domingo, 29 de dezembro de 2013

Relato de um plantonista. [09]

- Qual a proposta?
Um traço de sorriso apareceu nos lábios de Angelina.
- Você conhece a organização humanitária Médicos Sem-fronteira? - ela parecia disposta a me explicar caso eu respondesse não.
- Sim, conheço.
- Bom, dentro de uma mês um grupo aqui do Brasil vai partir para Moçambique para dar apoio as vítimas da guerra civil. Eu estarei nesse grupo e por isso vim convidar você. É uma missão de seis meses. Esse ano ainda vocês estará de volta ao Brasil caso não queria ficar por mais tempo.
- Angelina, você está me chamando para ir numa guerra?
A ideia não me parecia nem um pouco agradável.
- Estou te chamando, Pedro, para um lugar onde a medicina que você aprendeu é necessária, e onde o juramento que fez é justo e verdadeiro. - ela falara num tom levemente agressivo.
- Vamos ver. Eu deixo o Brasil, fico no meio de um guerra, arrisco minha vida, cuido da dos outros com material e estrutura limitados...
- Sim, vai ser exatamente assim. E pelo que vejo você não está simpático a nada disso. Tudo bem, eu disse que  a escolha era sua. - levantou-se. Lançou um sorriso azedo pra mim na tentativa de disfarçar o sabor da missão não cumprida. - Eu acho que já vou indo. Obrigado por me receber.
- Angelina - ela já chegava na porta. - Eu vou!
- Vai? - surpreendeu-se
"Vai?"
-Sim, eu vou. Eu talvez realmente não esteja muito bem. Você disse que eu poderia ver isso como uma forma de recomeçar...se for assim, eu aceito seu convite.
Angelina me retribuiu com um sorriso largo e sincero.
- Fico muito feliz. Feliz mesmo. Amanhã passo aqui para te entregar o termo de compromisso e uma lista com alguns documentos que você deve entregar na sede da organização.
- Certo. Perfeito. - balancei a cabeça - Te esperarei amanhã. - sorri.
Angelina ia passando pela porta quando fez o adendo.
- Pedro, eu te aconselho a parar de beber e limpar o apartamento. Alguns vizinhos já comentaram com o porteiro sobre o cheiro que vem daqui.
Eu ri, ruborizado pelo constrangimento.
- Limparei sim.
- Ok! - Angelina me deu um sorriso simpático - Até amanhã, Pedro. Tchau.
- Até amanhã. Tchau.
Não esperei para vê-la entrar no elevador.
Tranquei a porta do apartamento.
- É hora que começar a organizar minha vida. - disse à mim mesmo.
Virei e deparei com a sala repleta de lixo.
"Se é para organizar a vida, a sala é um bom começo"
Eu ri.
- Então vamos lá!


Por HB. 
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Relato de um platonista. [08]

"Ela ficava linda quando cozinhava, não era?"
- Pena que não fazia isso com frequência. - respondi a mim mesmo.
"Você sabe que a culpa é sua. A culpa por tudo é sua."
Apertei com mais força o gargalo da garrafa de vodka. Quantas delas já haviam pelo chão do apartamento no sétimo andar?
Algumas cervejas, depois minha colação de vinho, depois vinho barato. Mas eu estava demorando muito para apagar. Vodka! Dez vezes destilada...dez vezes mais cara. Mas o que importa é o álcool. Agora o que tenho em minhas mãos? Uma porcaria alcoólica que mais parece tiner.
Bebi mais.
"Isso mesmo. Beba. Morra!"
Meu corpo foi se inclinando. Já estava com o rosto no chão. Dormi.

Acordo, não sei quanto tempo depois, com a campainha do interfone tocando. Tento me arrastar por entre as garrafas vazias e embalagens de comida pronta. É difícil.
O interfone toca outra vez.
"Será que pedi comida?"
O esforço era muito. Parei.
Antes que eu conseguisse adormecer outra vez, alguém bate na porta. Olhei-a como se fosse abri-la por telecinese. Batem outra vez.
- Pedro, você está aí? Aqui é Angelina.
"Angelina?"
- Angelina...- grunhi - ...já vou.
Cambaleei até a porta, tirei a corrente, destranquei e abri.
Angelina fez um careta. Talvez pela minha aparência ou pelo cheiro de podre que vinha do apartamento.
- Nossa! Pedro...- eu sabia que estava mal, mas o reflexo no rosto dela mostrava-me horrível.
- Entra.
Algumas caixas de comida chinesa escureciam de mofo sobre o sofá. Apressei em jogá-las num outro canto.
Indiquei para que ela se sentasse.
- Pedro - ela parecia tentar organizar os pensamentos - a quanto tempo vc está aqui? A quanto tempo não sai de casa?
Refiz mentalmente os meus últimos dias. Entretanto havia uma névoa que não me permitia enxergar com clareza.
- Que dia é hoje? - perguntei levantando a procura de uma sacola de compras. Achei sobre  balcão da cozinha com apenas uma garrafa de vodka. Vasculhei o fundo procurando a nota fiscal.
- Hoje é dia 26.
Conferi a nota.
- Faz cinco dias que não saio.
- Foi a última vez que comprou bebida, então?
Confirmei com a cabeça. Eu me sentia envergonhado agora.
Ela respirou fundo, pensou.
- Pedro, eu sei que depois que sua esposa faleceu você se demitiu de todos os empregos. - ela me olhava diretamente. -  Pelo estado desse apartamento eu suponho que você só tem feito beber vodka e comer pizza - chutou de leve uma caixa aos seus pés.
Permaneci atrás do balcão tentando me proteger das verdades.
Ela me olhava fixamente.
- Eu... - pigarreei - tenho tirado um tempo pra mim. - sempre menti mal.
- Estou percebendo como você tem cuidado de si mesmo.
Ficamos em silêncio.
- Escuta, Pedro. - ela parecia mais decidida a falar - Eu vim hoje aqui para te chamar pra tomar um café. Saber como você está, como tem encarado...e te fazer uma proposta. Na verdade, se você estivesse bem, seria mais um convite.
Fitei-a com atenção.
- Entretanto, - ela prosseguiu - visto sua situação, você pode conceber isso como uma oportunidade de recomeçar a vida. Claro que tudo vai depender apenas da sua vontade. Agora é com você, Pedro. Quer ter uma vida outra vez?


Por HB.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Natural... Normal.

Uma pergunta e uma resposta grossa.
Uma briga.
Xingamentos na mente, só na mente.
Ignoro-os.
Saio.
Procuro meus cigarros.
O telefone toca.
"Porra!"
Entro e atendo.
Desligo.
Saio.
Pego o isqueiro.
Telefone toca de novo.
Raiva sobe à cabeça.
Entro, atendo, saio.
Acendo o cigarro.
O telefone toca.
"Ah, vá! Tá me zoando."
Deixo o cigarro,
entro, atendo...
Desligo.
Desligo o telefone.
Saio, pego o cigarro (queimado, já na metade),
fumo.
A raiva percorre o corpo todo.
Tremo!
Penso, penso, penso...
E penso.
Penso em ligar,
mas porra, telefone de novo?
Esqueço.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013

#tudonovodenovo

Eu aceitei as condições, marquei a opçãozinha de que tinha lido e concordado sem sequer abrir o arquivo e lê-lo.
Eu comecei a viver essas condições e pensei que deveria ter lido antes de começar qualquer coisa. Aliás, ter lido e pensado muito antes de cair de cabeça.
Eu aprendi a conviver (conviver, não viver).
Eu aprendi a lidar com erros, esquecimentos, lamentações, mais erros e coisas as quais eu não estava acostumada.
Pensei, por uns instantes, que não conseguiria. Mas minha força de vontade e simplesmente eu, foram necessários para eu estar aqui bem aonde estou.

