E antes de dizer "tarde demais", eu quero te dizer: não volto mais aqui.
Quantas vezes esperei até o dia começar?
Quantas vezes acordei sozinho no mesmo lugar?
Quantas vezes eu achei que alguma coisa ia mudar? E eu fiquei sem nada...
Eu já fiz mais do que eu consigo aguentar!
Eu já rezei pra tudo melhorar. Eu já pedi a Deus pra ele me salvar.
Mas quando abro os olhos, não acredito em nada.
Eu já morri, eu já quis te matar.
Já fiz o que ninguém consegue suportar.
Se quiser mudar minha vida, comece de agora.
Desculpa, tudo que vivi foi profundamente...
Eu te ensinei quem sou... E você foi me tirando os espaços entre os abraços.
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade de me inventar de novo.
Desculpa se te olho profundamente, rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais nos seus traços.
A ponto de ver a estrada, muito antes dos seus passos.
Eu não vou separar minhas vitórias dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim; Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser...
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente.
Numa palavra, te sinto longe.
Mesa quadrada, cada um em uma extremidade dela.
Uma troca de olhares infinita e um silêncio constrangedor.
Eu saio, educada o suficiente para te lançar um sorriso irônico.
Tua face sem expressão não dura muito.
Te levantas quase que automaticamente, me puxas e me apertas contra teu peito.
Teu cheiro me arrepia, me acalma e faz com que me sinta segura.
Sorrio.
Sem saber o que fazer, fico alí, imóvel.
O tempo passa, o sol nasce... Eu acordo.
That's just my dream!
Perco noite de sono pra te imaginar. E mesmo assim, quando o cansaço finalmente me ganha e pego no sono, te encontro nos meus mais lindos sonhos, me sorrindo com uma ternura inigualável!
Que assim seja.
Especialmente hoje, me vejo no reflexo da janela com os olhos daquele jeito em que elogiarias o dia todo, se os visse.
Mas ultimamente, só de chegar perto, fecho-os; escondo-os de ti e de quem quer que seja.
Não sabe que só de ver o nome dele chamando na tela do celular, meu coração acelerou de uma maneira que eu já não lembrava como era. Que falar comigo, e me mostrar que ainda se importa com o que eu penso me faz querer ainda mais estar perto dele de novo, sentindo o cheiro da roupa limpa dele e a barba me arranhando o rosto.
Fica a sensação de alívio e de esperança; Que sim, tudo pode voltar a ser como era.
Acho que não dá pra gente se esquecer, a começar de que "se for pra lembrar de algo bom, eu sempre vou lembrar de você". Essa frase permanece com o significado e sentimento intactos! Essa e todas as outras.
Mas que fique bem claro que temos agora nossas prioridades, e elas não correspondem a nós simultaneamente. Somos como pedaços superpicados na memória um do outro e dos outros. Pedaços e memórias lindas!
Nada há de voltar a ser como foi um dia.
De todos os sentimentos que eu, como humana, já fui capaz de sentir, o que com certeza predomina quando me refiro a vocês é ORGULHO. Orgulho de todos! Pelo que se tornaram, por terem conseguido chegar aonde estão, ou por terem ao menos tentado estar em algum lugar.
Vocês fazem parte da minha vida como minha segunda família.
Obrigada por todos os momentos que pude viver com vocês. A falta que eu vou sentir é indescritível! Amo vocês, e muito!
Me peguei chorando por uma coisa que aparentemente não tem volta: uma simples decisão.
Trocar o tudo, o certo, por algo arriscado ainda não faz sentido pra mim.
Eu, agora, sinto todas as dores que um dia eu poderia sentir.
Porque pedir pra voltar já não adianta mais... Nenhuma ação vai mudar o que aconteceu.
Só peço desculpas a mim a ti. Me perdi de você; Te perdi de mim.
Aleatoriamente. Simples: o que vem. Descrito.
- A de AMIGOS. Estão bem presentes na minha vida, como só pude perceber agora. Uns de verdade, outros nem tanto... Mas quem liga?
- B de BRIGADEIRO. Tenho uma porção deles pra fazer.
- C de CARINHO. Que graças a Deus eu recebo todo dia dos meus amigos, da minha família e até de pessoas que moram bem longe de mim. Carinho não é a mão que passa nos cabelos soltos, e sim o sentimento que se passa a qualquer um.
- D de DENTE. Tenho exatamente 28, e apenas um deles já me fez perder várias noites de sono.
- E de ESTUPIDEZ. Essa me estressa profundamente, sabe? Proximidade piora ainda mais.
- F de FOLHAS. De outono, de papel, de primavera... Umas riscam, outras caem, já outras, são rabiscadas. Mas são só folhas.
- G de GUERRA. Sobrenome? Não, definitivamente, não! Guerra que quer paz, que pode ser a nossa guerra.
- H de HISTÓRIAS. Que tenho tantas pra contar...
- I de INVEJA. Disfarçada, que quer ser um e é outro. Dessas que procuram o melhor de cada e absorve pra si, sabe? Ou simplesmente dessas que quer e ponto!
- J de JARARACA. Não preciso comentar, certo? :)
- L de LIVROS. Que me fazem tanta falta, que me dão preguiça e até sono! Mas as palavras quem embalam toda uma história? Não se comparam.
- M de MENTIRA. Dizem que dizem, fingem que dizem, dizem que fingem, fingem que fingem... Cadê o sentimento?
- N de NAVIOS. Nunca andei em nenhum.
- O de ÓCULOS. Grande medo de usá-los. Não ficaria bem em mim. Esconder o brilho dos olhos (que acho de mais bonito em mim) atrás de uma lente? Não, obrigada.
- P de PAIXÃO. Vem e vai... E vai ser sempre assim.
- Q de QUEIJO. Seja qual for o sentido, não gosto muito. Engulo, mas o sabor não me agrada.
- R de RAPOSA. Adoro! Principalmente a do Pequeno Príncipe!
- S de SAUDADE. Invade o meu coração cada vez em que eu fecho os olhos. De momentos, pessoas, risadas, vozes, brigas, lugares, olhares... Sorrio lembrando, pensando que já fui mais feliz.
- T de THALES. Paixão ou até mais. Ou na verdade, bem mais. Me atormenta até hoje.
- U de UVA. Uva Isabel, pra ser mais precisa. Nunca falta na casa da minha tia. Invejo-a por isso.
- V de VACAS. Não essas que fazem "moooom", essas são legais. Mas da que na tua frente é uma coisa, e depois é outra, saca?
