero ser um alguém de alguém, quero voar!, mas queria que fosse fácil.
Só um pouco mais fácil.

Plágio de Bandeira

O rapaz chegou para a moça e disse:
- Tô começando a considerar que você é uma aberração da natureza...
Ela arregalou os olhos.
- Por quê?
- Vamos lá. Todos os corpos exercem atração uns sobre os outros. O campo gravitacional  do meu corpo, que tem 80 kg, exerce sobre o seu uma força equivalente ao peso de um fio de cabelo.
- Hã?
- Você, pelo contrário, consegue me atrair de uma forma muito mais intensa...algo que  natureza não explica!
Olharam-se. Cada um com sua ideia.
- Você quer um abraço? - ela perguntou.
- Aham...
E se abraçaram.

Por HB.

Onomatopeia

Não há
nenhum som
que vença
meu silêncio
como teu...

                     ...sssusssurro.

Por HB.

Escadaria

No Cosmo,
quando duas estrelas colapsadas se encontram,
há energia,
há luz.

No Benfica¹,
quando dois seres colapsados se encontram,
há um aceno,
um sorriso.

Por HB.

(N.A.)¹Edifício Benfica é onde reside o autor do texto.

Llem

Por favor, diga-me adeus
desligue na minha cara
peça-me para te esquecer
não me ame
Não me dê aquilo que tu tens de mais puro
Sinto-te como uma estrela
a guiar-me para o êxodo
do marasmo de minha vida
Teu riso, mesmo distante
mesmo discreto
sufoca o som que ecoa dentro da minha vazia
e agonizante existência
Som que grita morte,
mas que é abafado quando tu cantas
tuas músicas vivas
Eu sou a escuridão, e
tal como Hades perdeu-se por Perséfone
desfaço-me por ti, que és a luz
Mas, por favor,
não me ame
não me dê aquilo que tu tens de mais puro
Não alimente a psicodelia,
a distorção na minha cabeça
Pois sou o que sinto,
falo o que penso,
penso o que sou...
E nada é mais limpo
que a cinza dos meus cigarros.

Por HB.

{incompleto}

[...]
Na meia madrugada
em silêncio eu sofria.
No meu leito minh'amada,
lá fora, chuva caía.

Dúvida maior não há
sobre qual delas vem ser
a que feliz me deixa estar
a que a felicidade faz crescer

Portanto eu hei de comparar
equilibrar, fazer consenso
pois quando as sinto me tocar
minha dor passa, em nada penso
[...]

Por HB.

Certezas da manhã

Sobre algumas coisas estou convicto:
meu amor, seja quem for,
está atrasado;

eu não caibo na sociedade;
ou ela não cabe em mim;

a humanidade, definitivamente,
me assusta;

a álcool me liberta da agonia
de ser eu mesmo;

fumar me traz o abraço
do meu pai;

e há verdade que insistem em me iludir...

Por HB.

Sozinho

As noites de sábado sempre vem machucar.
Endurecer os calos à custo formados.
Gritar o silêncio em meus ouvidos,
mas já não ouço nada.
Nem uma risada, ou um gemido, ou um olhar.
O olhos que vejo são os meus,
refletidos na café frio que ficou.
É assim que tenho achado companhia,
procurando-a em mim mesmo.
O que estimo foi comprado;
o que estimo não tem preço;
o que estimo não me ama tanto quanto eu o amo.
Mas afinal, as coisas são assim.
As pessoas são assim.
As coisas ficam sozinhas.
As pessoas me deixam sozinho.
As coisas não me deixam sozinho.
Eu não deixo as coisas.
Eu não me deixo.


Por HB.
domingo, 24 de agosto de 2014
domingo, 22 de junho de 2014

A Viola

Cheguei perturbado.
Precisava de alívio fácil
até banal
que não chamasse
meu nome no fim.

Vi minha viola
velha empoeirada.
Largada sozinha
tímida a me olhar.

Nos abraçamos
meus braços em suas curvas
uma carícia, um sorriso
começamos a amar.

Meus dedos a tocavam
como da primeira vez.
Seus sons já conhecidos
me pareceram tão novos.

E tocamos
E amamos.
E cansamos juntos.

Ela desafinou
eu sorri satisfeito
houve um breve acorde
a última nota.

Agradeci por tudo.
Guardei-a no final
sabendo que ela desejava
lá do canto dela
que eu tivesse outro dia ruim
e voltasse a procurá-la.


Por HB.

(maconha) Sobre o Tempo.