Pois bem...
Se necessário for, enfrento esses medos de novo e sofro a incerteza mais uma vez, mas arrisco! E sei que se eu quiser, consigo tudo.
domingo, 27 de outubro de 2013

Relato de um plantonista. [07]

- Aceito. - foi a palavra mais carregada de convicção que já falei.
Eu fitava o padre à nossa frente, mas a minha visão periférica deixou-me certo de que Lívia sorria. Sorria muito. Eu seria capaz da dizer que brilhávamos.
- Então pelo poder investido um mim por Deus, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
Ficamos frente a frente. Uma lágrima escorria pelo lado esquerdo do rosto dela.
Nos beijamos.
Saímos da igreja sob a chuva de arroz. Abri a porta do carro e já estávamos no chalé.
Lençóis brancos, finos. A lareira crepitando, aquecendo o frio que as paredes deixavam entrar.
Fizemos amor. Tomas vinho. Fizemos amor outra vez.
As chamas faziam as sombras se mexerem.
Deita sobre meu peito. Abraçados sob o cobertor. Olho-me com seus expressivos olhos castanhos claro.
- Amo você. Amo demais.

Abri os olhos para a escuridão do nosso quarto no apartamento do sétimo andar.
- Lívia...
Era madrugada de domingo.
Dali a poucas horas seria a missa de sétimo dia do falecimento dela segundo informava o convite empurrado por baixo da porta.
Sentei-me na cama. Os pés tocaram o chão mais frio.
"Foi bom enquanto durou, eu sei. Mas agora esqueça!"
Não consigo. Não ...
Eu tinha planos de ir no fórum onde Lívia trabalhava. Alguém, alguma amiga, deveria ter notado algum comportamento estranho dela. Lá era o lugar mais certo para encontrar respostas para minhas questões.
Será que ela tinha mesmo outro?
"Sim."
Será que estava grávida dele?
"Sim!"
Agora só de uma coisa eu estou certo. Lívia descansa mais em paz do que eu.

Estacionei a moto numa rua perpendicular meia hora antes.
Entrei na igreja. Sentei no ultimo banco, no lugar que me pareceu mais discreto possível.
Aos poucos as pessoas começaram a chegar e ocupar os lugar à minha frente.
Vi quando Dona Teresa entrou de braços dados com o marido. O pai de Lívia havia falecido há anos, esse era apenas o padrasto, porém ele parecia abatido. Logo atrás, Flávia, irmã mais nova de Lívia caminhava usando uma blusa preta de manga cumprida e uma jeans escura.
A missa começou com uma senhorinha beata lendo a lista com os nomes das pessoas a qual a missa era direcionada. Nesse momento um rapaz sentou-se ao meu lado. Não lhe dei atenção. Estava concentrado nos nomes.
-.... Lívia Lucinda de Melo,...- falou a senhorinha.
-  Lívia... - repetiu num suspiro o rapaz ao meu lado.
Olhei-o de imediato. O coração batendo mais forte.
" É ele! É ele! É ele!"
Não devia ter mais de 25 anos. Os cabelos escuros penteados para trás. Pouca barba no queixo.
Concentrei-me com bastante dificuldade em minha voz.
- Você conhecia a Lívia?
- Conhecia sim. - o rapaz tinha um pesar aparente bem maior que o meu. - Eu só não entendo com isso aconteceu com ela.
- Um dia chega para todos nós.
"Pergunte mais alguma coisa!"
- Vocês trabalhavam juntos?
- Até uns dois meses atrás sim. Foi quando começamos a namorar. Mas meu estágio no fórum acabou e eu saí.
"..."
Senti meu estômago despencar. Meu sangue esfriou-se tal como o dela devia estar agora.
Olhei para frente, para além do padre.
Os olhos queimaram e uma lágrima desceu. A imagem do homem crucificado tornou-se embaçada.
- Por que fizeste isso comigo?


Por HB.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Relato de um plantonista. [06]

Através da jeans podia sentir o calor entre as minhas pernas.
Girei a chave da moto e puxei o pedal. Fui entrando na conveniência do posto de gasolina. Era muito cedo da manhã, e tinha passado a noite todo viajando.
Para onde?
Sem destino.
A balconista me recebeu com um sorriso cansado. Ela devia ter passado a noite trabalhando.
Pedi um café extra forte e umas barras de cereal. Fiquei em pé mesmo, de frente ao balcão, colocando tudo pra dentro e olhando a tv pequena a qual a balconista fitava.
A vinheta do jornal matina soa, e a jornalista começa "Bom dia, nessa manhã de sábado..."
-Sábado? - repeti.
A garota me olhou. Balancei a cabeça negativamente indicando que não me referia a ela.
Hoje é sábado...
Faz seis dias que estou na estrada.
Na manhã da ultima segunda-feira fui a uma loja de motos levando a mochila com dinheiro.
Comprei uma. Deixei o carro na garagem da loja mesmo e já saí pilotando.
Comigo só trazia cartões de crédito, documentos pessoais, e uma vontade de não pensar em nada.
Mas já se passaram seis dias...
Em que cidade eu estava? Será que muito longe de casa?
- Garota, qual a distância até o Recife?
- Recife? É bastante longe, viu.
- Bastante quanto? - faltava-me paciência.
- Uns mil quilômetros, pelo menos.
Bufei.
Tomei o resto do café, fui a geladeira e peguei um cerveja.
" Se tenho que encarar mil quilômetros de estrada, que seja ao meu jeito."
Paguei.
Voltei à moto. Coloquei o capacete, dei a partida e tomei um gole da cerveja.
O motor roncou alto quando acelerei para a estrada novamente.

O sol esquentava o couro da jaqueta. A única peça de roupa que estava comigo desde o começo da viagem. Comprei camisa, calça, cueca e meias na tarde de quinta-feira antes de me dirigir a um motel para passar a noite.
Sozinho num motel. Mas é que nem todos os hotéis oferecem sabonete, desodorante, etc.

Parei para abastecer. Era pouco mais da metade da manhã e já havia percorrido 400 quilômetros.
Moto abastecida. Voltei à estrada.
Agora eu pensava no por que de estar voltando.
Que sentido tem abandonar e depois voltar atrás?
Quando saí da loja de motos eu tinha certeza de que nem tão cedo voltaria a percorrer as ruas da cidade.
Nem tão cedo são seis dias?
Parei a moto no acostamento. Deixei o capacete sobre o tanque.
Foi nesse momento que me dei conta de que não havia chorado a morta dela... de Lívia.

Chorei.