- X de XADREZ. Gosto um pouco, quase nada. Ou até demais, já que 80% dos meus backgrounds são assim.
- Z de ZEBRAS. Brancas com listras pretas ou pretas com listras brancas?
Na verdade, estou repleto delas.
Não tenho é coragem pra falar."
Nas conversas que temos, nas músicas que cantamos. No que somos e nunca deixamos de ser.
Eu acredito que podemos ser muito fortes, muito mais. Podemos ser como todos, e o tudo pode ser capaz. Eu quero suas mãos, suas ideias e defeitos, que me ensine o seu jeito, enquanto aprende o meu. Quero que faça sentido, que seja proibido, mas que entre nós todos não exista lei. Quero ser tudo que tem graça, que tem gosto e da pra sentir. Quero o que mais me da vontade, e quero vontade pra prosseguir. Quero voar, mergulhar, morrer e matar a vontade de querer."
Os pés descalços não me deixam correr para alcançá-lo.
O vejo já distante, acenando com um sorriso estranho no rosto.
Me perco em lágrimas, até que ele desaparece em meio a multidão.
Não queria que fosse assim.
Esperava que o destino me surpreendesse mais uma vez e o trouxesse de volta pra mim.
Durmo então com a sensação de derrota, tarefa incompleta e incorrigível, com a esperança de acordar desse pesadelo com ele me olhando e rindo, como um bobo.
- Não tem ninguém. Estamos sós.
- Esqueceu alguma coisa?
E por mais uma vez, só me resta a saudade.
Meus dias estão (bem dizer) contados. Meus e nossos.
Preciso com urgência os abraços mais sinceros, as conversas mais sérias, os sorrisos mais bonitos... Só eu sei a dor da falta que já sinto.
É preciso enxergar um ponto positivo em tudo que acontece.
A gente, como um todo, precisa de mais força de vontade pra realizar o que quer; A gente precisa ser mais humano com o mundo.
Nada disso aqui é definitivo. Tudo passa.
Tudo fora, tudo no lixo.
Não sei, mas acho que estou mudando...
Meus olhos transbordaram. Doeu saber que não escutas mais meu coração te chamar, que não ouves mais quando ele canta teu nome...
Perdida sem rumo chorei, pedindo aos céusque me ajude, que essa dor leve que me deixe partir...
Sem você, meu amor, de que me serve ficar?
Hoje o dia foi mais triste. Esse punhal entrou um pouco mais e meus olhos escureceram, foi noite em pleno dia. Não ouves mais a melodia do amor... Endureceu teu coração? Que levaras da vida? Abre teu coração, seja você: meu amor, meu menino...
Te espero se ainda me ama... Eu te espero!
Fico a pensar e imaginar as situações; tudo muito óbvio, transpssando a barreira da total orginalidade.
"O bom autor não conserta ou faz reparo em suas obras", já frizava a queridíssma Amanda Sotero.
Não escrevo para evitar reparar, e assim tentar me tornar uma boa escritora.
Um grande amigo me indicou alegando ter lembrado-se de mim ao assistir. Assim que soube, procurei informações sobre o filme, li a sinopse várias vezes, até de trás pra frente pra tentar entender o porquê da lembrança. Até que recorri as fotos. Um pouco de tudo se esclareceu ao ver o olhar da Amélie. Um olhar doce, esperto e ainda covarde, como diria o 'Homem de vidro'. Fiquei super entusiasmada pra assistir logo o filme, embora só tenha tomado coragem mais de uma semana depois.
No começo não consegui juntar tão be as semelhanças entre mim e a Amélie. Nem no meio. Somente no fim fui capaz de entender tudo que se passava.
Ela sente prazer com as coisas mais simples da vida, como jogar pedras no canal... E se vê no total e inlienável direito de viver no mundo das fantasias e ser infeliz no mundo real.
Mas calro, muitos (quase todos) devem me ver assim, como se eu mesma quisesse minha inflicidaded, afinal, eu consegui encaixar a mim mesma nesse padrão.
Tenho um medo estranho de encarar a realidade, e como refúgio, vôo para o mundo imaginário. É verdadeira a semelhança.
Mas chega um certo momento na vida de Amélie que a felicidade literalmente bate em sua porta. E ela a deixa entra.
Tomo isso, a partir de agora, como uma lição em que eu não posso deixar a minha felicidade ir embora como já deixei muitas vezes.
Adorei o filme e os conselhos indiretos, meu amigo. Obrigada por tudo!
Tenho em mente, agora, pessoas, ações, palavras e objetivos novos.
02h47
Trocávamos risinhos de tempos em tempos. Em outros, gargalhadas, que eram pausadas somente pelos tragos demorados do teu cigarro. "A grana tá curta, tenho que economizar!" Achava cômico e fofo. Me fazia querer apertar tuas bochechas, do mesmo jeito que minha avó me fazia.
Passava segundinhos te olhando, analisando cada traço do teu rosto, as curvas do teu corpo magro, que esbanjava tentação. Ficavas vermelhinha, deixando as barroquinhas fundas à mostra. Morrias de vergonha de mim.
Estávamos numa intimidade surreal, pra mim. Sentadinhas no chão da varanda, tentando fazer mágicas com a fumaça do cigarro. Só nossos pés se tocavam, e só às vezes.
Dizias: "Não pinto as unhas! Uso somente base para unhas fracas." E eu te achava cada vez mais frágil...
Estava ficando tarde e mais ainda pra ir só pra casa; Convidei para dormir em minha cama enquanto eu dormiria no sofá. Aceitou, cheia de vergonha.
Levantei cedo, como de costume. Fui até o quarto. Encostada no vão da porta, te olhava dormir, toda encolhidinha de frio. Cada ossinho da tua coluna à mostra me deixava no teu desejo.
Te viraste, como se soubesse que eu estava alí. Se espreguiçou e me desejou um "bom dia" baixinho, com os olhos quase pretos apertados.
Tomou um café rápido, apressada. Disse que não podia perder a hora em plena quinta feira.
Saiu, quase correu porta afora com uma bolsa vermelha e um casaco roxo nos braços. Voltou correndo e me deu um beijo na bochecha e desejou sem olhar pra trás um outro "bom dia".
Fiquei ali por uns minutos, rindo de mim. Estava bem à vontade, só com um blusão com um dos lados caído. Voltei para minha cama, deitei. Senti teu cheiro que era forte, mas me lembrava bebês. Dormi como um anjo.