Na natureza o tempo não existe. A vida não cabe na linearidade temporal que o Homem criou. A Lua tem seu ciclo, assim como as águas e as gerações das borboletas. O tempo como uma seta, na verdade, é um reflexo do espírito egoísta humano; tendencioso a organizar a própria vida de forma que possa conquistar tudo ao seu redor.


Por HB.

Chuva.

Gosto da chuva por causa do seu incrível poder de subverter a ordem das coisas. A chuva em sua simplicidade quebra completamente o protagonismo do homem sobre a sua própria vida. A chuva é tão eficiente nesse aspecto que é pensando nela , num dia chuvoso, que se escolhe a roupa que se veste, o calçado que se usa, o caminho que se toma, e se decide pela hora que se sai ou chega em casa. Apesar disso tudo, volto a observar a simplicidade da chuva. Todo o resto muda, só ela que continua sendo chuva; e ela não se importa se sua chegada vem com bênçãos ou maldições. Ela somente cai e ponto!

(as vezes eu queria ser chuva e protagonizar a vida de alguém sem necessariamente me importar com isso)


Por HB. 

Leite e canela

Ai de mim poder ter
um dia o calor do teu abraço.

Sentir sem pudor
tua pele macia
e branca como leite
escorrer por meu corpo.

Tê-la comigo daria fim
as borboletas que se
agitam dentro de mim
quando sinto o cheiro
do teu cabelo cor de canela.

Do meu canto
por vezes desejei
beijar teus lábios cheios
saboreá-los na doçura
que encontro no teu corpo.

Essa doçura me acalma
me inquieta
me alimenta
e me esfomeia.

Por HB. 

Café para Mariana

[...]
Na manhã de quinta-feira, acordei pouco depois o nascer do Sol. Minhas ineficientes cortinas sempre permitiam que as luzes matinas avisassem que um novo dia havia começado.
A cama era suficientemente pequena para um só, mas quando Mariana dormia comigo eu tinha a rápida impressão que a menor distância que houvesse entre nós era grande demais, e por isso eu me certificava de que ela estaria sempre por perto abraçando-a algumas vezes durante a madrugada.
Levantei devagar tentando não remexer muito. Calcei os chinelos e fui, a passos arrastados, para a cozinha. A garrafa térmica ainda sobre a pia foi balançada: "Ainda resta algo!", pensei. Pus o conteúdo numa caneca que durante a noite tinha feito companhia à garrafa. Deduzi, pelo círculo caramelo no fundo da caneca, que ela já tinha sido usada. Por mim? Por Mariana? Que importa?! De uns tempos pra cá éramos praticamente um só. Eu finalmente me sentia completo.
Adocicava a bebida...O Charlie Brown me sorria estupidamente da estampa da caneca; o Snoopy ao seu lado parecia já ter se acostumado. Uma formiguinha apareceu se esgueirando pelo canto do balcão. Matei-a. Lembrei do meu catequista de quando era garoto. O seminarista Sérgio nos dizia: "Não se deve matar nenhum animal intencionalmente. Quem faz isso vai para o inferno". Um tom sombrio devia cobrir meu rosto infantil da épico. Voltando à minhas cozinha, balbuciei "Que o diabo me carregue", e ri.
De volta ao quarto, arrastei a poltrona para o lado da cama. Busquei meu café, sentei, e comecei a saboreá-lo. Eu observava incansavelmente minha Mariana adormecida. Parcialmente coberta, se expunha aos meus olhos indiscretos. Eu a via, e minha visão não cansava dela.
O ventilador completou seu ciclo de para-lá-para-cá algumas muitas vezes. Mariana começou a acordar. Um fresta no seu olho semiaberto brilhou, e eu sorri.
"Café?", ofereci inclinando a caneca. Ela me deu um sorriso torto e virou envergonhada pela cara amassada e o cabelo assanhado. Observei as linhas de suas costas, da cintura, e da coluna vertebral; tudo coberto por uma pele morena clara como quando se coloca leite demais no café.
Deixei a caneca vazia de lado e me acomodei numa margem do colchão. Tateei a pele nua da cintura ao quadril. Encostei a ponta do nariz em seu cabelo e cheirei. Aquilo me acalmava. Por último dei um beijo na bochecha quente.  
"Ei,...", ela sussurrou rouca, "eu quero o café."
[...]

Por HB.

Quem sou eu?

Eu sou a personificação da antítese
Sou o sol que nasce e não brilha
Sou o vazio por onde passa o eco
Sou o solitário acompanhado

Sou tudo isso, o contrário de tudo isso, um pouco mais e outro menos.