Não tinha certeza sobre o porquê chorava. Se era por tê-la perdido de forma tão repentina, ao pela forma como a perdi, sem ter tido a chance de esclarecer algumas coisas...
Por que ela estava com outro? O que eu tinha feito de errado?
Eu trabalhava demais e dei a ela pouca atenção? Ou dei atenção demais?
Um flashback de nós dois passava em minha cabeça. A traição não fazia sentido.
" Você me enoja! Não quer ver o que está na sua cara."
Disse uma vozinha dentro de mim.
" Se fosse um amigo seu, você estaria completamente convencido de que a garota era um puta."
Não podia ser. Lívia sempre foi amável comigo. Estávamos casados há alguns anos. Nada a faria...
" Nada?! Seu imbecil! Pense direito. Use a razão."
Razão sobre o que?
"Sobre os fatos. Ela abortaria um filho que vocês tanto queriam? Claro que não! Mas ela fez um lindo aborto clandestino tomando algum remédio e deixando sei lá quem tirar dela a criança. E por que ela faria isso? Por que a criança não era sua!"
Não há provas.
" Provas? É por isso que você está voltando."
Era justamente isso!
" Se eu não fosse você, riria da situação."
Não há graça. Eu tenho que saber a verdade. Não quero passar o resto da vida sofrendo sem saber se por amá-la ou odiá-la. Preciso me libertar dessa dúvida.
" Palhaço! Mas se é assim que vai ser, tudo bem. Esclareça o que já é certo para mim. "
Enxuguei o rosto, coloquei o capacete e dei a partida na moto.
Antes de esquecer dessa vida...eu tinha que saber a verdade.


Por HB
terça-feira, 22 de outubro de 2013

Vamos viver para sempre.

Querida
eu realmente não sei
o que deveria saber.
Os aviões sobem e descem
porém nossos carros não se encontram.

Talvez
eu queira te fazer uma surpresa.
Mas você já conhece a dor
e prefere não arriscar
senti-la outra vez.

Lentamente
eu vou te conquistando
para que o horizonte brilhe
e possamos dizer para todos
que eu e você vamos viver para sempre!

A janela
está aberta.
Não adianta chamar
quando não se quer sair.
Saia e me veja
enquanto estou aqui.

O dia esta cinza
mas estou feliz
porque essa tarde podemos dizer
que eu e você vamos viver para sempre!


Por HB.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Relato de um plantonista. [05]

Bep, bep, bep,bep...
Era esse o único som que quebrava o silêncio do quarto da UTI.
Nem mesmo conseguia ouvi-la respirar. E fazia isso com ajuda de aparelhos.
Lívia estava muito pálida. Parecia ter o rosto de cera.
Não tinha mais febre. Estava fria como as paredes do quarto.
A enfermeira tocou meu ombro avisando-me que era hora de ir.
Quis pedir um pouco mais de tempo. Talvez para beijá-la e dizer até logo, ou para  usar um bisturi para abrir a garganta.
Decidi apenas dar as costas e sair do quarto.
O movimento nos corredores estava maior. Devia ser metade da manhã. Como não havia mais nada para fazer. Só poderia esperar.
Só quando já descia do carro, na garagem do prédio, percebi o sangue no banco do carona. De repente  senti meu rosto ficar lívido e em minha garganta fez-se um nó.
Passei voando pelo corredor. Devia estar chorando já que os vizinhos olharam-me com estranheza. Lembro-me apenas de entrar debaixo do chuveiro, secar-me e cair na cama.

Girei a chave do apartamento. Deixei a maleta no chão da sala. Percebi uns papéis em cima da mesa. Lívia devia estar trabalhando. Dirigi-me ao quarto. Antes de abrir a porta ouvi um barulho vindo de dentro. Era Lívia...gemendo?
Abri a porta e a vi sobre nossa cama no ápice do coito com um homem sem rosto. Os músculos das nádegas dele se contraiam enquanto ela virou o rosto para mim e sorriu. Saquei um revolver e disparei duas vezes nas costas dele. Ele tombou e caiu no chão ao lado da cama. Ela gargalhou como nunca a vira fazer.
- Você não pode fazer nada! NADA! - gritou
Puxei o gatilho e com o barulho do disparo acordei.
O celular chamando, de tanto vibrar quase cai do criado mudo.
- Alô.
- Senhor Pedro?
- Sim, sou eu. - sentei-me, coçando do olhos.
- A sua esposa, Lívia, teve uma piora no quadro clínico e gostaríamos que o senhor viesse ao hospital.
- Tudo bem. Estarei aí assim que possível.
- Obrigado, senhor. Estaremos esperando.
Desliguei.
Ela havia falecido. Eu tinha certeza disso. Senão por que a mulher ao telefone diria " Estaremos esperando"?
O relógio marcava cinco da tarde. Vesti-me e voltei ao hospital.
Uma outra enfermeira guiou-me até o quarto andar outra vez. Mas agora entramos numa outra sala. Um homem médico calvo e grisalho, com óculos sem armação, olhou-me por cima das lentes.
- Doutor, esse é o senhor Pedro. - anunciou a enfermeira
- Obrigado. Sente-se, senhor Pedro.
Puxei a cadeira e sentei. A enfermeira saiu.
Sentia-me estranhamente calmo. A sala era bem iluminado, e havia algumas réplicas de carros antigos numas prateleiras atrás do médico.
Olhei bem nos olhos daquele homem de cabelos que prateavam ao redor da cabeça. Quase senti vontade de sorrir.
Poderia dizer que eu estava quase me sentindo bem pela notícia que estava para receber.
- Senhor Pedro, antes de tudo quero que saiba que fizemos o possível por sua esposa. Mas ela infelizmente veio a falecer ha cerca de quarenta minutos.
- Tudo bem, obrigado. - falei com simplicidade.
- Tudo bem? - estranhou o homem.
Respondi com um sorriso. Abri a porta e saí.
Desci até o térreo, passei pela recepção e deixei o hospital.
Procurei na agenda do celular.
Chamou três vezes até Dona Teresa atender.
- Oi Pedro.
- Oi Dona Teresa. Liguei para avisar que Lívia morreu.
- A Lívia o quê?
- Morreu. Está no Hospital Real Italiano. Venha aqui e libere o corpo. - "Mas o que vc está falando?" - Bom funeral. Tchau.
Desliguei e joguei o celular num lixeiro na calçada.
Corri até o estacionamento. Voltei para casa e peguei todo o dinheiro que havia e coloquei numa mochila.
A vida parecia diferente. Os sons eram diferente. As cores também. O mundo realmente mudara ou só eu?
Não sei. Mas nada seria igual a como fora. Tudo mudaria, eu então eu faria mudar.


Por HB.

sábado, 19 de outubro de 2013

Mais um pensamento...

Minha história é igual a de todo mundo e qualquer um. A parte diferente, é que quem viveu fui eu, não todo mundo ou qualquer um.
Senti dor, amei, "ninguém sabe pelo que eu to passando", rebelde, irresponsável. Todo mundo tem um pouco de cada fase. Todo mundo se fode, todo mundo supera, todo mundo faz merda.
Acordei. Não sou somente eu quem tem problemas, não sou somente eu que passei por coisas ruins. Mas isso machuca a mim mais que a qualquer outro pelo simples fato de ter sido comigo. Ninguém sentiu minha dor ou chorou minhas lágrimas, mas choraram as suas, seja pelo que for.
Então nada menos egoísta que olhar pra frente e sorrir. Mas se sorrio, julgam "toda feliz, deve ter uma vida de rainha". Oi?!
Me pergunto mais uma vez: como aprender a viver nesse mundo?