/Cheiro forte, preciso; Vontade indescritível.
Não se sabe ao certo o que é, muito menos as dimensões, mas é vasto e está livre por aí, voando e pousando em cada esquina que passa.
Ai teu jeito...
Ai tua timidez...
Ai nossa cumplicidade...
Ai teus olhos...
Ai! ... Um espinho!
E ninguém vai poder me julgar, dizer que não tentei, porque isso eu tentei como nunca tentei fazer algo bem em toda a minha vida.
Não sou eu quem faz as regras, apenas sigo-as. Estou sendo obrigada a agir assim.
Não reclamem, foram vocês que provocaram isso tudo.
- O quê?
- Eu falando de gostar.
- E daí?
- E daí que vai acontecer tudo de novo.
- O quê?
- Vou sentir demais, falar demais, escrever demais, você vai embora.”
Amor desperdiçado, criatividade, sinceridade, carinho, afeto; Encontrei também muitas peças da raiva, da ironia, da falta de compreensão...
Mas o que me chamou atenção foi a ausência de somente uma: confiança - não tinham nem rastros dela.
Sentei, passando uma das mãos por cima delas, sentindo uma nostalgia misteriosa que me deixava profundamente enjoada.
Achei tudo tão cômico!
Sorri do chão, do tapete, das peças, da nostalgia, da náusea, da falta e exagero de tudo.
Sorri de mim, sozinha em casa.
Sorri de cada momento que eu pensei que se eu quisesse e me esforçasse, daria certo.
Sorri de cada risada que dei.
Chorei. Pensei, e a nostalgia voltou em dobro, pra acbar com a minha tarde.
Levantei, enxuguei o rosto e varri tudo de volta para debaixo daquele tapete empoeirado, que foi testemunha do nosso amor e satisfação por várias vezes.
Parecia que ele gargalhava de mim, enquanto as lágrimas escorriam.
Tequila me animaria, em dias comuns. Mas não animou nesse sábado de sol.
Fiquei bêbada, e esse foi o fim.
Não sou assistida, lida, nem decifrada por ninguém, eu sei disso. Mas é isso que me incentiva a escrever e não parar nunca mais.
Escrevo palavras aleatórias, em fila indiana. E tudo que eu queria, era somente ter o ritmo e o dom pra fazer algo bom e realmente prazeroso de se ver. Inveja, talvez tenha, de quem sabe fazer bonito. Eu, infelizmente, não sei.
Entre mofo e morangos, passeiam suas obsessões as personagens quase sempre anônimas. Frescos morangos vermelhos mofados alimentando latas de lixo jogadas pelo asfalto da grande cidade. Movimento em direção a um palmo de qualquer luz. Ou sombra.”
O Caio: Ele sim tinha plena sabedoria e consciência sobre o que escrevia. E, quem sabe, até para quem escrevia.
da madrugada,
da palidez,
das palavras clichês sob o papel amarelado.
dos dedos gélidos,
da pupila dilatada.
do cabelo assanhado,
das lágrimas caindo no rosto molhado.
e do querer permanente dele.
das palavras sussurradas,
do medo,
da lua alva,
da tinta falha.
das rimas,
da objetividade (ou da falta dela).
do toque suave,
do uivar dos cachorros da rua.
Sou noturna do querer e não poder;
do olhar e não ver.
Não principal... Quem me dera! Secundária, somente.
No começo, não sabia ao certo do que se tratava, mas continuei fazendo meu papel.
Atuei bem; Dei tudo de mim! Com isso, ganhei o controle total.
Continuei.
Não me importei com a pontuação, nem com os erros, nem a caligrafia.
Mas meu erro, único erro, foi deixar alguns atuantes, que não faziam falta nem diferença, opinarem. Mudei o rumo da história.
Só perdi.
Botei um ponto final na história que tinha tudo pra dar certo.
Levei reclamações de quem me deu o direito de exercer aquele papel, de quem me apoiou para continuar alí.
Abri mão de tudo.
Com um tempo, foi me batendo uma saudade de fazer aquilo, de estar onde estava...
Uma saudade misturada com vontade tão grande, que voltei.
Dei início não a uma continuação, mas a um parágrafo, na mesma história.
Fiz tudo diferente, e continuo fazendo.
Nenhum personagem não-atuante, ou atuante não-personagem da figuração, me fará mudar o que quero fazer.
Ainda estou "autorando".
Quero e sei que posso melhorar. Vou fazer, e vou conseguir, porquê não?
Que seja dividida em infinitas partes; muitos parágrafos!
E que nunca acabe.
*Eu te abraçando...
*Meu corpo colado ao teu, minha respiração ofegante em teu ouvido.
*Meus lábios quentes a descer pelo teu pescoço;
*Minhas mãos em tuas costas
*Descendo devagar, dedilhando cada costela.
*Imagina só, pegando forte em tua cintura,
*Te levantando e pondo na cama.
Ei, acorda, Cibele.
Estava vasculhando uma pasta de coisas antigas e achei muitas coisas tuas. Diziam tantos sonhos que queria realizar comigo, tentavas comparar o amor que sentias por mim com o universo e muitas outras coisas grandiosas. Senti um sorrisinho escapar no canto da minha boca.
Carreguei a pasta até a sala, fui até a cozinha e peguei uma garrafa do meu melhor vinho. Sentei-me no chão mesmo e organizei as cartas em ordem cronológica. Beberiquei um pouco até começar a ler, e quando li a primeira, me sentia afogada em tanta nostalgia. Como pode, um amor tão lindo, acabar por tanta besteira? Sentia tua falta.
Tentei imaginar como teria sido se eu tivesse dito as palavras certas nas horas certas, se não tivesse feito tantas tempestades em copos d’água. Chorava muito. Levantei a cabeça e me pus onde eu realmente estava. Parei de chorar, até sorri de mim mesma. Recomecei a ler, mais rápido dessa vez. Sorria, até gargalhava agora.
Encostei-me no sofá, ainda com um sorriso bobo na boca. Puxei uma mecha do cabelo e enrolei-a, repeti esse gesto muitas vezes. Bateu uma saudade imensa do teu abraço quente. Senti vontade de te ligar, até peguei o celular e o pus mais perto de mim, mas pensei: “E se não me atender?” e fiquei preocupada. Fiz então um trato comigo mesma: Só te ligaria quando acabasse de beber o vinho desta garrafa (ainda bem que já estava na metade).