E assim vou me definindo.
Sem traço
sem parâmetro
sem margem...só o fluxo.

Por HB e IM
quinta-feira, 5 de junho de 2014

Cold night

Saiu sem se despedir. Coisas aconteceriam naquela noite.
Ela, sozinha, mostrou que pode. Fez acontecer, sendo mulher, mãe, pai e independente.
Torço pra que ela não leve essa experiência como decisão fixa. Ela pode, ela é boa.
Mas é melhor ainda quando não está sozinha.

Por CM.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O hoje, o ontem, o amanhã.

Mesmo que um dia minhas palavras
assumam um vetor de vertigem e
restem delas uma penumbra crepuscular.
Igual será o meu estado de espírito.
Angustiado por um dia ter perdido
parte do meu eu que nunca tive.
Assim o tempo que passou
usurpou de mim meu tesouro abstrato:
lembranças várias do nosso dia único.
Ainda me perco em imagem recortadas.
Aquelas que me excitam e acalmam.
Raios e tempestades em minh'alma.
Aves que migram tranquilas.
Uno esperanças concretas de
juntarmos nossas vidas num mundo
onde sejamos o hoje, o ontem, o amanhã.

[para M.P.A.]

Por HB.
quarta-feira, 2 de abril de 2014

Mal-acostumada.

São 2h54 da madrugada e eu não consigo dormir. Queria que você me explicasse por que eu sou tão dependente da tua presença... Saudade teimosa!, insiste em permanecer aonde não é para estar. São só algumas horas...Uma mísera noite. Mas meu pensamento, inconscientemente, corre direto e em disparada para o teu braço, para o teu abraço... Eu choro (sem querer e com raiva de mim).
Eu só queria dormir todas as noites do resto da minha vida contigo...

Por CM.

domingo, 23 de março de 2014

[IN]Previsível.

Cansei
De dar explicações
Sobre coisas que não precisam ser explicadas.

Tentei
De todo modo
Amenizar as más situações que inevitávelmente aconteceram.

Não vi
De meu ponto de vista
Nada melhorar na nossa [patética] convivência.

Esqueci
De te amar
Nas horas que você mais precisava do meu colo.

Daí

Sofri
De novo
Na minha, novamente, cama pequena.

Que já não tem mais espaço pra minha solidão...
Mais uma vez
Chorei.

Por CM.

sábado, 22 de março de 2014

O maço vermelho de cigarros.

Encontrei
um traço do seu cabelo cítrico
desenhado em nosso ninho.
Fazendo um esboço
da nossa arte de amar.

(desculpa, mas a inspiração poética/metafórica acabou.)

Lembro do seu seio branco
achatado contra o corpo
enquanto nua
você fumava deitada.

Do sopro queimado,
do hálito quente.
Do gosto que ficava na boca
quando juntávamos as nossas.
E o que começava com a boca
unia o resto do corpo
fazendo com que as vezes
eu não soubesse bem
quem era eu e você.

Ainda sinto cheiro de fumaça.
Ainda ouço sua voz rouca.
Ainda vejo piolas pelo chão.
Ainda escuto as palavras
que falamos antes dessa solidão

Nossos óculos não ficam juntos sobre a cômoda ha quanto tempo?
Nós voltamos a ser dois por quê?
Fumo alguns cigarros para te trazer de volta. Mas assim talvez eu só te encontre n'outro mundo.

Por HB.

No ônibus.

Cheguei mais perto.
Funguei o cabelo dela.
Ela virou desconfiada...
mas era só eu.
Ganhei um sorriso.

Cheguei bem mais perto.
Falei ao ouvido:
"Seu cheiro me acalma."
Ela virou encantada...
mas era só eu.
Ganhei um beijo.

Por HB.
terça-feira, 4 de março de 2014

Apartamento 302

Quando o nu torna-se natural.
Quando o nu larga o apelo erótico.
Quando o nu e a arte se unem.
Quando o nu é simplesmente nu.

Incrível trabalho do Jorge Bispo.



Descubra mais sobre o Apartamento 302 em

Por HB.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Entre o eu e o nós.

Pergunto:
Sou eu que não caibo no mundo,
ou o mundo que não cabe em mim?

Então você chegou
e a questão virou outra:
Nós estamos no tudo,
ou tudo está em nós?

Só porque te amo,
talvez acho que possivelmente  
a segunda seja a certa.


Por HB.
domingo, 23 de fevereiro de 2014

Garotas, leiam Drummond...e depois me liguem.

[...]
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta
abraçado, fazer compra junto. 
Não tem namorado quem não gosta de falar
do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro
dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. 
 