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ansiosa!

- Oi Cibele!
- Ooooi!
- Nossa, esperava mais que um "ooi".
- Hum, tudo bem... Oi, eu sou Cibele, trabalho, sou casada, tenho filho mas também sou gente.
*silêncio*

Fato real.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Jeito complicado

Seu jeito complicado
me faz querer girar o mundo.
No meu hoje,
te daria flores e o sol.
Eu sonho amar você
mas acho que já te disse isso
ha um tempo atrás.

O mundo vai abaixo
e sinto vontade de dormir,
porque mais nada
faz tanto sentido.
Eu sonho amar você
mas acho que já disse isso
o que posso mais dizer?

Seu jeito complicado
me faz querer voar
só pra estar ao seu lado
e ter você pra mim.

O que quer de mim?
As flores ou o sol?
Posso conseguir os dois!

Mas quando estamos juntos
Sinto-me diferente
e não sabemos o que fazer.

O que quer de mim?
As flores ou o sol?
Posso conseguir os dois!

Mas quando estamos juntos
Sinto-me diferente.
O seu jeito complicado
me deixa mal.

É tudo culpa do seu jeito complicado
jeito complicado
jeito complicado
jeito complicado...

Por HB
domingo, 6 de outubro de 2013

O lindo vermelho do sol crepuscular.

Ah! Como eu queria ser o sol.
Nascer do escuro e
ainda iluminar o mundo dos outros.
Ascender firme, sem desvios
sem vacilar.
Dar um motivo bom
para as flores sorrirem
com seus orvalhos brilhantes.

Ah! Como eu queria ser o sol.
Subir o mais alto possível.
Ir onde ninguém jamais chegou
e lá mostrar minha verdadeira força.
Queimar quem de mim
já estar farto.
Aquecer quem de mim precisa.

Ah! Como eu queria ser o sol.
Inclinar-me ao cansaço.
Descer, ainda glorioso,
rumo ao horizonte.
Deitar-me nas colinas e dar ao mundo
uma ultima demonstração de beleza.
Vestir-me de vermelho,
acenando com minha grandeza.

Ah! Eu acho que sou o sol.
Morro no escuro e levo a luz comigo.
Percorro o céu procurando minh'amada.
Mas a lua só aparece
quando vou embora.
Eu, quente e grande,
apaixono-me pela fria e pálida beleza dela.

Ah! Sei que sou o sol.
Amanhã eu volto.
Vivo meu dia
e tento chegar perto dela mais uma vez.

Por HB


sábado, 5 de outubro de 2013

A cabana {e + pensamentos}

Estava sentada nas escadinhas da entrada da minha casinha com meu casaco roxo. Estava bastante frio. Tinha um cigarro na mão e uma caneca de café quente do lado. A neblina estava bastante forte.
As montanhas estavam quase invisíveis, a grama molhada... E eu, pensando na vida.
Ele chegou por trás, me abraçou e sentou ao meu lado.
- O que houve, pequena?
- Nada demais, só pensando no quanto nossa vida mudou.
- Ah, elas só tomaram rumos diferentes... Você tem sua família, eu tenho meus estudos.
- É, mas você lembra de quando imaginávamos que isso aqui seria todo nosso e só nosso? Nossas montanhas, nossa grama, nossa cabana...
Ele calou-se.
Olhei bem para o rosto dele. O mesmo rosto, os mesmos óculos, o mesmo sorriso largo. A expressão era diferente.
Quando eramos nossos, e só nossos, os seus olhos diziam a todo momento que me queriam. Que queriam me ver deitada nua na nossa cama, que queriam me ver tomando banho, que queria me ver dele. Nesse momento em que o olhava, seus olhos eram enigmáticos. Que me queriam, mas que não me queriam. Que me viam, mas que não me viam.
Imaginei que seus óculos estavam embaçados. "Será que não estou nítida o suficiente?". Eu estava clara, meus olhos diziam o que eu queria. Mesmo que não pudesse, queria pelo menos por uma vez...
- Ei, se perdeu nos pensamentos?
- Hã? Que nada... Pode trazer mais café pra mim?
- Hum... Tá certo.
Entreguei a caneca branca na mão dele. Ele deu as costas, subindo dois dos pequenos degraus da entrada e adentrou a porta de madeira.

Me perdi em pensamentos por mais uma vez. Porque imagino dessas coisas?
quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Quases

Meu cigarro quase-na metade
com a fumaça quase-venenosa
Meu copo quase-cheio
Meu café quase-quente
Meu gole quase-completo
Minha língua quase-queimada
passando na tua boca quase-aberta
Minha mão acariciando a tua quase-lá
que me deixa quase-excitada
com teu corpo quase-ereto
que vai te provocar um quase-orgasmo
E depois vou ficar quase-alegre
quase-cansada
Entrarei num quase-relaxamento
num quase-sono
na cama quase-bagunçada
quase-agarrada no teu corpo
quase-entregue
quase-meu,
quase-todo meu
E eu, quase-boba, sou toda tua.
domingo, 29 de setembro de 2013

Diário de um viajante

Um dia inteiro viajando. Isso me levou a refletir. 
Como seria essa mesma viagem, daqui a alguns anos, se ela viesse comigo?
Quem sabe se estivermos casados ou até mesmo namorando. Bastaria estar com ela.
Olhei pra o banco do carona e a vi.
A boca larga e os olhos apertados. O lindo sorriso meigo e sincero.
Uma ultrapassagem perigosa, e aciono os freios do carro bruscamente.
A adrenalina é liberada.
Como seria sentir adrenalina com ela? Senti-la numa outra situação, se é que você, leitor, pode me entender.
Mas, sonhar acordado não é uma boa ideia quando se está dirigindo.
Fixei os olhos na pista e segui ouvindo meu velho mp3 do Bruno e Marrone.

"...goste de mim. Metade da metade do que eu gosto de você..."

É isso que hoje eu peço a ela, pois ela sabe que 

"...não há coisa mais linda que nós dois amando assim..."


[fundo do baú]

Por HB


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

18

"Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito.
Somos suspeitos de um crime perfeito
mas crimes perfeitos não deixam suspeitos."

Happy Bday, dear. Miss u. (L)
segunda-feira, 23 de setembro de 2013

#love

Tentei escrever um poema no qual não falasse de amor.
Comecei errando citando a tal palavra na primeira frase
e me referindo dela na segunda.
Seria tolice minha usar um pseudônimo para ele
já que estaria falando sobre do mesmo jeito.
Não dá...
Vivo a base de amor como uns vivem de morfina.
Muito mais que tolice, tentar não usá-lo.
Ah, vivo de amor e ele me consome.
Até o talo.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Busca interminável pelo inexistente.

Eu me deixei levar pelo tempo corrido. A falta que eu sentia tornou-se comum.
O feijão que eu cozinhava ficou sem gosto.
O onibus que eu pegava ficou mais lento.
O sexo que eu fazia tornou-se rotineiro e sem graça.
As brincadeiras já não tem tanta graça quanto antes.
A ansiedade que eu sentia com coisas novas deixou de existir.
Minha ânsia pela escritura diminuiu bastante.
Minha fome de amor? Dessa eu nem comento.