Não sabia se bebia devagar para não ficar embriagada, ou se virava a garrafa para ouvir logo a tua voz. E no meio de todo esse dilema, notei que faltavam somente alguns goles para terminar. Virei logo a garrafa na boca e tomei uns cinco à sete goles... Não me importei nem em por na taça.
Olhei, ainda desencorajada, para o celular. Fui deixar a garrafa vazia na cozinha. Quando levantei, senti o mundo inteiro girar, e sentei novamente. Contei até 10, bem devagar, e levantei lentamente.
Voltei até a sala, peguei o celular a fui até a letra ‘v’, passando nome por nome até chegar no teu. Respirei fundo, com os olhos fechados, disquei o teu número e pus no ouvido. Fechei o celular rápido e com força quando ouvi “O número chamado está fora de área ou não existe”. Tive vontade de apagar alí mesmo.
Estava com os olhos fechados, tentando me concentrar em algo que não fosse você. Até que sinto o celular vibrar ao meu lado, no assento negro do sofá. Estava chamando. Àquela hora não poderia ser ninguém do trabalho, muito menos nenhum dos meus “amigos”. Olhei. Fiquei extasiada ao ver teu nome escrito na tela. Caí em mim, peguei o celular rápido e atendi:
- Alô?
Fiquei tranqüila ao ouvir tua voz dizer:
- Meu amor? O que houve? Vi que ligaste pra mim...
Sorri, sentindo uma felicidade imensa dentro de mim. Sentia o coração bater acelerado e os seios arfarem pela respiração rápida.
Estavas preocupado comigo. Me chamaste de “meu amor”, ainda! Pedias mil desculpas por não ter conseguido atender...
Acordei dos meus pensamentos ao ouvir tua voz quase furiosa:
- Estás aí?
- Ei! – Falei calmamente – Estou com saudades...
Ouvir teu riso leve foi como música para os meus ouvidos.
- É, também sinto saudades de ti.
Sorri, sem emitir som.
- Estou por perto da tua casa, – Continuaste a dizer – Posso ir aí pra te ver?
Concordei com um “sim” silencioso, desliguei o celular e corri até o quarto; precisava trocar a roupa, lavar o rosto... Troquei e fui lavar o rosto na pia do banheiro. Ao levantar o rosto, tomei um susto ao te ver encostado à porta, refletido no espelho. Me virei, assustada, com o rosto pingando, estava descabelada ainda.
- Sabes que ficas extremamente irresistível com o cabelo assim? – Disseste me olhando.
Sorri vermelha, sem saber o que dizer. Virei para o espelho e enxuguei o rosto com uma toalha vermelha. Me viraste de volta pra ti e me abraçaste forte, com uma mão nas minhas costas e outra em minha nuca.
Sentia-me protegida e totalmente controlável. Soltava risinhos prazerosos involuntariamente. Puxei teu rosto com as duas mãos e beijei tua bochecha direita. Tu sorrias.
- Sabes que esta não é a vontade de nenhum dos dois.
Eu sorri, deixando meus lábios se abrirem enquanto ainda estavam encostados em teu rosto.
Seguraste meu rosto com uma das mãos e me beijaste ferozmente. Sentia tua vontade transbordar pela tua língua firme e pelos toques das tuas mãos passando sobre as minhas costas de baixo para cima, de cima para baixo, deixando-as, às vezes, “escorregar”. Eu segurava-te com força, apertando-o, como se tu foste sumir alí, do nada. Passava meus dedos entre teu cabelo, agora longo, segurando e puxando com força para trás.
Me suspendeste do chão e me levaste até a sala. Eu sorria por dentro, sabia que o controle que possuía sobre mim, tinha permanecido intacto! Me soltaste devagar no chão, e te sentaste no canto do sofá. Viste as cartas com tua própria letra espalhadas no chão. Pegaste-as e, soltando uma por uma, disseste:
- Quem diria, hein guria... Depois de quatro meses longe, cá estou eu, sentado em tua sala mais uma vez!
- Onde você estava, pra chegar tão rápido? – Eu perguntava, tentando mudar de assunto, encostada à parede com os braços cruzados.
- Na verdade, já estava na portaria, quando liguei de volta. Vim correndo quando soube que tentaste ligar.
Minhas mãos e testa suavam. Estava nervosa por ouvir aquilo tudo. Dizias também que sentias a necessidade de me proteger. Meus olhos brilhavam!
Passou um silêncio pela sala. Tu me olhavas “pensar”. Me olhavas de cima à baixo, sorrias, mordias os lábios... Eu fingia pensar; tentava me concentrar em algo, mas não conseguia, sentia-te me olhando.
- Essa vontade de ti está me matando, guria! Vem cá pra perto de mim, vem!
Corri para perto de você e pulei em teus braços. Sabia que as paredes, por mais uma vez, seriam testemunhas do nosso amor.
Beijava-te, insana! Começaste e percorrer meu rosto com a língua, descendo para o pescoço. Meus braços e pernas se arrepiavam por inteiro! Desceste até meu colo, lambendo-o e mordendo-o freneticamente. Já te sentindo dentro de mim, fazia movimentos sincronizados, lentos e rápidos. Perdia tua boca entre meus seios. Tu apertavas e guiavas meu quadril para fazer exatamente o que querias.
Eu gemia de dor, prazer e saudade. Sorria e mordia os lábios de alegria. Tu soltavas “ais” lentos e palavrões baixinhos... Nossa respiração estava ofegante, suávamos muito, fazíamos o ritmo acelerar.
Senti molhar. Você parou, gritou um “ai” silenciosamente ensurdecedor, com os olhos fechados e a respiração ainda ofegante.
Agarrada em teu pescoço, descansei. Tu me olhaste de lado, sorrindo. Beijou-me, levantou-se e sugeriu um banho. Concordei, contanto que me carregasse. Sorrindo, me levantaste do sofá e me levaste, dando beijinhos miúdos na ponta do meu nariz.
A água gelada caía em nossas peles quentes, fazendo arrepiar. Abraçados, embaixo do chuveiro, trocávamos beijos românticos. Acabamos; saímos e fomos ao quarto.
Deitamos, ainda sem as vestes, trocamos carícias com os olhos fechados. Você adormeceu. Fiquei a te olhar, pensando em toda a mágica que tinha acabado de acontecer.
Levantei, silenciosa, já ao clarear do dia, e vim escrever, pra sempre lembrar, quando estiver perdida na minha tempestade de nostalgia periódica. E, afinal, não sei quando estarás aqui outra vez.
-
Sentia meus olhos revirarem.