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai
com ela para parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton
Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical na Metro. 

[...] 

Carlos Drummond de Andrade                                                                                                                                                     Por HB.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Justificativas

Pessoas normais bebem para se alterarem;
eu bebo para alcançar minha normalidade.

E quando eu bebo o Renato e o Kurt
tornam-se meus amigos. Nos entendemos.

E quando a bebida desce, meu sangue fica roxo,
e o mundo inteiro ganha cor.

Quem eu amo volta;
e volta feliz por também me amar.

Até o suor fica menos desagradável;
e as vezes eu suo sobre um corpo que nem conheço.

Os corpos que conheço não me querem suado;
querem-me marginalizado no país das amizades.

Talvez eu ame a todas quando bebo;
ou talvez não ame a ninguém.

Nem a mim mesmo.
Nem a quem sou.



Por HB.
domingo, 2 de fevereiro de 2014

Sobre apagar o passado.

De 'fins' e 'recomeços' esse blog já está cheio.
Não importa se são explícitos (CM) ou bem implícitos (HB).
Basta seguir o roteiro: insatisfação com o presente, expectativas para o futuro.
Mas de insatisfação e expectativas eu também já estou cheio, então o que me resta?

Dias atrás eu li sobre uma substância que 'apagava' memórias ruins. Acho bem surreal a possibilidade, porém, ela existindo, não seria de admirar que eu tivesse uma overdose da tal substância. Para saber o que se passou eu escreveria tudo num papel, quer dizer, tudo que eu gostaria de acreditar. Mas eu já vivi demais, já sofri demais, já bebi demais. Tudo isso me ensinou, e não precisei apagar a memória para aprender só o certo.


Por HB.


Eu amo você, mas não volte, por favor.

A quanto tempo estamos presos nesse relacionamento? Uns três anos?
É quase esse o tempo que acordo com o mesmo sentimento sem sentido que me consome depois de passar-mos a noite nos consumindo.
Você é para mim o álcool para um alcoólatra. Fico alguns dias sem você. Suporto. Mas quando vem a solidão, que normalmente me é bem frequente, uma vontade de você me domina. Sou fraco e te deixo voltar...
Não preciso te chamar pois você já vive dentro de mim. As vezes acho que esse é o problema, você sou eu.
Basta me deitar, fechar os olhos, dormir. Pouco depois você me aparece independentemente de onde eu esteja.
Linda! Seu sorriso amarelo. Grandes olhos negros. Mãos pequenas e brancas.
Sério, eu amo tudo em você. Até mesmo o jeito que você reclama comigo. O jeito que faz birra.
Sério, eu amo muito você. Mas aí percebo, quando acordo, que você sou eu, e por isso sentimentos sem sentido me consomem.   
Culpo-me por te amar demais.
Alegro-me por te amar demais.
Entristeço-me por te amar demais.
O que devo escolher? Você que é minha droga favorita e me ilude, ou a solidão que me trás de volta ao mundo de verdade?
Facilite minha vida. Não infle minhas dúvidas.
Eu sei que amo você, mas, para o meu bem, não volte.



Por HB.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Pontos

Tudo mudou (como ja comecei com essa mini-frase mil vezes)... Mas quer saber? O que será só depende das nossas escolhas. E FIM.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

No nosso mundo.

"As vezes ainda penso em como conseguimos construir um mundo nosso sem nunca termos desenhado, pintado ou escrito juntos.
O que éramos e fazíamos individualmente se encaixava sem esforço, sem cola, sem precisar fazer acontecer. Simplesmente acontecia...e dava certo.
Mas eis que o tempo é implacável e desfez nosso quebra-cabeça montado aos risos, abraços e história anormalmente sem sentido.
O quebra-cabeça quebrou. O nosso mundo ruiu. O nós formado por dois que parecia ser um , virou dois formado por 'ums'.
Os risos passaram, os abraços agora só do frio solitário que preenchia meu 'meio mundo'. As histórias começaram a ser esquecidas.
Acho perdi algumas peças do quebra-cabeça.
Então eu tomo outra dose de vodka pura. Minha garganta incendeia.
Fumo mais um cigarro expirando a fumaça tóxica devagar para vê-la subir. Talvez ela me leve ao nosso mundo.
Uma rara brisa gélida faz-me arrepiar.
Seu braço toca o meu outra vez. Nos olhamos, rimos. Contamos outra história. Cantamos uma última música. Deito em seu colo e tento dormir.
Sei que já estou bêbado."

Por HB.