O diálogo virou monólogo.

Só o que me resta de consolo é meu café e uns cigarros amassados.
Quando me afasto de tudo, lembro de escrever e recordo o quanto é bom. Mas das coisas que listei, essa é a única que eu consigo retomar por completo, mesmo que momentaneamente.

Como diria o poeta Cazuza... O tempo não pára.
E não pára mesmo.

Por CM
segunda-feira, 19 de agosto de 2013

À vocês!


Fiquei muito feliz em perceber que há pessoas, além de Cibele, que leem meus textos.
Saber que alguém quer ler me motiva a escrever. Isso é bom.
Escrever me permite fugir desse ambiente vicioso faculdade/casa. Me ajuda a esvaziar a cabeça.
De qualquer forma, obrigado a todos vocês que acompanham as postagens do blog.
Aproveitem bem meus, seus, nossos textos.

Aliás, "Relato de um plantonista" terá, pelo menos, mais cinco capítulos. Então aguardem!

Por HB

O Mundo


Eu me perdi por querer viver
Às vezes acho que eu não sou daqui,
Não tente me entender

Não pense que eu fui tão bom assim pra você
Ninguém enxerga através de mim
Eu desço a rua olhando pro lado pra ver

Se o mundo ainda é igual ao meu
Se o meu nome ainda está ao lado do teu
Se o mundo ainda é igual ao meu
Se o meu nome ainda está ao lado do teu

Eu não sorri e não me deixei chorar
Mas não pense que eu não sofri
Por viver sem tentar


E quando penso em tudo que eu perdi
Por não dizer o que eu queria
Eu desço a rua olhando pro lado pra ver
Se o mundo ainda é igual ao meu
Se o meu nome ainda está ao lado do teu
Se o mundo ainda é igual ao meu
Se o meu nome ainda está ao lado do teu

Tente entender que ainda vivo tão sozinho
E te ver assim me faz esquecer
Tudo o que eu não quero mais

Então eu vou sozinho a caminhar
E sem destino eu vou tentando te encontrar
Pra te dizer que eu preciso me achar
Pra viver sem me perder

O mundo não é mais o meu
O mundo não é mais o meu

(Rodrigo Tavares - Abril)

Por HB

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Relato de um plantonista. [04]

- Senhor Pedro? - chamou uma voz feminina.
- Já vou. - levantei e já me encontrei na recepção do hospital.
- Senhor, se acalme.
Me dei conta do que estava acontecendo.
- A médica que atendeu sua esposa gostaria de falar com o senhor.
- Como está minha esposa?
- O quadro dela exige cuidado. A médica pode lhe explicar melhor. Me acompanhe, por favor.
Saiu a minha frente. Entramos no elevador e fomos até o quarto andar.
- É por aqui. - disse batendo numa porta. Ela abriu um pouco. - Doutora, ele está aqui. Pode entrar.
Entrei.
Fiquei surpreso ao ver que a médica era uma ex colega de faculdade.
- Oi, Angelina.
- Pedro? Você é o esposo da paciente de deu entrada aqui nessa madrugada? - ela parecia mais surpresa que eu.
- Sou sim. Lívia é o nome dela.
- Isso mesmo. Lívia. - Ela me olhou. Pareceu me analisar. Não nos víamos a um bom tempo. - Pedro, sente, por favor. Vai ser mais fácil explicar a situação.
- O que aconteceu co Lívia? Qual é o estado dela?
Angelina endireitou-se na cadeira.
- Bom, como você percebeu ela estava apresentando hemorragia média. Também estava com febre. - ele me encarava. eu estava muito atento. - Conseguimos conter a hemorragia, e agora ela está recebendo sangue. Porém a febre continua alta.
- Mas, Angelina, eu não consigo entender como ela ficou assim. Eu saí de casa na sexta de manhã para dar um plantão no interior, voltei ontem de tarde e ela estava dormindo. Agora de madrugada eu encontrei ela no chão do banheiro. Não entendo.
- Pedro, vocês planejavam ter filhos?
Franzi a testa.
- Sim. Queríamos crianças. Por quê? O que tem a ver?
- Pedro, eu quero que você tente entender. Lívia está com o útero dilatado. A hemorragia foi causada por, como posso dizer, agressões graves na parede do útero dela. O quadro de infecção está bem acentuado. Tudo me leva a crer, Pedro, que ela tenha feito um aborto clandestino.
O fundo do meus estômago despencou. Afundei na cadeira.
- Impossível.- gaguejei.
- Pedro, você é médico. Sabe que o que estou falando está certo. Eu creio nessa hipótese do aborto. - Ela fez uma pausa. Eu estava olhando fixamente para nada. - Não sei o que pode ter levado ela a fazer isso. Talvez por medo da sua reação. Talvez por medo de qualquer coisa que tenha passado pela cabeça dela. Isso é algo que só saberemos se ela melhorar.
- Eu não acredito...- balancei a cabeça negativamente. - Qual a chance, Angelina? Chance do aborto?
- Sinceramente eu não consigo imaginar qualquer outro motivo para ela se encontrar no atual estado.
- Puta merda! - pressionei as mãos contra o rosto. Senti meus olhos queimarem. Uma maldita lágrima pulou por entre meus dedos. Levantei a cabeça e respirei fundo enxugando as bochechas.
- Pedro, não se culpe. Foi uma decisão dela. Você saberá o motivo na hora certa.
- O motivo eu já sei, Angelina. - levantei o olhar até encontrar com o dela. - Eu sou estéril.


Por HB.   

Relato de um plantonista. [03]

Consegui voltar à capital no fim da tarde de sábado. Logo que meu plantão no interior acabou apostei corrida com o tempo e cheguei rápido.
A rotina, que é rotina, repetiu-se.
Estacionei o carro na minha vaga. Apanhei minha mala no banco de trás. Entrei no elevador e pressionei "07". Lembrei-me durante meu caminho ascendente que seria bom fazer algumas compras ainda hoje. Fiquei com isso na cabeça. Eu costumava esquecer com frequência.
Girei a chave.
- Lívia? - chamei
Não houve resposta, mas ela estava em casa. Vi seu carro na vaga ao lado da minha.
A sala ainda estava clara por causa da luminosidade do sol poente que penetrava pelas frestas da cortina.
Passos cautelosos até o quarto. Abri a porta bem devagar. O ar-condicionado estava ligado. Ela dormia toda encolhida no edredom. Deixei-a quieta.
Abri a mala largada segundos antes do chão da sala. Peguei  a toalha e fui tomar um banho.
De banho tomado, voltei ao quarto em busca de roupas limpas. Vesti-me de forma confortável. Decidi ir às compras. Cogitei acordar Lívia, mas enquanto eu buscava as roupas ela parecia dormir tão profundamente que achei melhor que ela descansasse.       
Fiz uma listinha do que faltava num pedaço de receita médica. Não me dei o trabalho de procurar outro papel. Era mais prático abrir a mala e pegar um no bloco.
Daí as coisas seguiram comumente.
Desci, dirigi, fiz as compras, peguei um leve congestionamento na volta, estacionei, subi, guardei as compras.
Lívia continuava dormindo.
Pedi uma pizza para o jantar. Quando chegou, tentei acorda-la. Ela me respondeu com um grunhido parecido com um 'não'.
Comi três fatias assistindo um programa sobre mineradores de ouro que passava na TV.
O programa acabou e eu já estava de barriga bem cheia. Escovei os dentes e fui me deitar.
Devia ser, no máximo, unas nove horas. Eu teria boas horas de sono até a manhã seguinte.