Mordia meus próprios lábios.
Sentia minhas mãos apertarem o nada.
Mexia as pernas constantemente;
Para cima, para baixo, para os lados...
Balançava o quadril.
Algo abaixo de mim balançava também
Num ritmo diferente do meu: mais rápido.
Abri os olhos, olhei para o lado.
E lá estava eu, sonhando outra vez.
Em meio a tantos ares que sopravam pra o lado oposto, tantos gostos e “quereres” similares e diferentes, apareceu em minha varanda um pássaro que fugiu d’uma gaiola que estava muito distante... Pousou na minha janela e se pôs a cantar. Todos os dias.
Gostei do seu canto, do seu ritmo e das suas cores... Guardei-o em mim; não preso, mas com liberdade total para ir embora quando bem quisesse. Permaneceu em minha casa, sob os meus domínios.
Te guardarei aqui, em mim, até quando não puder mais.
Te libertarei ao mundo, quando der a hora certa.
Depois de passar por tantas situações ruins, a única coisa que me veio em mente foi pegar o carro e correr pra bem longe. Beber. Sozinha.
Sentei ao canto direito, perto do banheiro feminino e do balcão.
Tinham muitos homens alí. Mas um, em especial, me chamou a atenção. Estava a falar com o garçom. Ele deveria ter uns 35 anos... Pálido, cabelo castanho claro com alguns feios grisalhos perdidos. Aparentava estar embriagado, mas falava tanto de uma mulher jovem, e com tanta firmeza, que estava concentrada nas suas palavras.
- Quer alguma coisa? – Disse uma mulher gorda, aparecendo na minha frente, interrompendo meus pensamentos.
- Não, não! Logo mais peço.
Dei um sorriso torto para a mulher e voltei a vista para o homem. Não consegui achá-lo mais; não estava mais a conversar com o garçom. Passei uma vista rápida pelo bar, mas não achei aquele rosto cansado e expressivo perdido em canto nenhum.
Fui até onde ele estava sentado.
- Ei! Onde está o homem que estava bodejando aqui? – Perguntei ao garçom.
- Foi ao banheiro, vomitar. – Falava calmo, enxugando dois copos de cachaça.
Sentei mais ao lado, para não ficar exatamente aonde ele estava.
Voltou, com uma das mãos na barriga, e a outra o apoiando por onde passava. Sentou-se, e como se eu estivesse ali há muito tempo, disse:
- Não te deixes amar, moça... Não te deixes amar!
Com certeza estava embriagado. Identifiquei logo aquele modo de falar... Aquele sotaque... Era gaúcho, também! Senti uma pontinha de antipatia pelo homem, depois um pouco de saudade precoce do meu gaúcho.
Eu sorri, para não parecer grossa.
- Concordo com o senhor. Amar só nos faz bem em certos momentos.
- Báh! Senhor não, senhor não! Tenho 38 anos... Mas sim, pequena, amar só é bom quando nos convém.
Criei uma simpatia extra rápida pelo homem. Eu sorri, meio sem graça. Concordei com ele balançando a cabeça. E antes que pudesse falar algo, ele veio me dizendo:
- Ah! Deixe-me contar-te minha história...
Não intervi; estava muito curiosa.
– Eu era feliz com aquela mulher, apesar de todos os homens que ela tinha. Pois já sabes, ela era da vida...
Eu vi uma pontinha de dor nos seus olhos a falar nisso. Se não tivesse tão interessada na história, e se ela não estivesse mantendo meus pensamentos tão longe do meu gaúcho, pediria para que parasse.
- Queria construir uma vida com ela. Filhos, casa, boa comida, tudo de melhor... Mas ela não se importava com os meus sentimentos, era egoísta demais. Pensava somente em si própria, nos seus bens materiais. Fodeu com a minha vida... Foi embora faz 2 meses com outro homem pros lados da Alemanha, e desde que ela me disse ‘Adeus’, eu venho aqui aconselhar os pobres jovens. Mas é, guria, não ames... Só vais machucar a si própria.
Me senti uma menina mimada ouvindo-o falar.
- Mas e o que acontece, se eu vos disser que já amo, e estou por um fio? – Perguntei, séria.
- Não deixe esse amor ir embora. Faça o impossível! – Disse o homem com um sorriso no rosto e um brilho estranho nos olhos.
Abri um sorriso largo, com os olhos cheios de lágrimas. Dei um beijo na testa do homem. Ele não entendeu.
- Obrigada pelo conselho, era tudo que eu precisava: incentivo! Vou correndo atrás do meu amor! – Disse já me afastando dele.
Seus olhos tinham um brilho intenso, agora. Sorria, acenando para mim.
- Vai, guria, vai! Boa sorte!
Saí correndo do bar, sorrindo, deixando várias lágrimas no caminho. Chovia muito. Entrei no carro, disquei o número do gaúcho.
- Estás em casa?
- Sim, estou. – Com a voz cansada que eu tanto gosto. – Por quê?
- Estou passando aí. – Falei desligando o celular.
Liguei o carro, acelerei e fui pro apartamento pequeno que não era muito distante do meu.
Pensava em como chegaria a sua casa, como o abraçaria, o que faria ao vê-lo... Pensava na barba roçando no meu pescoço, me causando arrepios, e realmente me arrepiava naquele momento. Pensei no homem do bar, o qual eu não sabia sequer o nome, e no conselho que ele me dera. Passei três sinais vermelhos.
Cheguei à portaria e pedi para que não fosse anunciada. Subi pelas escadas, não pensava na possibilidade de esperar elevador: demoraria muito! Talvez tudo que precisava, fossem somente umas palavras... Não queria mais pensar nisso.
Cheguei à porta branca do sétimo andar, toquei a campainha. Passei uma vista rápida ao lado esquerdo, me vi refletida no espelho. Calça jeans, botas pretas de salto alto, camiseta básica com um casaco verde-lôdo com capuz caído. Bolsa na mão direita, cabelos assanhados, maquiagem forte. Estava suando.
Ele abriu a porta, finalmente. Estava ainda com a calça jeans azul escura, folgada e a camiseta branca e larga. Cabelo um pouco molhado, também assanhado. Estava lindo!
- Mas o que fazes aqui, depois de toda discussão?
- Não quero que aceites essa proposta de emprego. Não me vejo longe de ti. – Pulei em seus braços, soltando a bolsa. – Fica, por favor!
Ele me empurrou para longe do seu corpo. Seu rosto tinha uma expressão confusa...