Acordei sentindo um vazio na cama. Lívia não estava ao meu lado. Passei a mão no celular sobre o criado mudo ao lado da cama. Era três e meia da madrugada.
Levantei e sai do quarto. A luz do banheiro estava acesa, mas a porta fechada.
- Lívia? - chamei sonolento.
Não houve resposta.
Bati na porta e chamei novamente.
- Oi. - disse ela com um gemido.
A voz dela definitivamente não estava normal.
Tentei abrir, mas estava trancada por dentro.
- Lívia, você está bem? O que está acontecendo?
Com o ouvido na porta escutei ouro gemido.
- Lívia, abra a porta! - bati com mais força.
- É só minha barriga que está ruim. - disse sufocando a voz- Pode ir dormir.
Isso me deixou preocupado.
- Tem certeza?
Silêncio.
Um baque surdo. Ela caiu no chão.
- Lívia. Lívia! Abre isso, Lívia. - eu quase esmurrava a porta.
A tranca girou. Abri a porta e a vi deitada no chão cerrando os olhos com força.
Ajoelhei-me e ergui um pouco sua cabeça. Havia sangue no assento da privada, um pouco no chão, e bastante entre suas coxas.
- Lívia, o que aconteceu? Me diz!
Ela estava quase se contorcendo. Fechava os olhos com força e gemia.
Eu tinha que levá-la a um hospital urgentemente.
Corri a procura da chave do carro. Abri  porta do apartamento. Voltei ao banheiro e encontrei Lívia desmaiada.
Ergui-a com facilidade. Tinha pouca mais da metade do meu peso.
Deitei-a no banco de trás do carro e fui para o hospital.
Voei pelas avenidas da cidade. Ultrapassei sinais vermelhos. Cheguei ao pronto socorro.
- Eu preciso de uma maca! - berrei dando a volta no carro para tirar Lívia.
Entrei na emergência com elas nos braços. Coloquei-a na maca e fui acompanhando a equipe que levava ela para dentro do hospital quando uma enfermeira me segurou.
- Senhor, você não pode passar dessa porta.
- Eu sou médico. Médico.
- Entendo senhor, mas por favor deixe ela conosco.
Parei enquanto Lívia sumia por trás da porta que eu não podia passar.
- Senhor, o que ela é sua?- perguntou a enfermeira.
- Minha esposa. - respondi automaticamente.
- O que aconteceu?
Passei a mão pelo rosto.
- Eu não sei. Acordei e encontrei ela no chão do banheiro.
- Ela está grávida?
- Não.
- É hipertensa ou diabética?
...

As perguntas se seguiram até o momento em que a mesma enfermeira pediu que eu fosse ao banheiro me lavar. Não tinha percebido, mas meu braço estava sujo de sangue.

Pouco mais de uma hora depois eu estava na recepção. Mãos na cabeça, acho que chorava.
Vi meu reflexo no vidro da portaria.
...
Se eu estava parecido com o pai do garoto?
Sim, estava.


Por HB.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Relato de um plantonista. [02]

Eu e minha esposa, Lívia, estávamos fazendo amor numa floresta, eu acho. Não lembro das árvores, só das folhas secas sob nós. O calor de suas pernas. O arfar da respiração. Alguém chamando ''Doutor...''
Doutor?
"Doutor..." - chamou outra vez.
Abri os olhos para o teto escuro. A luminosidade era pouco e entrava pela porta semi aberta. Uma silhueta feminina se esgueirava. "Doutor...", voltou a chamar.
- Oi.
- Doutor, chegou uma sutura.- falou a enfermeira.
- Diga que já estou indo.
- Certo.

Levantei coçando os olhos. Fui ao banheiro jogar água fria no rosto. Me balancei para acordar mais. Com o óculos sobre o nariz saí para ver o paciente.
Na sala de sutura estava um rapaz de uns vinte e poucos anos. Só de bermuda, com braço sujo de sangue coagulado,e apenas um corte de uns seis centímetros sobre a sobrancelha. O corte já estava limpo, e o material de sutura estava pronto. Agradeci a enfermeira e ela saiu.
- Qual seu nome? - perguntei calçando as luvas.
- Rodolfo.
Percebi que ele estava bêbado.
- Rodolfo, eu vou aplicar uma anestesia pra a gente fazer a sutura sem doer, está certo?
- Mais a anestesia vai doer?
- Não, não. A agulha é bem pequena, está vendo? - Apliquei uma anestesia de leve. Ele, bêbado como estava, nem precisava. Mas pelo fato que ter perguntado se a anestesia iria doer, percebi que ele não era, como posso dizer, muito "macho". A anestesia demoraria uns dois minutinhos para fazer efeito. Puxei conversa.
- Como foi esse corte, Rodolfo?
- Eu caí quando tava saindo da piscina.
A bermuda dele realmente parecia estar molhada.
- A festa estava boa, não era? - Ironizei. 
Devia ser umas duas da madrugada de um sábado. Meu plantão, aos sábados, era num hospital numa cidadezinha do interior. Costumava ser tranquilo, e eu dormia. Só algumas vezes que um bebum desmaiava em alguma budega e era levado ao hospital por seus amigos também bebuns.
- Festa? - resmungou se esforçando para se manter sentado.- Eu queria era morrer!
Fique surpreso.
- Ôpa! Que conversa  é essa rapaz?
Ele começou a balançar a cabeça negativamente. Cheguei a pensar que ele perderia o equilíbrio.
- Ela não 'pudia' ter feito aquilo não.
Um bebum que lamenta por uma mulher. Já vi isso antes.
- Ela quem?- perguntei já deduzindo a resposta.
- Janaína. Minha namorada.
- Não acredito! E o que Janaína, tua namorada, fez? -  Confesso que estava me divertindo.
Depois de alguns minutos de uma história que não parecia ter começo nem fim, interrompida inúmeras vezes por gemidos quando eu comecei a fazer a sutura, eu entendi que Janaína era balconista de loja e que estava tendo um caso com seu chefe. Rodolfo, ao descobrir tudo brigou com ela, e eles acabaram o namoro. Ele, depois disso, encheu a cara de aguardente e tentou se matar afogado na piscina de seu sobrinho, que ele repetiu três vezes que era filho da sua irmã.
Terminada a sutura, tentei dar uns conselhos.
- Rapaz, tu esfria cabeça. Pensa direitinho. Tenta falar com Janaína. e...
- Não! Falo com aquela rapariga não. Ela pensa que eu sou o...- e recomeçou a ladainha.
Quando os ânimos acalmaram eu chamei a irmã dele, que estava do lado de fora da sala, e entreguei uma receita com o nome do anti-inflamatório que Rodolfo deveria tomar.
Já de saída, a irmã de Rodolfo perguntou:
- Doutor, o que ele falou pra o senhor?
 Eu sorri.
- Falou muito numa tal de Janaína.
- Misericórdia! Faz mais de seis meses que ela terminou com ele, doutor. E toda vez da que ele começa a 'roer' por ela, bebe e fica assim.
Fui surpreendido.
- Muito obrigada, doutor. Tchau.
- Tchau.
Fiquei sentado uns minutinhos pensando e rindo da história de Rodolfo que depois de tanto tempo ainda não tinha aceitado o fim do relacionamento. Sei que não devia achar graça, mas ele me contou tudo com tanta 'veracidade' que eu juraria que tudo aconteceu dias atrás.
Me deixei enganar pela conversa de um bebum apaixonado.
Voltei para meu quarto rindo de mim mesmo.
Deitei na cama, fechei os olhos. Sorri só mais um pouquinho, e tentei voltar aos braços de Lívia sob as folhas da floresta.