- Guria, não posso. É a minha vida.
Não consegui evitar a queda de duas lágrimas, uma em cada lado. Caíam escurecidas, pela tinta dos meus olhos. Ele me olhou, sentindo-se culpado; me abraçou. As lágrimas, agora, caíam de lote.
- Vê se entende: é uma chance única. Não posso desperdiçar... – Separando-me dele, novamente.
Acho que perdi a consciência nessa hora: o bati no rosto. Fiquei assustada, parada, sem reação. Segurou meus punhos forte e me balançando, gritou:
- Estás louca?
Estava chorando, desesperada.
- Não vê que não podes fazer isso comigo? Eu amo você, quero muito continuar te fazendo mais feliz que sempre foste... Superando o sentimento a cada dia! – Passando as mãos no meu rosto com força, ficando suja da tinta.
Me soltou e foi para longe. Andava de um lado para o outro, pondo as mãos na cabeça e jogando-as com força contra as próprias pernas. Eu o olhava, soluçando. Avistei a mala, quase pronta. Abaixei a cabeça, chorei mais.
- Me desculpa... Mas preciso fazer isso, guria... Vê se entende... – Murmurava devagar, com a cabeça baixa, encostado na varanda.
O olhei, longe; parei de soluçar. Levantei lenta e silenciosamente. Já de pé, com o rosto sujo de tinta preta, falei, olhando para o chão:
- Acho que não posso fazer mais nada por nós dois.
Saí, silenciosa.
Há quem se atreva a descrever sonhos com palavras repetidas e que não chegam aos pés da total satisfação.
Há também quem acredite em príncipes encantados montados em cavalos brancos, em amor à primeira vista e eternos... Assim como há quem acredite em prazer com goles de bebidas quentes e velhas, com fumaça presa no pulmão e esforço físico.
Existe somente e absolutamente tudo que queremos. Quebrar essas paredes, muros e barreiras que os antigos impuseram involuntariamente na mente da sociedade, pode ser um prazer sonhado, ou um sonho prazeroso.
"No homem, o desejo gera amor; Na mulher, o amor gera desejo."
Mas é aquele ódio gostoso, aquele ódio sinônimo de desejo, de tesão... Pois eu consigo misturar raiva e vontade resultando em algo realmente bom, algo com gostinho de quero mais. Sou sádica e com orgulho disso, um orgulho maléfico, daqueles que você não sabe se sairá vivo de cada experiência física comigo, daqueles onde cada vez é uma aventura, uma tortura, um tom mais alto de gritos e gemidos.
Sinto meu coração bater mais rápido e um frio percorrer meu corpo. Deixo escapar um sorriso.
Não sei como definir isso. Também não sei as proporções das minhas vontades. Mas você, como nenhum outro, está bem acima de muitas coisas na minha lista de prioridades.
Ela tinha os cabelos castanhos, meio encaracolados na altura dos seus pequenos seios, e eles arfavam por cada vez em que ele a fazia algum elogio. Ela adorava-o. E ele a amava! Mesmo tendo mil e um motivos para não fazê-lo.
Era bonito, forte, jovem. Tinha uma barba que o deixava com aspecto mais maduro. Gostava de ver-se assim. Ele poderia ter em mãos qualquer moça da pequena cidade, mas queria somente a ela. A menina que lhe encantara o bom gosto, o dom pela escrita e a face, quando avermelhada.
Ele a dissera mais uma vez:
- És linda! – com o tom de voz baixo.
Ela corava. Tentava esconder-se prendendo um dos cachos atrás da orelha.
Estavam mais perto que o de costume. Ele poderia chegar a tocá-la. Mas ela não o deixava fazer, apesar de toda vontade que a habitava.
E ela sabia que desejava-o mais que tudo neste mundo. Sentia-se envergonhada só de pensar nisso, ele a olhava de um jeito encantador, deixava-a com as pernas bambas! Mais parecia que conseguia ler sua mente pelos olhos. Por isso ela nunca o olhava diretamente.
Ele sabia que tinha controle total sobre ela. Sentia isso somente de tocar-lhe as mãos gélidas de dedos finos: suava, não o deixara tocar-lhes por muito tempo. Ele mudava de expressões a todo instante. Pegava-se sério, navegando em pensamentos proibidos, e em poucos instantes, a sorrir por saber que estava no poder.
Afastam-se bruscamente: a mãe dela invadira a sala calçando as luvas negras.
- Filha, estou indo à modista fazer aquele vestidinho azul xadrez... Vens? – e antes que ela respondesse: – Melhor não... Deixar-te-ei com tua visita. Mas não me demoro, volto num pulo! – e saiu abrindo o guarda sol.
Ela o fitara, ainda de longe, e sorria timidamente. Ele se aproximara dela, conseguindo até ouvir sua respiração forte. Ela estava imóvel, sentada no canto do sofá cor-de-goiaba, não conseguia mexer um músculo.
Ele chega bem perto e põe-se a beijar seus braços. Logo percebe os pêlos arrepiarem-se. Aumentou o ritmo e subiu até os ombros. Conseguia ver seus olhinhos verdes revirarem.
- Enfim! – disse baixinho, quase ao pé do ouvido.
Ela estremecera. Deu um leve sorriso para desviar a atenção. Mas não conseguira. Os olhos cor de avelã a deixavam a suspirar. A sua vontade era jogar-se aos braços e enchê-lo de beijos!
Enquanto pensava nisso, ficou parada. E quando percebeu, ele estava olhando-a cheio de ternura.
- O que se passa dentro dessa cabecinha?
Ela rira, sem saber o que responder. Continuou calada.
Ele de algum modo, adivinhou o que se passava ali. A puxou para mais perto e soltou-lhe os cabelos presos por uma fita rosada. Mexeu-se muito neles até dizer:
- Ficas mais bonita assim. – Chegando cada vez mais perto.
Deu-lhe um beijo na maçã do rosto. Ela, de olhos fechados, estava fria e rígida, parecendo ser feita de mármore. Abriu os olhos e procurou o seu olhar. Viu-se perdida em meio a tanto sentimento percorrendo seu corpo. E, sem mais pensar, jogou seus braços por cima dos ombros dele e lançou-lhe um beijo inocente.
Ele sorriu breve, malicioso. Enrolou seus braços por entre a cintura fina dela e beijou-a.
Ela se lançara para ponta do sofá. Estava sem fôlego.
Ele a olhava rindo. Ela sorria também, morrendo de vergonha.
Ele aproximou-se dela, afastou seus cabelos para o lado e beijou-lhe o pescoço. Viu sua mãozinha apertar forte o vento. Ria por dentro.
Ela estava nervosa, sem saber mais o que fazer! Nunca tinha pêgo-se numa situação destas! Olhou-o:
- Vais pra casa, vais! Xô! Logo mais minha mãe chega. – Sua voz dizia, mas seu coração pedia com toda força para que a negasse a ordem.
Não se via no direito de pedir para ficar. Levantou-se e pôs o chapéu em mãos. – É, vou-me indo mesmo... Está anoitecendo. – Fizera um bico, como uma criança.
Ela sorri, caminhando até a porta principal, feita de jatobá; ele vai atrás. Abre-a e o deixa passar.
Ele se põe a sua frente, pondo o chapéu na cabeça.
Já fechando a porta, enfia-lhe a cabeça para fora e diz com os cachos todos fora do lugar:
- Vens amanhã? Às duas? – Sorrindo.
Vira-se olhando-a; sorrindo...
- Venho, meu amor, eu venho!
O abraço grande e protetor, as mãos quentes, os ombros largos, a barba mal feita... Cada pedaço de mim tá te amando cada vez mais, a medida em que passamos mais tempo juntos, quando me fala besteiras...
Me fizeste mimada e agora te preciso presente a todo instante. Te preciso como nunca precisei de ninguém.
Imagino sonhos, prevejo diálogos, presinto sensações, e tento te mostrar, mas sou muito contraditória e acabo confundindo as palavras na hora de te dizer o que quero. Mas podes ter certeza absoluta: Eu quero você aqui dentro ou somente perto de mim. Eu quero só você.
A sala está sendo invadida por sentimentos incomparáveis...
Preciso de um bote ou qualquer outra coisa que me mantenha suspensa, para que eu não me afogue nisso tudo.
Mas tudo que eu mais quero é ficar abraçada contigo... Não ligo que afundemos, desde que estemos juntos, nada mais vai importar.
É como se o simples fato de viver, superasse o amor pelas palavras.
Está explicado, desde então, se não postar pelos próximos dias.
O calor delas passa para a minha perna direita.
Fico nervosa, corada. Ninguém nota.
Precisaríamos de muito mais,
ou só mais algumas gotas. Tanto faz!
Adiar a ida.
Tudo faz querer mais.
Bem mais...!
Me encontro num lugar claro, lotado de pessoas, e elas falam muito! Fazem muito barulho.
Tento então te achar no meio delas. Ando muito entre as pessoas, passo os olhos em cada rosto, mas nenhum deles é o teu.
Fico nervosa, ando mais rápido, quase corro pra te encontrar. E o nervosismo não ajuda em nada, ao contrário, atrapalha muito.
Começo a correr, grito teu nome... De nada adianta. Tenho a sensação de estar passando pelo mesmo lugar duas vezes, vendo as mesmas pessoas. Fico confusa.
Canso. As pernas, agora, tremem; me sinto forçada a parar.
Caída no chão, me ponho a chorar, querendo gritar teu nome que só sai como sussurros.
O silêncio diminui, todas as pessoas desaparecem, te vejo longe, vindo na minha direção. Sorrio, aliviada. Levanto, ainda chorando e vou de encontro ao teu abraço quente.
Chego, por fim, bem perto, chego a sentir tua barba crescida nas pontas dos meus dedos.
Te abraço e, como se virasse fumaça, você desapareceu nos meus braços.
Estou agora, abraçando a mim mesma, chorando.
Antes de conseguir pensar, acordo assustada, ofegante na minha cama desarrumada. Te vejo ao meu lado, abrindo os olhos lentamente, querendo saber o que estava se passando.
Sorrio de mim por ser tola. Ainda deixo uma lágrima clara e redonda cair do canto do olho direito.
Você me abraça dizendo “Calma guria, calma... Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.”.
Sinto o mundo parar de rodar. Sinto teu coração batendo leve e devagar. Ouço somente tua respiração alta por cima da minha cabeça.
Me afasto, passo a mão por entre os pêlos da tua barba, acariciando teu rosto.
“Obrigada por voltar pra mim e não deixar o que quer que seja nos separar.”
“Ei, pára! Eu prometi estar contigo enquanto te amasse. Não tenho motivos para me afastar de ti.”
E é exatamente agora que eu deixo lágrimas, dessa vez de pura felicidade, molharem meu rosto.
Um abraço, um carinho, minha cabeça em teu peito... Nós dois bem próximos na minha, que agora é nossa cama.
A madrugada silenciosa passa e nem notamos.
Ao amanhecer, te olho nos olhos e te digo “Bonjour, mon amour!”;
E tu falas baixo ao meu lado, com um sorriso malicioso no canto da boca “Sabes que não resisto quando falas francês.”
Me deita por debaixo dele, e tira meu pijama. Seus gestos são delicados e rápidos, deixam suas intenções bem claras.
Não te impeço de fazer nada. Tu sabes que eu sou tua.
Cada toque dos teus dedos frios em minha pele faz arrepiar, cada gemido teu ao meu pé do ouvido me faz delirar, cada movimento deixa minha respiração cada vez mais rápida.
Não me controlo. Passo meus braços ao redor da tua cintura, por debaixo dos ombros e começo a arranhar-te as costas. Meu bojo pulsa frenético mesmo com a fricção.
Tu gemes cada vez mais alto.
Te jogas em cima de mim, aliviando o peso um pouco para o lado, encostando tua cabeça em meu peito esquerdo.
Tu sorri, satisfeito. Eu sorrio por te ver assim.
Tu me olhas, ainda sorrindo. Teus olhos castanhos cor-de-amêndoa brilham. Enxergo uma felicidade absurda dentro de ti.
Enxergo uma possível e provável felicidade para nós dois.
Então, não sei o porquê de não tentar viver sem escrever. Na verdade, não sei o porquê de não tentar viver de verdade, somente. Conselho de uma grande amiga.
Talvez eu deixe de passar minhas escolhas e alguns atos vividos por mim.
A oportunidade de ser feliz está a minha porta, me chamando, e eu não vou deixá-la ir embora.
Marcamos um encontro num restaurante moderninho.
Cheguei primeiro.
Pedi uma garrafinha de água perrier, tinha de ser perrier e um pacotinho de M&Ms de chocolate.
Me distraí.
Ela chegou, sentou e só então me sorriu.