Por HB.
terça-feira, 23 de julho de 2013

Relato de um plantonista. [01]

Meu plantão acabou as 19:00. Mas só consegui chegar no estacionamento, que fica no subsolo do hospital, por volta das 20:00. Girei a chave, engatei a marcha ré, rumei para casa.
Eu morava no sétimo andar de um edifício que ficava a uns 30 minutos desse hospital.
As vias principais ainda estavam congestionadas. Reclinei mais um pouco o banco e liguei o rádio.
O que chamam de sucesso do momento, ao meu ver, nada mais são do que perturbação sonora. O pendrive estava no porta copos, coloquei no aparelho de som e deixei que as faixas, já bem conhecidas, fossem sendo executadas aleatoriamente.
Acionei o portão da garagem do prédio, entrei. Estacionei na minha vaga, peguei a pasta, acionei o alarme.
Fiz isso sem prestar atenção. No modo 'automático'.
Eu estava com os pensamentos presos num mesmo fio desde que saí do hospital.
Entrei no elevador, pressionei "07". Não me olhei no espelho, nem procurei a câmera para sorrir ao porteiro.
Eu não estava para sorrisos.
Giro as chaves do apartamento, abro a porta.
Minha esposa me olha. Ela estava sentada à mesa da sala, com uma pilha de papéis a sua frente.
O oclinhos de armação branca bem na ponta do nariz.
- Oi, amor. - ela me disse voltando a atenção aos papéis.
- Oi, minha linda.- fechei a porta e girei a chave. - Processo novo?
- Hã?
- Processo nosso? - repeti mais áspero.
- Não, não. To revendo uns detalhes de um caso passado.
- Ah.- beijei-a na testa. Larguei a minha pasta numa cadeira, sentei-me na outra.
Respirei fundo e cocei os olhos.
Quando eu queria conversar sobre algo do trabalho eu costumava dar dicas para que ela perguntasse. Dessa vez ela não perguntou.
- Você fez jantar?
- Comprei lasanha. É só tirar sua porção e esquentar, se precisar. - respondeu sem levantar a cabeça.
Fui à cozinha, tirei um pedaço da lasanha e esquentei. Pequei uma lata de refrigerante e voltei para à sala.
Comecei a por tudo para dentro sem sentir  o sabor. Eu estava sério, olhando o canto oposto da da mesa. Ela, da ponta da mesa, finalmente percebeu meus sinais. Ficou me olhando e, por fim, perguntou
- Perdeu um paciente? - seus papéis não eram mais tão interessantes.
- Foi. - respondi.- Mas isso é normal.
- Eu sei que é. Não é normal você ficar assim.
Permaneci calado. Comendo.
- Quem foi?
Lembrei por mais um segundo rosto dele.
- Um garoto. Tinha nove anos.
- Poxa, amor. - ela se levantou e veio me abraçar. - Qual a história dele?
Fiquei de lado, de forma que ela pudesse sentar na minha coxa.
- Não sei bem. Pelo que disseram a babá foi pegar ele no colégio, agora no fim da tarde, e na volta pra casa foram atropelados. Ela sofreu uma fratura na perna e uns arranhões. Ele foi arrastado pelo carro.
- Ai! Coitado.
- Pois é. Ele ainda estava acordado quando chegou...
Senti um aperto mais forte no peito. Como se eu quisesse chorar.  Eu não estava sendo sincero.
Ela pousou minha cabeça no seu busto. Acariciou minha nuca.
- Você conhecia ele?
- Não. Mas de alguma forma eu me identifiquei com aquele garoto. Ele segurou meu braço...apertou.- sentei meu rosto contra a pela quente dela. - Ele me olhou pedindo ajuda. Não como os outros, mas como se eu fosse o pai dele, não sei...não sei.
- E os pais dele?
- Quando meu plantão acabou eu fui na recepção perguntar sobre eles. Ligaram para o pai. Ele estava saindo do trabalho quando falaram do acidente. Ficou preso no trânsito e só chegou pouco antes de mim na recepção. Estava chorando, falando ao celular.
Houve um momento de silêncio.
- Você se parecia com ele?
Pensei bastante na imagem dele. Mãos na cabeça, rosto molhado. Desesperado.
Não olhei por mais de três segundos para ele, mas ainda podia vê-lo nitidamente.
Como eu reagiria no lugar dele? Me pareceria com ele?
- Se eu me parecia com ele? - repeti a pergunta - Acho que sim.


Por HB.

domingo, 14 de julho de 2013

Expressão do amor.

Bom dia, boa tarde, boa noite!
Estou passando só para dizer
que mais do que qualquer outra pessoa,
eu sou feliz.
Feliz por ter um filho maravilhoso e saudável,
um marido que me ama muito
e eles dois são simplesmente a razão do meu viver,
juntinhos, do jeito que só sou completa com os dois.

A gente descobre que é feliz quando passa por dificuldades financeiras e emocionais e mesmo assim a gente continua de pé, amando, juntos na alegria e na tristeza literal!
Por isso tenho orgulho de gritar pro mundo inteiro ouvir, se necessário, que eu to ruim de grana, to ruim de estresse, ruim de cansada, ruim no psicológico; mas to ótima de amor. E olhe que meu limite de amor não está nem na metade ainda...
Agradeço primeiramente a mim mesma por ter força e coragem pra continuar a viver assim; em segundo, ao meu marido (que é lindo aos meus olhos) que dá todo apoio e conforto a mim e ao meu filho; em terceiro ao meu próprio filho, que apesar de nem entender tudo que se passa, é quem mais me dá vontade de viver cada dia mais.

Enfim, peço desculpas a vocês que leem isso (que não devem ser muitos, além do HB), mas precisava expressar isso pro mundo. Já não conseguia falar isso somente a eles.
quinta-feira, 11 de julho de 2013

Tenha paciência.