Foi logo dizendo:
— Que bonitinho, você aí tomando água francesa com um pacotinho de balas de chocolate.—
Nada se movia, mas haviam movimentos extremamente rápidos, causando náuseas. Os gemidos eram, agora, mais altos; Notáveis, quase tocáveis.
Movimentos uniformes preenchiam a sala; tudo piscava (as cadeiras, a mesa, os tapetes, o lustre magnífico), graças ao revirar involuntário dos olhos claros e negros.
Corações palpitavam rápido, um par deles. O sangue corria depressa nas veias, deixando a temperatura dos corpos alta.
Sentia-se uma umidade quente também... Talvez pelas gotas de suor que escorriam das testas previamente polidas.
Então puseram-se parados e silenciosos. Pouco tempo até risinhos miúdos encherem novamente o lugar. Estralar de beijinhos ao ver a luz do sol invadir toda a casa e ofuscar a visão.
A distância, para diminuir a temperatura e tensão, foi deixada vencer pela saudade do abraço apertado e cheio de sentimento.
Até se encherem de saudade e necessidade de ida pela hora, foi tudo mais que ótimo; Mais que perfeito.
Mergulho em lembranças, e me afogo nelas.
Difícil lidar com a falta de um pedaço meu, bem aqui dentro.
Eu sinto falta do cheiro da tua roupa lavada, dos teus olhos procurando os meus na madrugada escura, da tua mão fazendo movimentos rotatórios em minhas costas... Do arrepiar intenso e silencioso dos meus pêlos ao receber o teu toque de surpresa.
Te sinto cada vez mais distante... Cada vez mais fora do meu alcance. E com pouco tempo, não vou conseguir mais sequer te manter no meu campo de visão.
Meu medo faz transbordar meus olhos.
A vista embaçada me impede de ver nitidamente; não consigo enxergar onde está meu maço de cigarros, não consigo ver as luzes da cidade do meu vigésimo primeiro andar.
Não consigo mais escrever.
Não quero mais lembrar. Nem chorar.
É estranho te ver longe por tanto tempo... Imissu.
venho-te um abraço dar;
Enxuga teus lindos olhos
se minha que eu sei-te amar."
"Eu não sei se essa é sua intenção, mas você está me fazendo perceber que eu posso ser feliz sem você. Diz que me ama, mas suas atitudes só me provam o contrário. Não vou esperar você decidir se me quer ou não na sua vida. Tenho muita coisa aqui pra te oferecer, mas sabe o que é? Sou incompleta, também preciso receber. Portanto, não se assuste se um dia eu acordar com a capacidade de te olhar nos olhos, sorrir e dizer adeus."
Caio Fernando Abreu.
Você sabe que é pra você.
Ou não...
B: Não.
A: Prefere então que eu simplesmente não fale?
B: Isso cabe a você decidir. Eu tento te afastar pro NOSSO bem emocional e psicológico, tu não se afasta, muito pelo contrário, faz de um, tudo, pra se aproximar de mim. Tu evita me ver, mas quando a gente tá perto um do outro, eu fico no teu pé, igual a uma pirralha pentelha, querendo conversar.
A: E eu adoro.
B: Sinceramente, as vezes até penso que eu preciso de você pra viver, do mesmo jeito que você precisa de mim.
A: E tem razão.
B: Mas o que me faz te ignorar tanto pelo msn é que quando a gente conversa frente a frente, tu só fala da tua namorada... Que ela me odeia, que ela não gosta da gente juntos... Que ela tentou ficar parecida comigo, um dia... Que ela não gosta de quando você vem pra cá, porque EU moro aqui... Isso desestimula demais, você não tem noção! Depois que eu comecei a conversar com você, eu perdi meu rumo (se é que eu tinha um). Ao menos sabia o que queria... Mas hoje, nem isso eu sei mais. Tu confundiu minha cabeça, meus pensamentos, meus ideais, meus sentimentos, minhas palavras... Eu, desde então, nunca mais consegui por nada em ordem, POR TUA CAUSA. Eu te ignoro, te evito, tento te afastar, mas é sempre com aquele pensamento "não vai não!" porque eu não vivo sem tu! Tuas besteiras, tu me chamando atenção, tu me xingando ou me elogiando... Isso é muito bom e totalmente ruim! Eu não me concentro mais em PORRA nenhuma porque você me bagunçou. Não que eu pense em você, mas qualquer coisa que não seja o que eu pensava antes, prende minha atenção. Nem me controlo mais. Mas você pode notar isso facilmente.
A: Sabe que escutar simple plan e conversar contigo não são atividades que devem ser feitas juntas? Pra ser sincero, eu tb estava assim só que aprendi que lutar contra seria inútil. Então resolvi viver com isso. E sabe de uma? É muito bom saber que há você na minha vida. Acho que você também sente isso. Fico feliz, feliz mesmo. Sei que um dia vamos nos resolver, nem que seja da maneira mais trágica possível. Mas um dia tudo será resolvido, e sei que o melhor jeito para isso é ficarmos juntos.
B: Tu pensa demais num coisa que não tem solução. Isso, que a gente diz sentir um pelo outro, não é nada mais que coisa de adolescente. Excitação, talvez. Isso não vai levar a gente a lugar nenhum! Talvez, a solução pra minha vida esteja bem debaixo do meu nariz e eu procuro muito além do horizonte, saca? tu tem que viver tua vida, e eu a minha. Eu te esqueço, e tu me esquece. Eu na minha, tu na tua. Tu com tua namorada, e eu sozinha, ou com quer que seja.
A: Tu pode até estar certa, mas eu gosto de ter esse 'romance'(?) contigo, então vou curtir o máximo que puder ele, pois eu realmente gosto. E não vou abrir mão nem tão cedo.
Perdi a esperança quando não achei tua mão direita, a qual segura o causador da fumaça. Fiquei parada, em choque, de olhos fechado.
Abro os olhos devagar, tento te espiar.
Encontro teu rosto sorrindo pra mim. Aquele sorriso bem leve, que se encaixa perfeitamente no teu rosto quadrado, que fica perfeito com tua barba mal feita... Aquele sorriso que me faz sorrir também. Fico rindo, boba.
Tu põe teu cigarro em minha boca, não me deixa segurá-lo. Dou uma ou duas tragadas. Tu me tira o cigarro antes que eu termine a terceira, me beija antes que a fumaça caminhe no meu quarto. Sorri e torna a fumar, me olhando pelo canto.
É coisa desse tipo que me deixa boba. É por isso que sou apaixonada por você.