Tenha paciência, meu futuro amor.
Não sei quando vou te conhecer. Pode ser amanhã ou daqui a alguns anos.
Tenha paciência, meu futuro amor.
Não sei como vamos nos conhecer.
Talvez eu te atropele com minha bicicleta, ou você pode ser minha nova vizinha. 
Talvez você estude comigo, ou venha perguntar onde comprei minha camisa de banda.
Talvez eu, que sou muito chato, vá reclamar do som alto no seu apartamento, ou te elogiar no elevador por achar sua voz bonita quando você canta.
Tenha paciência, meu futuro amor.
Pois só com você fazer sexo nem vai ser tão necessário.
Faremos amor, numa manhã de domingo, quando estivermos nós dois de folga.
Tenha paciência, meu futuro amor.
Seu beijo será para mim um motivo para querer viver um pouco mais.
Tenha paciência, meu futuro amor.
Faremos bem um ao outro sem perceber. Por que será mágica nossa ligação. Por que quando finalmente estivermos juntos isso que digo agora fará sentindo.
Tenha paciência, meu futuro amor.
E me perdoe por não saber quando nem como nos encontraremos, mas saberei quando te encontrar. E caso você não perceba de cara, eu te aviso. Apenas sorrirei, e você, se realmente for você, saberá que o sorriso quer dizer "Oi, quer ser feliz comigo?"  


Por HB.
domingo, 7 de julho de 2013

Desculpas.

Aprendi que um homem de verdade não deve viver com muitos arrependimentos.
Sou daqueles que prefere se arrepender pelo que fez do que pelo que deixou de fazer.
Entretanto, há uma coisa que todos nós (isso mesmo leitor, você também), deixamos de fazer por qualquer motivo: pedir desculpas.
Que fique claro que esse post está me ajudando a tirar um peso de cima de mim. Afinal, comecei a escrever com esse intuito: aliviar a carga. Talvez nenhuma das pessoas a quem minhas desculpas são direcionadas as recebam (leiam), mas o simples fato de expô-las já é quase o bastante.



Desculpa por ter entrado na sua vida. Por te fazer me amar e não amar de volta.
Mas talvez eu tenha amado, mas você não viu.
Desculpa pelos desacertos. E pela minha incrível capacidade de te culpar por eles.
Desculpa pelas vezes que te traí. Eu te desculpo pela que fui traído.
Desculpa por te magoar com tanta frequência. Me odeie por isso. Você tem todo direito.
Mas saiba que nenhuma das vezes essa foi minha intenção. Se eu soubesse dos riscos que brincar conosco, teria me divertido com fogo. Seria menos doloroso.
Talvez você fosse uma linda flor num campo, e eu um cavalo a correr sobre ele. Minha passagem fez você sentir algo novo, mas acabei te deixando destruída. E como eu tenho cascos, toda vez que tentava de consertar, fazia ficar ainda pior.
Desculpa pelas vezes que fizemos amor. E pelas vezes que não fizemos, também.

E o nós mudou o time. Ficamos mais duros, talvez metal.
Mas não diria que sou metal, sou vidro.
Você tentou me arranhar, mas como ferro não arranha vidro, eu te arranhei.
Sobre isso eu não peço desculpas. Não me arrependo.

Todavia, venho com novas desculpas pelos meus joguinhos sentimentais.
Dou-lhe um alerta: não tente jogar comigo, você irá perder.
Não sorrio dos seus sms de manhã, mas sempre respondo ":)"
Desculpa, desculpa mesmo, por te fazer de boba.
Já senti vontade de dizer que "Não sou o cara pra você. Gosto de cerveja, rock e motocicletas." Mas acho que sabemos que você,que gosta de leite morno, MPB e conchinha, sabe.
Peça desculpas por ter entrado na minha vida. Tudo seria mais simples se você não me viesse à cabeça toda vez que abro outra Heineken.
Mas se devo pedir desculpas a você por alguma coisa, que seja pelos meus pensamentos sujos que tenho contigo antes de dormir.
Desculpas pelas saudade que sinto de coisas que ainda não vivemos. E por sempre te ajudar a complicar, coisa que você já faz muito bem sozinha.

Desculpas, agora, a você, leitor, que leu isso até o final. Desculpa pelo tempinho de vida que te fiz perder.
Mas se você conseguiu saber como me sinto em qualquer uma das situações anteriores, não faça o mesmo que eu. Não escreva desculpas num blog. Vá até essa pessoa a quem você as deve, e faça.


Por HB

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Passo >

Depois escrevo aqui. To meio sem saco, meio  sem tempo.
Apesar da inspiração, falta-me vontade.
sábado, 29 de junho de 2013

Somando ex-amores.

Acordo triste por ter sonhado, mais um vez, com um ex-amor.
Triste porque meu ex-amor agora é o amor de outro.
Ando por aí, meio perdido, seguindo pé ante pé.
Quando escuto a risada, logo a minha frente, que me lembra um ex-amor.
E todas as vezes que fiz esse ex-amor rir me vem à mente, mas agora não me dão mais nenhuma alegria.
Os fones me ouvido me salvam dos risos.
O trash metal faz meu cérebro querer explodir, mas é minha saída para não me implodir nas memórias.
Me distrai.
Vejo um casal de mãos dadas, e lembro daquele ex-amor, a mais complicada. A que soltava minha mão quando ficava com raiva. A que andava na frente só para fazer com que eu corresse para acompanhá-la.
Pensando bem, hoje eu não correria mais. Deixaria ir embora.
Entre uma Heineken e outra, oscilo meus pensamentos conturbados. Vou de feliz a triste num gole!
Faço uma soma de todos meus ex-amores. Das lembranças que existiram e das que eu inventei por prazer.
O resultado dessa equação ainda leva variáveis de razão e emoção. Afinal, quem nunca tentou ver uma mesma situação por esse dois lados, não sabe a verdade sobre amar.
E quando já conto meia dúzia de garrafas vazias, solto um riso embriagado.
Por que não há equação, nem soma de ex-amores, nem verdade entendida que me impeça de causar ou sofrer com as dores, os efeitos colaterais, desse jogo de amar.


Por HB
quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sumi!

Prefiro crer que o mundo todo é do jeito do meu mundo.
Peço perdão pela tontura e tremedeira que dominam meu corpo neste momento, mas sinto que é assim que deve ser.
Meu dinheiro é meu, meus direitos (apesar de poucos) são meus.
Peço perdão pelas palavras sem sentido aqui, mas não sei o que escrever. Tenho poucos amigos e muita vontade de tê-los.

Ah, me deixa, vai.

Piada da madrugada!

Se o derivado da vaca é o leite, e o derivado do leite é o queijo. Então se eu integrar o queijo duas vezes eu obtenho uma vaca??
Engenheiros entenderão!!

(HB, sua piada é tão ruim que me deu câncer!)

Por HB
domingo, 23 de junho de 2013

3 vezes vinho + papel e caneta =



Nunca sei o que posso fazer
Para curar os vários vestígios
De você que ficaram dentro do
Meu peito.



Mas sei que você não tem
Culpa da morte da minha alma
Simplesmente porque antes de você 
Eu nunca tive uma, e quando
Você se foi, o nada se desintegrou.



É muito ruim tentar levantar
Quando minhas pernas e braços
Estão quebrados. 
Eu posso suportar todas as dores
Mas esta sua indecisão está
Acabando com meu último sopro
De vida, porque não paro de esperar
O dia que você vai se decidir. 



E espero que seja logo e que quando
Chegar a hora de escolher o melhor.
Escolha a mim, porque a cada manhã
Sinto esse sonho mais distante da realidade.


Por HB